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Coluna assinada por Willian Tito, jornalista, ator e redator. Cultura, teatro e diversidade social com sensibilidade e firmeza.
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Bioeconomia vai pautar mercado de negócios sustentáveis do Piauí

Consciência ambiental deixa de ser ativismo militante e passa a orientar caminhos às instituições públicas harmonizarem-se aos novos tempos.

28 de novembro de 2025 às 14:17 ▪ Atualizado há 2 meses

Ver resumo
  • Safira Bengell celebra 50 anos de carreira com uma nova tiragem de sua obra, destacando-se como Embaixadora do Fórum de Artistas do Piauí.
  • Teresina aguarda o Circuito Nacional de Reggae, com presença de Alboroise e artistas locais, promovendo uma importante reflexão social.
  • O texto aborda a seca cíclica e seus desafios no Piauí, com consequências severas para a população e o ambiente.
  • A resistência da Caatinga é destacada, com sua capacidade de regeneração após as chuvas.
  • A Caatinga captura 60% do CO2 do país, apresentando-se como uma oportunidade econômica para o futuro.
  • Governador Rafael Fonteles investe na preservação da Caatinga, firmando parcerias para projetos de reflorestamento.
  • O Piauí aproveita o potencial da bioeconomia, buscando se tornar protagonista no mercado de créditos de carbono e sustentando a economia regional.

Bioeconomia vai pautar mercado de negócios sustentáveis do Piauí
Bioeconomia vai pautar mercado de negócios sustentáveis do Piauí

Brilhando

Safira Bengell, pedra preciosa da cultura piauiense, segue em expansão com a obra que registra 50 anos de atividade artística. Em temporada no Rio de Janeiro, cumpriu agenda nos principais locais de circulação de personalidades e artistas. Acabou de pedir mais uma impressão, com tiragem de mil exemplares, que ela vende em tardes e noites concorridas de autógrafos. Assim, vai aquilatando ainda mais o brilho que ilumina a nossa estrela no mapa. La Bengell nos põe em destaque por onde passa, como Embaixadora do Fórum de Artistas do Piauí.

Safira Bengell tem sua obra na Biblioteca Nacional, que guarda nosso acervo. Foto: divulgação

CNR

Quem adquiriu suas entradas para a noite de amanhã, no Circuito Nacional de Reggae, chegou a hora de receber os ingressos. Hoje, a partir de 14h, no local do evento, os tickets serão repassados. Teresina está na expectativa de Alboroise e os maiores nomes do reggae nacional e piauiense. A confraria do ritmo que reúne consciência, resistência, consistência artística, discurso e mensagens que tocam em pontos que precisam de reflexão, estará concentrada na Central de Artesanato. 

SECA

Vivemos numa clima semiárido, com baixa amplitude térmica, altas temperaturas, chuvas escassas e longos períodos de estiagem. Com as mudanças climáticas, a minha visão de um leigo observador, aponta para o agravamento da sensação de secura. Sinto o impacto na pele, literalmente, quando exposto aos raios solares da tarde. A desidratação é rápida. Por isso, sabiamente, o piauiense anda com sua água. Pronto para repor o suor que escorre pela têmpora até mesmo na sombra.

A seca impõe limites severos de sobrevivência aos sertanejos. Imagem: Internet

Cíclica

A seca é um fenômeno cíclico, que agrava a situação no período de estiagem. A cada 100 anos, parece vir com uma intensidade carregada das características extremas. A Seca de 1915 foi tão violenta que virou romance aclamado da cearense Rachel de Queiroz, que depois virou filme. É o que estamos passando no momento. Segundo o Diário Oficial do Estado, 125 municípios piauienses procuraram abrigo no decreto de emergência até o último dia 17 de novembro. É mais da metade das cidades do Piauí em busca da mitigação governamental.

A seca inspira a arte em suas agruras. Foto: divulgação

Alerta

O que sempre foi complicado, agora ganha outros elementos que tornam a convivência do sertanejo com o semiárido ainda mais desafiadora. Se era quente, está mais quente. Se era seco, está mais seco. O prolongamento do tempo de estio tem deixado comunidades vulneráveis, sem água para as atividades do campo, dos animais e o uso próprio. O básico. O de beber está em risco. As técnicas empregadas para aproveitamento e armazenamento da água da chuva não sãos mais suficientes. No cristalino do semiárido, região de maior secura, é inóspito. Qualquer tipo de vida está em sério risco.

Poderosa

Mas a resistente massa vegetal da Caatinga consegue passar incólume, encolhida em sua latência. Mais morta do que viva. A mata branca finge ser apenas uns garranchos até as gotas baterem em seus talos secos. Em três dias, um milagre. O galho, que parecia esturricado pelo sol inclemente do sertão, veste um verbe exuberante. Vibrante. Magnético. Um frescor pelo ar dá sinal que a oferta de oxigênio renovou. O giro da chave despertado pela chuva muda o cenário completamente.  

A mata branca está pronta para ficar verde. Foto: Internet

Trunfo

A estratégia biológica de sobrevivência da Caatinga recorre às suas raízes profundas, que armazenam a água preciosa para o período mais seco. Com o metabolismo reduzido a quase zero, o mecanismo aguarda a primeira gotícula para despertar e desencadear um processo predador de carbono. O bioma capta 60% do CO² do Brasil com apenas 11% da cobertura vegetal do território. Estamos numa região potente e promissora dos melhores negócios de um portal que se abre: a bioeconomia.

Ativo

O mundo pauta-se pelos indicativos políticos ambientais sustentáveis. É o ponto de partida a permear a transversalidade das relações entre os mais diversos indicadores. Sociais, econômicos e culturais, principalmente. O governador Rafael Fonteles, entusiasta das inovações e novas tecnologias, acertou ao focar em preparar o estado para um futuro que já é presente. O Piauí tem cerca de 30% de seu território coberto pela Caatinga nativa, intocada. 

Investimento

Durante a COP30, o governador anunciou, representando o Consórcio Nordeste, a celebração de parceria com o BNDES e o BNB, no valor de R$ 100 milhões, visando o reflorestamento de áreas degradas, com a mata nativa. A manutenção e conservação completam o ciclo de preservação que o Piauí e demais estados vão trabalhar para serem ainda mais valiosos nas ofertas de crédito de carbono, que os países ricos vão ter que pagar aos países que mantém as “baterias” e os “pulmões” do mundo. O contrato pode dobrar, chegando a R$ 200 milhões.

Governador Rafael Fonteles assinando contrato de 100 milhões para investir na bioeconomia. Foto: Ascom BNDES

Oportunidade

O Estado do Piauí e o Nordeste estão conectados com o novo tempo em que é preciso estar atento às oportunidades. Investir em preservar a Caatinga é um negócio rentável no novo mercado de ações do futuro. Só que são ações diferentes da Bolsa de Valores. São ações práticas. Quem atua para manter as florestas em pé, inclusive e principalmente o único bioma 100% nacional, vai receber por isso de forma perene. Uma compensação dos que agiram na degradação, que devem custear quem age para manter e preservar. De olho nisso, Fonteles age pragmaticamente, preparando o terreno para o NE e o PI serem protagonistas dos novos tempos.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.