Coluna Lugar de Fala
23 de outubro de 2025 às 12:44 ▪ Atualizado há 2 meses
Depois da abertura na noite de ontem, os espetáculos voltam à cena na manhã e noite de hoje. Às 19h, o Grupo Ciclomáticos, do RJ, apresenta “Salve Ela! Carolina de Jesus em Cena”, e às 21h, “Eu,a Gorda”, do Baciada de Mulheres do Juquery, de Franco da Rocha (SP). Entre os espetáculos tem palestras. As montagens para crianças às 9h e às 10h30. A entrada é gratuita e todos os espetáculos acontecem na Cidade Cenográfica.
Este ano, o Festival Nacional de Teatro, em sua 13ª edição, presta homenagem em vida a Ísis Baião, mulher das letras, que já trouxe muitas das suas ideias à cena. Além de dramaturga e roteirista, a artista mineira começou como jornalista no Rio de Janeiro. No tempo em que a profissão era conduzida por gente que zelava pelo idioma como um guardião. São 83 anos de história dando um charme especial ao evento, sempre acompanhada de perto por sua partner, Gabi.
O colunista com a homenageada e Gabi, durante encontro recente após espetáculo teatral em The. Foto: Ana Lívia CBO
Abre hoje, 23, a II Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí. O evento reúne 200 lavradoras e lavradores, representando todos os territórios do estado. O Espaço Rosa dos Ventos vai centralizar das 17h às 22h o que cultivamos, tudo orgânico. Além de palestras, debates, oficinas e shows. Um dos palcos faz homenagem à Telmira da Chapada da Sindá, uma quebradeira de coco, símbolo da resistência e da dignidade das extrativistas das florestas de cocais.
Também na UFPI, começa hoje a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com abertura prevista para às 15h, no auditório Afonso Sena, do CCN I. Com o tema “Planeta Água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, a programação também acontece em outros campi e na UFDPar. A ciência é o caminho mais curto para reverter os efeitos da emergência climática com inteligência e sustentabilidade.

Os sanjoanenses queixaram-se, com razão, de eu não ter mencionado seu torrão natal entre as cidades mais quentes. É verdade. Em 2024, em 9 de outubro, o município atingiu a maior temperatura do país, 42,2 graus. Este ano, Oeiras levou várias vezes o recorde do calor. No dia 13 deste mês, foi a mais quente do Brasil, com 41,2 graus e apenas 10% de umidade do ar.
Os canais tradicionais de comunicação têm predileção por ajudar espontaneamente eventos culturais e artistas. Ponto positivo. A notória boa-vontade nem sempre vem acompanhada de apurado conhecimento estético. Na maioria das vezes, os jornalistas apenas replicam releases feitos por outros jornalistas, diante de informações que não conhecem. Há um grande recuo do jornalismo cultural.
Vital num circuito cultural. Imagem: Internet
O refluxo vem acompanhado de uma produção que enfrenta dificuldades com a plateia. Vejo reportagens, entradas ao Vivo, entrevistas que deveriam projetar os artistas, mas não influi num aumento de público. É nessa hora que o jornalista cultural faz falta. Sem ter quem frequente, compareça e faça leituras honestas de espetáculos, shows, livros, filmes, artes visuais, etc, o movimento fragiliza.
Espetáculo assistido recentemente pelo colunista. Foto: Willian Tito
Mas o jornalista não tem obrigação de ir a tudo. Ele, assim como a plateia, deve ser atraído. No mínimo, os espetáculos da produção local têm que ter o poder de despertar a curiosidade em quem está produzindo matérias. Sem ter quem escreva, pouco se fala. Replicar releases que se parecem muito uns com os outros, não atrai leitores. Muito menos espectadores. Nem pode ser desonesto falando bem de algo que nunca viu.
Adalmir Miranda no Festival de Palhaçaria. Foto: Willian Tito
Um dia desses, numa entrada ao vivo que promovia a estreia de um espetáculo, o experiente repórter de emissora de televisão cometeu um lapso, traído pela desonestidade ambulante. Sem se tocar, ao concluir sua entrada, fez o convite afirmando: “Vale a pena conferir o espetáculo maravilhoso”, disse. Oi? Como é que você sabe? Ainda nem tinha estreado. Sem falar que a Secult orienta a quem dar holofote. Mesmo que não tenha público nem produção estética consistente. Na maioria das vezes é política.
Espetáculo musical em cartaz, "A Vida É o que É". Foto: Willian Tito
O jornalista cultural é primordial por ser mediador entre os bens culturais, os artistas e os consumidores daquilo que é produzido. Também conhecida como plateia. Mas tem que ter preparo. Você não vai poder sair falando de arte e cultura se não a viveu por dentro, se não conhece a sua história, seus dramas, suas personas, seus sonhos e seus anseios. A presença de jornalistas culturais aponta um ambiente saudável e equilibrado do universo cultural. Precisamos de jornalistas culturais.
O colunista com atores após apresentação de "O Pescador e o Rio". Foto: divulgação
Bem cultural, plateia e crítica. No tripé está a estrutura saudável que mantém viva a produção, funcionando como uma máquina. Quando um dos pontos enfraquece. Todos os demais também se fragilizam. A produção pode ser linda, mas se não tiver quem diga isso, a plateia não se interessa. Não é meramente elogiar. É mostrar o valor e o porquê. Assim, o espectador aprende a ver e comparar, reconhecendo o que é bom e rejeitando o que não é.
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