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Coluna assinada por Willian Tito, jornalista, ator e redator. Cultura, teatro e diversidade social com sensibilidade e firmeza.
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Memória do rádio e tv é resgatada do lixo para restauração e preservação

O sonoplasta Zé Dantas, voluntariamente, recuperou parte de fitas de áudio e vídeo que faziam parte do sistema de comunicação pública do Piauí.

07 de novembro de 2025 às 15:01 ▪ Atualizado há 2 meses


Memória do rádio e tv é resgatada do lixo para restauração e preservação
Memória do rádio e tv é resgatada do lixo para restauração e preservação

Dia

Do Radialista. Em referência ao compositor e radialista Ary Barroso. O profissional do rádio mais visto é quem apresenta. A locutora, o locutor. Os que falam. Mas quem opera e faz tudo acontecer trabalha silenciosamente. @euvimdoradio é um perfil no ig que conta um pouco a história recente do rádio piauiense. Principalmente da FM. Eu também venho do rádio. No próximo dia 17 de fevereiro de 2026 faz 40 anos que ingressei no universo mágico.

Ary Barroso fez o rádio virar ouro. Foto: Internet

DJ

Naquele tempo, meados dos anos 80, a televisão piauiense estava prestes a se expandir. Só tinha uma emissora de TV na capital, que era conduzida com uma linguagem pouco popular. Tudo sério demais. No rádio era diferente. A comunicação popular aproximava da galera. Quando a FM chegou, estourou com a juventude, que se viu contemplada com um discurso que falava a sua própria língua. Locutor(a) de FM fazia mais sucesso que apresentadora(a) de TV. Tem o sonho de livro contando os “Anos Dourados da FM Piauí”, que uma equipe já pensou. Um dia vai ao papel e aos e-books. Assunto que vamos aprofundar mais adiante.

Equipe da FM Antena 10 que agitava no final dos anos 80 e início dos 90. Foto: Alcide Filho

Piranhão

O Piranhão abriu sua terceira edição às 15h com a exibição do Cinema Marginal do Piauí. As produções audiovisuais realizadas em Super 8 eram o boom do acesso da linguagem nos anos 70. O período de grande instabilidade política servia como motivação para uma geração com um grito preso na garganta. Era preciso dizer alguma coisa. A produção restaurada pelo Cinelimite, num projeto que merece um prêmio, vai pra telona no MIS – Museu da Imagem e do Som, no Centrão de Terê.

Homenagem

O festival está em expansão. Ampliando suas telas de exibição, além de Teresina e Timon, Campos Maior, São Luís, Uruçuí, Oeiras, Picos e Piripiri vão receber programação da mostra. A produção independente produzida no Norte Nordeste está no foco. Até domingo, oficinas e palestras gratuitas dão suporte aos profissionais do audiovisual. Torquato Neto é o grande homenageado. Merecidamente. O Anjo Torto enquadrou a cena, mas libertou a imagem criativa, abrindo passagem para mostras como o Piranhão.  

Dantas

O sonoplasta Zé Dantas, que mais profissões não reconhecidas, ainda, realiza um trabalho digno de todas as láureas. Preocupado com a memória da produção artística e factual, vem recuperando, decupando, organizando e arquivando, em condições seguras e duradouras, um acervo de valor incalculável. Shows de grandes nomes da MPB, estreias de artistas locais, apresentações inesquecíveis, entrevistas, documentários, trechos de programas em áudio e vídeo. Tudo de um tempo analógico, com fitas magnéticas que resistiram ao tempo graças ao intrépido defensor dos arquivos que iam para o lixo.

Zé Dantas digitaliza boa parte da memória recente em áudio e vídeo. Foto: reprodução redes sociais

Fita

Anteontem, nos bastidores da entrega do Troféu Teatro Piauiense, ele me revelou uma história emblemática, que se fosse possível, deveria ser resgatada num totem digitalizado para que todos pudessem assistir. Um certo dia, um gestor do Sistema Antares, a estatal de rádio, tv e portal do Piauí, resolveu jogar fora um “monte de fita velha” no lixo. Por sorte, um funcionário iluminado avisou ao Dantas, que fez duas viagens em um antigo automóvel Gol. Golaço. Lá estavam preciosidades que começam a ser divulgadas.

Arquivo vivo

Entre elas, todo o processo de construção do documentário sobre a Barca do Sal. Uma produção conduzida por Douglas Machado, no final dos Anos 80. Do qual eu (18 anos) participei, colocando a voz num texto muito bem escrito. O momento histórico foi uma tentativa de viabilizar a hidronavegação do Parnaíba. Não foi daquela vez. Mas a história guardou a tentativa. O trabalho do Dantas precisa ser divulgado e reconhecido. Mais que isso, deve receber suporte, inclusive financeiro, por tamanho denodo e espírito coletivo prático. Não esperou ninguém. Foi lá e fez. E continua fazendo. Meus aplausos. Gratidão!

Fuxico cultural

Também dos bastidores da festa do teatro, um pré-candidato mostrou como está a busca por votos para a eleição de conselheiros representantes dos artistas. Que não é mais dos artistas, mas das ONGs. Ontem sugeri que são mais de 100 no Piauí. É muito mais. São tantas que tem aspirante ao CEC afirmando que se elege com mais de 50 votos. Ou melhor, 50 CNPJs diferentes. O ativista tem viajado pelos municípios na política de corpo a corpo para conquistar seus eleitores e garantir sua cadeira.

Movimentação

O pessoal do Fórum de Arte e Cultura está planejando um momento festivo para apresentar aos artistas a entidade e os seus diretores aclamados na última quarta-feira, 5, no MIS. A representação da entidade formatou uma participação bem diversa no universo das linguagens. Nem todas estão na diretoria. Não caberia. O presidente Zé Marques afirma que todas as linguagens e demais setores da Arte e Cultura estarão contemplados nos Grupos de Trabalho, que estão em formação.

IG

Não entendo direito a política de gerenciamento do perfil do instagram do Theatro 4 de Setembro (@theatro4desetembro). Quarta-feira à noite a casa estava lotada. Não tem nenhuma postagem sobre. E tem publicação de conteúdo que não acontecem lá. Às vezes, repete postagem quase uma encima da outra. A impressão que dá, meio caótica, é que a diletância da condução ainda não firmou um estilo nem determinou critérios distintos que promovam a casa e seus eventos. 

Comparado com a da Secult, por exemplo, que é muito bem estruturado, com definição estética de linha de design, é visível que não há uma produção sistemática de cards e vídeos dentro de um planejamento. Parece bem improvisado e aleatório. Consequência, os likes raramente ultrapassam a quantidade de 10. É uma performance pífia, considerando que estamos falando da casa de espetáculos mais importante do estado. O Theatro merece um gerenciamento profissional e super criativo de suas redes sociais.