Coluna Lugar de Fala
21 de outubro de 2025 às 10:20 ▪ Atualizado há 2 meses
Entre outras datas mais relevantes, fico com o fato que fez a humanidade avançar aceleradamente. Durante muito tempo, luzes fátuas bruxuleavam ao sabor da brisa nas casas, igrejas e tavernas. A chama dançava, projetando sombras que assombravam nas paredes. Vindas de velas e lampiões, a noite já foi mais assustadora. Até que em 1879, Thomas Alva Edison, acendeu a lâmpada incandescente, que ficou ligada por 48 horas. O mundo iluminou-se, gerando uma revolução que nos trouxe à luz fria. Agora tudo é led.
O inventor da luz elétrica, Thomas Edison. Foto: Internet
Durante entrevista exibida ontem, 20, em canal aberto de televisão, militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí divulgou números atualizados sobre as queimadas. Este ano, até ontem, foram registrados cerca de 8 mil focos de incêndios. O número real é bem maior, considerando a subnotificação e outros eventos de queimadas que o poder público nem toma conhecimento. O mais triste dos dados é que boa parte do fogo começa criminosamente.
Chuvas que vêm do sul marcam a abertura do período. Foto: Internet
Chuvas que vêm do sul faz despertar o petricor - o cheirinho de chuva. Nas primeiras gotas lançadas ao solo, geosmina, ozônio, terpenos e outros componentes, também liberados por vegetais, liberam o olor que todos amam. O aroma desperta alegria de criança nos sertanejos. Oeiras, Picos, Floriano, Bom Jesus e Teresina, que vinham registrando temperaturas em torno ou superior a 40 graus, receberam chuvas. Aqui, choveu na madrugada e deve voltar a chover à noite. A máxima prevista é de 31 graus. Se cair outra dessa, os moletons vão saltar dos guarda-roupas.
Acidente automobilístico ocorrido na manhã do último domingo, 19, acabou tirando a vida de condutor que colidiu sua motocicleta numa vaca. O animal teve as quatro patas fraturadas, o que a levaria ao sacrifício por não ter mais autonomia mínima de sobrevivência. O que se viu foi a barbárie, que esquartejaram o animal a sangue frio no meio da avenida. Não é só a ausência de higiene que choca, o espetáculo sangrento lembra nossa origem selvagem. A SSP-PI está no caso, investigando os magarefes do asfalto.
Acidente resultou em morte de uma pessoa e esquartejamento de uma vaca. Fotomontagem: Lupa1
Em sério risco de extinção, os jumentos brasileiros ganham um fôlego de esperança da ciência. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná avançam na produção de colágeno fora do corpo do animal, que é o produto que interessa e o abate sem pena. Com redução da população em 94% nos últimos anos, a voracidade do mercado chinês pelo eijao - que acreditam dar mais vitalidade e virilidade (não comprovadas cientificamente), movimenta mercado estimado em R$ 42 bilhões (quarenta e dois bilhões de reais). Estuda-se a proibição do abate em território nacional para a finalidade.
Jumentos estão em sério risco de extinção. Foto: Internet
Maria Lúcia Araújo Silva está com os olhos mais alegres. Concluindo o curso de Canto da Escola Técnica de Artes Gomes Campos em dezembro próximo, distribui sua peculiar simpatia com a voz mais afinada e consciente da projeção. Em 2003, Lúcia iniciou a implantação de projeto e de uma nova mentalidade. Tornou-se a pioneira do Programa Nacional de Convivência com o Semiárido, que deixou de combater a seca e aprendeu a lidar com ela. Uma voz com identidade de sertão.
Lúcia Araújo é formanda em Canto. Foto: Willian Tito
O coreógrafo das dezenas de prêmios acrescentou que a performance do Le Ballet Studio conquistou outros troféus no Festival Prêmio de Dança do Piauí. Levaram o primeiro lugar no conjunto, “E Por Nós, o Silêncio”. Na última noite, o próprio Sidh Ribeiro foi agraciado como Coreógrafo Revelação (que eu pensei que só os iniciantes recebiam) e de Melhor Coreógrafo do Festival. O mestre destaca ainda que outras obras alcançaram as maiores notas. Parabéns pelo notável desempenho!
