Atrito
Por Redação
25 de novembro de 2025 às 11:57 ▪ Atualizado há 2 meses
As tensões entre o Palácio do Planalto e o comando do Congresso Nacional alcançaram um novo patamar após uma sequência de desgastes públicos envolvendo figuras centrais das duas Casas. Nesta segunda-feira (24), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que rompeu politicamente com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (PT-RJ), em meio à acirrada disputa em torno da tramitação do Projeto de Lei Antifacção.
Rompimento entre Hugo Motta e Lindbergh expõe crise entre Congresso e governo Lula - Foto: Câmara dos Deputados O atrito entre Motta e Farias, que já vinha se acumulando nos últimos meses, explodiu após o presidente da Câmara decidir que o deputado Guilherme Derrite (PL-SP) seria o relator do texto, iniciativa que contrariou diretamente o Planalto. A escolha irritou a bancada governista, que esperava um nome considerado mais neutro, apesar de o projeto ser de autoria do Executivo.
Em entrevistas recentes, Farias afirmou que Motta “criou uma lambança” ao indicar Derrite, defendendo que a relatoria deveria ter ficado com alguém capaz de dialogar com diferentes correntes políticas. As declarações endureceram o clima e foram vistas como ataque pessoal dentro da cúpula da Câmara.
Nos bastidores, aliados de Motta admitem que a relação já estava estremecida desde declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em um evento com a presença do parlamentar paraibano, afirmou que o Congresso vive “o seu pior momento em termos de qualidade”. A fala teria causado desconforto entre deputados, especialmente na cúpula da Câmara.
Um interlocutor próximo ao presidente da Casa resume o momento: “Não há mais diálogo. Qualquer demanda vinda do Lindbergh não encontra acolhimento”.
No Senado, o ambiente também é de desgaste após a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Lula frustrou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que trabalhava abertamente pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A insatisfação foi tão intensa que Alcolumbre deixou de conversar com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A escolha de Messias foi interpretada como uma afronta ao presidente do Senado, que nos últimos meses havia reforçado seu alinhamento político com o Planalto.
Em reação imediata, Alcolumbre anunciou que colocaria em votação um projeto que contraria os interesses do governo: a regulamentação da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias — uma pauta sensível, com impacto fiscal e pressão de categorias organizadas.
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