Coluna Lugar de Fala
18 de setembro de 2025 às 10:23 ▪ Atualizado há 2 meses
Impopular
Inacreditável o que aconteceu na calada da noite de terça para quarta-feira na Câmara Federal. Em dois turnos foi aprovada o que a imprensa nacional nomeou de PEC da Blindagem. O X, o antigo Twitter, subiu a tag #PECdaBandidagem e ficou no ar por 24h, com mais de 1,3 milhão de menções. Outros termos correlatos, com aquela tendência reflexiva debochada da rede social que foi do Zuckerberg e agora é do Musk, mostraram a efervescência do tema nas redes sociais.
Bancada piauiense votou em peso. Foto: Internet
Indignação
É um retrocesso que escancara a intenção de colocar as pessoas que têm mandato parlamentar acima da lei. Reflete a guerra dos poderes. Justiça e Legislativo medem suas forças. No meio disso tudo, o cidadão, que não está gostando do que está vendo e faz questão de manifestar-se nas redes sociais. Principalmente dos parlamentares que votaram a favor do mais recente escárnio político. Vai ter consequências eleitorais.
Social media
Os eleitores prometem lembrar dos dez nomes da bancada de deputados federais do Piauí. Distribuem cards com as imagens dos que votaram sim à impunidade, prometendo que em 2026 a conta vai chegar a eles. O que se vê são os tribunos fechando os comentários em suas postagens. O que vai de encontro ao propósito do mandato, que é público e deve refletir os interesses de quem votou e deu o cargo.
Lista com nomes de parlamentares circulam entre os eleitores. Foto: Internet
Internet
Outros estão fazendo pior. Apagam o comentário do eleitor/internauta. Tem postagem com mais de 100 comentários assinalados, mas quando se abre, tem meia dúzia. Basta subtrair para entender que a diferença mostra a indignação ao voto contrário ao que querem os donos do voto. Com a queda da cadeira de 10 para 8, dois não voltam. Mas o eleitorado quer dar o limpa geral, pregando a não eleição de quem votou contra o povo.
Justificativa
Um dos deputados piauienses tentou criar uma argumentação, mas não colou. Quando a emenda sai pior que o soneto, qualquer vírgula que se acrescente pode agravar a situação, que já é de pouca tolerância. O silêncio da maioria dos que falaram sim é o melhor caminho para a redução dos danos. Vão precisar de ajuda extra de marketeiros para reverter o prejuízo eleitoral incalculável para o pleito eletivo de 2026.
Fábio Novo, presidente do PT estadual classificou o episódio como "escândalo". Foto: Internet
Desconfiança
Outra hashtag é usada em alguns episódios recentes de conflitos de interesses entre eleitores e parlamentares. Já subiu algumas vezes #CongressoInimigodoPovo, mostrando que o foco político dos internautas não deixa passar em brancas nuvens as incongruências e derrapadas dos mandatos outorgados pela população. Em defesa dos próprios interesses, os deputados demonstram pouca empatia.
Contradição
O que mais causou espanto foi a bancada do PT, que sempre zelou por valores éticos e, historicamente, é crítica dos excessos da prerrogativa de foro e outras vantagens jurídicas que já blindam os parlamentares. Os petistas do Piauí votaram em peso, mesmo com a recomendação contrária da liderança do partido, que orientava o voto “não”. As velhas críticas aos neopetistas se acabaram com o “sim” de um petista raiz que ajudou a fundar o partido, que os eleitores não reconhecem mais.
Conversinha
Em meio a crise de imagem da agremiação, no estado que dá a maioria dos votos ao Partido dos Trabalhadores, o presidente da executiva estadual, deputado Fábio Novo, que acabou de assumir o comando da sigla, afirmou que vai chamar os parlamentares para uma conversa. Segundo ele, foi pego de surpresa. Já que não apenas os 4 piauienses votaram a favor, mas 12 deputados da bancada petista. Para ele, um “escândalo.”
Renovação
Por outro lado, o futuro para novos nomes que vão entrar na disputa eleitoral no ano que vem é alvissareiro. Com o desgaste nas costas de quem já tem mandato, quem não tem vai trabalhar justamente o eleitorado que não aguenta mais as surpresinhas ruins, os escândalos, a falta de interesse em defender os grandes temas nacionais e o foco nas pautas pessoais. A rejeição à velha política vai impulsionar os novos parlamentares.
Profecia
Para encerrar este assunto (por enquanto), quem não viu, veja o filme “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro”, que mostra a continuação da trajetória do Capitão Nascimento, personagem interpretado por Wagner Moura. Na sequência, o crime organizado toma as cadeiras da Alerj. Lançado em 2010, pouco depois um limpa derrubou parte dos parlamentares que serviam ao crime. Inclusive o presidente da casa. Foram presos. Vejo o reflexo em nível nacional. Além de um grande cineasta, José Padilha é um profeta.

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