O Piauí está em cartaz em terras potiguares. As obras audiovisuais piauienses produzidas em Super 8 na década de 70, que foram restauradas num trabalho belíssimo de William Plotinick, do Cinelimite, serão apresentadas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Após fazer um trabalho incrível de recuperação e restauro de obras realizadas no formato, agora as exibe num circuito disputado pelos aficcionados em entender as origens do movimento ascendente recente. A renovação do cinema nacional vem daí.
William Plotinick, idealizador do projeto. Foto: Internet
Hoje à tarde, a partir das 14h, acontece a Mostra de Cinema Marginal Piauiense no auditório do Departamento de Comunicação Social da UFRN, que está reservado para a exibição de uma quantidade significativa do que foi produzido aqui na década de 70. O formato Super 8 traz a rebeldia de uma geração. Parte dela protestava a criatividade sublimando a opressão dos momentos mais intensos da ditadura militar com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.
A frase de Gláuber Rocha inspirou a juventude talentosa, que multiplicava a capacidade criativa diante da escassez dos recursos. O que corresponde ao celular, que todos temos em mãos, resguardando as proporções, a maquininha era carregada, normalmente, com um rolo de 15 metros, que rodava 3 minutos e 10 segundos a 18 frames por segundo. Era uma revolução à época. Na palma da mão, os sonhos de uma geração vieram à tona.




Na tarde de hoje, prevista para se estender até às 18h30, Durvalino Couto (o aniversariante de ontem), Haroldo Barradas, Carlos Galvão, Luiz Otávio Pimentel, Lindberg Pirajá, Antônio Noronha, Dogno Içaiano, Xico Pereira, Edmar Oliveira, Nélson Nunes, Arnaldo Albuquerque e Torquato Neto espelham o panorama dos primeiros passos do cinema pensado e produzido no Piauí. Um acervo valioso, que foi restaurado aqui na UFPI, com a colaboração do pessoal do Mel de Abelha. Leia-se Valderi Duarte.
Componentes do Grupo Mel de Abelha. Foto: Internet
Conheço uma parte dos filmes. Destaque à primeira animação feita no Piauí. Totalmente artesanal, “Carcará, Pega, Mata e Come” é uma obra-prima. Símbolo do melhor resultado diante das limitações. A autenticidade visual, roteirística. O movimento. A mensagem política. São alguns dos pontos que sustentam, na minha opinião, como obra mais densa, considerando simples valores estéticos. Tudo feito à mão. Arnaldo Albuquerque (1952/2015) era o cara. Quadrinhista, nasceu com o storyboarder ligado no 220. Era uma mente cinematográfica.
Arnaldo Albuquerque, autor da primeira animação piauiense. Foto: Internet
Na mesa de debates, o Piauí estará representado pela professora Dra. do Decon da UFRN, jornalista Carolina Reis. Teresinense da gema, conhece bem a maior parte do que será mostrado. A geração Super 8 produziu em quantidade e qualidade um patrimônio que orienta e norteia quem somos na linguagem que vive o seu momento de maior expansão local, nacional e internacional. O cinema Made in Brazil está na moda. A do Piauí também.
Prof. Dra. Carolina Reis vai representar o Piauí e a UFRN na mesa. Foto: reprodução redes sociais
Enquanto a mostra do cinema marginal não aporta por aqui, eu fico feliz que a Governo do Estado tenha retomado o valor de ícones que estavam “esquecidos” e desvalorizados pelo poder público. Na campanha do Dia do Piauí, o Anjo Torto estava bem na frente no vídeo, vistoso, mostrando a força da criatividade piauiense que impulsionou o movimento mais brazuca de todos os tempos. O cérebro da Tropicália faria 80 anos em novembro passado. Com raras exceções, foi silenciado.
Scarlet Moon e Torquato Neto em filmagens no RJ. Foto: Internet
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