Opinião
Por Redação
07 de outubro de 2025 às 19:20 ▪ Atualizado há 2 meses
Nas últimas semanas, Teresina começou a testemunhar uma movimentação mais visível da gestão do prefeito Silvio Mendes em relação à limpeza urbana: praças, parques e bairros têm recebido ações reforçadas de capina e varrição. A “cara da cidade”, que vinha sendo motivo de queixas constantes, finalmente parece despertar para cuidados maiores. No entanto, outro desafio, talvez mais estrutural e urgente, continua a arrastar sob o peso de problemas antigos: a coleta de lixo. Ou melhor: o descuido com ela.
Uma das primeiras medidas adotadas pela administração foi contratar emergencialmente a empresa VOX Ambiental para reforçar os serviços de limpeza (capina, varrição, poda) em diferentes regiões da cidade. A justificativa é razoável: dar resposta rápida à insatisfação popular e aliviar o “efeito visual” de abandono nas vias públicas. A prefeitura informou que 1.469 trabalhadores já estão mobilizados, muitos deles reaproveitados de contratos anteriores para garantir continuidade dos postos de trabalho.
Enquanto a limpeza urbana ganha protagonismo, a coleta de lixo continua a patinar. E isso não é apenas uma impressão de moradores: já existem sinais claros de colapso no sistema.
A Câmara de Teresina instalou uma CPI do Lixo para apurar irregularidades na prestação desse serviço, especialmente em contratos emergenciais e atrasos de pagamento às empresas contratadas. Em paralelo, outra CPI investiga um suposto rombo deixado na gestão anterior, de até R$ 6 bilhões, segundo o atual prefeito, o que poderia explicar parte da fragilidade financeira atual.
Empresas que outrora participavam do serviço alegaram falta de pagamento e dificuldades para honrar salários. A Recicle, por exemplo, integrante do consórcio EcoTeresina, chegou a reivindicar dívidas de cerca de R$ 50 milhões. O resultado: paralisações, atrasos e falhas na coleta em muitos bairros.
A CPI do Lixo já promoveu várias oitivas, convidando responsáveis da ETURB, representantes de empresas contratadas e gestores públicos para prestar esclarecimentos. Vereadores solicitaram mais 60 dias para concluir os trabalhos, alegando o volume de documentos e depoimentos pendentes.
Neste cenário, é essencial desenhar quem faz o quê e onde o sistema ainda falha:
Limpeza urbana (capina, varrição, conservação de espaços públicos): atualmente sob contrato emergencial com a VOX Ambiental, que assume a tarefa de reforçar o aspecto visual e o ordenamento da cidade.
Coleta domiciliar de lixo: serviços nos diferentes setores da cidade são divididos entre empresas como Via Ambiental (para as zonas Norte, Leste e Centro) e Ibero Lusitana (região Sul e Sudeste).
Além disso, contratos emergenciais foram distribuídos a outras empresas após o rompimento com consórcios anteriores, em uma tentativa de retomar a coleta regular.
Embora os contratos para a coleta estejam em andamento, o fosso entre o que é previsto em papel e o que se vê “nas ruas” permanece grande. Veículos não passam por muitos bairros, moradores reclamam de acúmulo de lixo, ratos, mau cheiro e riscos sanitários.
A reação de Silvio Mendes é um bom começo e merece ser reconhecida. Mas o verdadeiro desafio será transformar o esforço pontual em política pública permanente, capaz de devolver a Teresina não apenas a aparência de cidade limpa, mas o funcionamento de uma capital bem administrada.
É necessário uma integração entre limpeza urbana e coleta de resíduos, porque não adianta ter praças limpas enquanto bairros sofrem com o acúmulo de lixo, por ausência ou falha de regularidade na coleta de lixo.
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