Coluna Lugar de Fala
05 de novembro de 2025 às 12:23 ▪ Atualizado há 2 meses
O soteropolitano Rui Barbosa de Oliveira era um tipo muito curioso, fisicamente. Oficialmente, é divulgado que tinha 1,5 metro. Há quem diga que não chegava a tanto. Seria um detalhe desimportante se aquela criatura franzina não carregasse um cérebro tão privilegiado. A biografia é gigante e vale lembrar que foi colega de turma de Direito, em Recife, de Castro Alves. O título de “Águia de Haia”, que recebeu na Holanda.
Rui Barbosa, inteligência rara. Foto: Internet
O título reposicionou o Brasil em importância no concerto das nações. Os conferencistas mundiais ficaram assombrados com tamanha destreza com a palavra e a construção de argumentos sólidos. Abolicionista, quando assumiu o ministério da Fazenda no primeiro governo republicano, sumiu com os documentos de posse de escravizados, eliminando a possibilidade de compensação dos “proprietários”. Deus, às vezes, é irônico. Colocou um titã no corpo de um homem minúsculo na estatura, mas imensurável em sua sapiência.
E da Ciência, mas a primeira é mais lembrada. A data é mais uma reverência ao gênio baiano. Mãe de todas as ciências, a filosofia iluminou a mente brilhante. Grandes cientistas são figuras humanas de rara sensibilidade. Bem como aqueles que lidam com a Cultura. São forças complementares ou os dois lados da mesma moeda, que não tem preço, mas concentra todos os valores que precisamos para sustentar uma sociedade minimamente saudável.

O Dia Nacional da Língua Portuguesa, instituído em 2006 pelo presidente Lula é mais uma efeméride ao baixinho mais gigantesco que existiu. Ruy dominava como poucos a língua-pátria. Poliglota, também tratava muito bem muitos outros idiomas, que falava fluentemente como inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. O português do Brasil é uma das línguas mais belas pelo seu som. O “brasileiro” é música. A colaboração de termos de idiomas que vieram dos quatro cantos do mundo ajudaram a construir a nossa língua. Um ponto que a distingue pelo enriquecimento e beleza.

Hoje acontece a 13ª edição do Troféu Os Melhores do Teatro Piauiense. Melhor espetáculo, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, ator revelação, atriz revelação, diretor(a), autor(a), cenógrafo(a), iluminador(a), sonoplasta, figurinista, maquiador(a)\caracterizador(a). Com comissão curadora formada por Edson Júnior, Carmem Carvalho e Aci Campelo, a premiação está prevista para iniciar às 19h, no Teatro Torquato Neto. Entrada franca. Haverá transmissão pelo perfil do ig: @trofeuteatropiaui
Francisco Antonio Vieira é o homenageado do ano. Iniciou sua trajetória no teatro estudantil, quando era um movimento importante. Partindo da antiga Escola Técnica Federal, pupilo de José Gomes Campos, ascendeu na ribalta verdadeiramente após se unir aos irmãos Martins. Ganhou projeção nacional na interpretação da personagem Raimunda Pinto, do campomaiorense Francisco Pereira da Silva, montagem antológica do Grupo Harém, que acumula os principais recordes do teatro piauiense.

Um pouco mais cedo, a partir de 17h30, acontece a instalação do Fórum de Arte e Cultura do Piauí. A entidade jurídica tem nomes de destaque da cultura piauiense confirmados na primeira diretoria como Zé Marques, Safira Bengell, Adalmir Miranda, Valderi Duarte, Preto Kedé. O Museu da Imagem e do Som de Teresina vai acolher o grupo que se organiza para “defender um ambiente digno e transparente para a produção de bens culturais”, conforme afirma post no perfil recém-lançado: @arteculturapiaui

É de suma importância o apoio declarado de João Cláudio Moreno. O maior artista do estado, com capilaridade nacional, abre portas e chama atenção com suas palavras seguras e firmes. JCM lança luz sobre a necessidade da representação institucional para artistas e demais profissionais que atuam conjuntamente. Vitorioso em sua carreira, usa de sua influência para propagar a ideia de novas lideranças organizadas e habilitadas para pelejar na política cultural.
Nomes de peso como Aci Campelo, Teófilo Lima, Zé de Maria, Fábio Costa, Dimas e Assis Bezerra, entre outros, também empenham sua força na construção da nova entidade. Outros se resguardam, evitando exporem-se às represálias de quem discorda. Ao tempo em que se abre um espaço legalizado que chega para debater com propriedade a realidade da comunidade cultural piauiense, há quem prefira manter as coisas como estão. Inspirados no poeta Torquato Neto, parafraseiam: “Vai bicho desafinar o coro dos contentes”.
O Fórum de Arte e Cultura do Piauí, além de abrigar artistas de todas as linguagens, adiciona os produtores (de todas as vertentes); o segmento moda, com manequins, modelos; e técnicos em espetáculos (iluminadores, sonoplastas, maquiadores, etc). Há um clima de esperança entre os que não se sentem representados nem inclusos no “circuito oficial” para ter voz e vez em suas pautas urgentes e necessárias. Na primeira publicação do ig da organização: “Se você quer mudanças para melhor, venha com a gente.”
Coluna Lugar de Fala
Coluna Lugar de Fala
Coluna Lugar de Fala
Coluna Lugar de Fala
Coluna Lugar de Fala