Coluna Lugar de Fala
02 de dezembro de 2025 às 12:05 ▪ Atualizado há 2 meses
Se não é ruim da cabeça nem doente do pé, brasileiros(as) vão reverenciar o Dia Nacional do Samba. A data celebrada a partir de 1964, em Salvador, para homenagear o mineiro Ary Barroso, também é um convite à reflexão. O samba tem o mesmo espaço que os demais ritmos da moda? A nova geração de sambistas tem tanta capilaridade quanto outras modalidades rítmicas? No restante do Brasil, seria uma boa pesquisa de mercado. Por aqui, vai muito bem, obrigado!
Hoje é aniversário do Samba no Coreto, que completa 17 anos de muito batuque. Nascido e criado no coração da Praça Pedro II, é a expressão mais vigorosa da luta pela Revitalização do Centro de Teresina. Muito amado pelos amantes do ritmo que não deixa ninguém parado, é atração da noite no Natal da Secult, a partir das 20h. O grupo vai protagonizando o posto de queridinho do poder público, tanto municipal quanto estadual. No dia 9, abre o Seis e Meia, que traz Dudu Nobre. Salve, Jorge!
Samba no Coreto, 17 anos de amor ao ritmo que está na ponta do pé. Foto: divulgação
A academia aposta na manutenção da tradição, trazendo a velha guarda, os bambas piauienses, para o Samba no Coreto da Reitoria. A partir das 17h30, o couro come para unir a cátedra ao molejo sincopado da nossa identidade musical. O samba é pai e mãe de muitos outros ritmos. A Bossa Nova, que é a versão mais conhecida no mundo, amamentou-se do leite que veio do terreiro de Tia Ciata. Como dizia Noel Rosa, “Batuque é um privilégio. Ninguém aprende samba no colégio.”

E as Escolas de Samba de Teresina. Um dia vão voltar? Ou é apenas um sonho cada vez mais distante? Para alguns, noites e noites insones para tentar sensibilizar os gestores públicos a colaborar com o renascimento do centro de produção e manutenção do carnaval. O atual prefeito, durante a campanha eleitoral no ano passado, prometeu a um dirigente que iria restaurar o carnaval das escolas ainda este ano. Não deu. Dr. Sílvio disse que os cofres foram esvaziados. Será que no ano que vem vai dar pé ou pontapé?
GRES do Piauí atraíam grande público. Foto: Acervo particular
O Piauí abriu uma rota que antes não existia. Com a privilegiada Caatinga e a sua baixíssima umidade na maior parte do ano, torna-se o ambiente ideal para observação dos astros. No Dia da Astronomia, a dica é o Nazareth Cânion Lodge, que tem toda a estrutura para olhar para o céu com olhos que veem muito longe. Equipado com telescópios potentes, faz da noite mais um momento curioso para desvendar os mistérios do universo. Espia: @nazarethcanionlodge
Conhecido como Atacama da Caatinga, está localizado em Buriti dos Montes. Foto: Acervo NCL
Também hoje é Dia Internacional para Abolição da Escravatura. Às portas de 2026, o mundo precisa ser balançado para o absurdo. Seres humanos ainda são aprisionados por outros seres que se dizem humanos para todo tipo de atrocidade. O tráfico de pessoas é um mercado que mantém-se vigoroso. Segundo relatório de março de 2024 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, ligada à ONU, US$ 236 bilhões das verdinhas norte-americanas representam o lucro ilegal anual oriundo do trabalho forçado. Isso é o que consegue ser notificado e vira dado. E o que não é?
Os teatreiros estão chorosos e com motivo. A Universidade Estadual do Piauí encerrou as atividades do seu Grupo Cultural Teatro da UESPI sem aviso prévio. Mandou um email e pt saudações. O projeto movimentava interna e externamente com a arte de interpretar não apenas alunos e professores, mas um grupo de pessoas devotadas, que lutam pela manutenção da linguagem sempre fragilizada. O Lugar de Fala da UESPI, caso queira se pronunciar sobre o assunto, está garantido.

Este ano da Graça de 2025 tem trazido algumas surpresas que correm na contramão do que é mais sensato. Vimos a Secult promover a demolição de um palco, com grande valor histórico. Espaço onde nasceram bandas e apresentações antológicas da música piauiense marcaram a carreira de vários artistas. Por causa disso, a disputa foi parar no Ministério Público estadual. Componentes de um grupo de arteiros contrariados apresentaram uma peça jurídica onde demonstram a importância do palco à Cultura e exigem a reconstrução com melhorias. Mais amplo e com camarins.
Dia feliz pela conquista simbólica. É um número que inspira. Dá uma pequena noção de quantidade, mas não traduz o que está por trás. Eu sempre soube que era algo bem desafiador, que exigiu bastante reflexão antes de começar. A fim de dar início e não ficar pelo caminho. É bem mais do que me diziam. O recorte temático escolhido é um elemento a mais a compor um índice que torna tudo mais complexo. Sair elogiando tudo, pintando o mundo de rosa e azul, não é produtivo. Creio que o tom crítico é mais contributivo.
Para mim, escrever tem a ver com disciplina e necessidade orgânica. Foto: Lupa1
O que temos de mais pretensioso neste contexto diário de escrever é buscar colaborar para uma crônica mais próxima da realidade. Menos chapa branca. Mais canal para artistas e suas observações, contribuições, queixas e denúncias. Quem sabe a gente equilibra um pouquinho o ambiente artístico-cultural. O primeiro passo é manter uma redação justa e comprometida com a verdade dos fatos. Trazer novos nomes, lembrar de outros “esquecidos” e focar o holofote em quem realmente tem densidade artística, é outro propósito.
A primeira edição neste modelo diário aconteceu em 5 de agosto. A três dias de quatro meses, vemos um futuro promissor para dar voz, espaço e vez a artistas e obras que realmente tenham compromisso com a arte. Fortalecer e defender a Cultura do Piauí é o que tenho feito há muito anos. Do tempo dos blogs até aqui, foi muito aprendizado em décadas de escritura. Continuo aprendendo. A sensação é sempre essa. Amanhã começa tudo novamente. Gratidão!
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