22 de novembro de 2025 às 11:48 ▪ Atualizado há 2 meses
De Santa Cecília – mártir do cristianismo. Conforme divulga a tradição religiosa, a jovem fazia parte da aristrocacia romana. Antes de Constantino, o movimento cristão era combatido cruelmente. Prometida em casamento a um pagão, a santa prometera-se a Cristo, mantendo sua virgindade. Em resumo, o matrimônio não consumado a levou a condenação à morte. Inicialmente tentaram cozinhá-la, mas saiu incólume. Foi degolada na espada. Reconhecida por sua voz maviosa, mesmo com a cabeça separada do corpo, seguiu louvando a Deus por três dias, até expirar.
Representação de Santa Cecília. Imagem: Internet Dos músicos e tudo o que envolve a musicalidade. Justamente por causa de Cecília. A voz é o primeiro instrumento. Cantar é arte que encanta. Os instrumentos nasceram para tentar imitar a voz. Entre os que mais se aproximam estão a flauta e o violoncelo. O que seria de nós sem a música? Capaz de nos fazer viajar sem sair do lugar, acessar arquivos afetivos apenas com acordes, nos fazer rir e chorar, a música é um portal multidimensional. Dizia Nietzsche: “A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.”
O jornalista Rivanildo Feitosa lançou ontem ao grande público, o longamentragem “A 7 Marias”, em exibição no começo da noite, no Museu da Imagem e do Som. Por sinal, tem que melhorar a sonorização da sala de exibição de vídeos. O longa é um documentário que traz a lenda do Cabeça-de-Cuia numa tentativa de ressignificação, permeado por intervenções em cordel. A narrativa mítica do pescador matricida, que é amaldiçoado a viver nas águas dos rios Poty e Parnaíba, é pano de fundo para debater a violência contra a mulher.
Jornalista Rivanildo dirigiu e roteirizou o longa. Foto: divulgação RF fez um apanhado de depoimentos de pescadores, artesãos, artistas e profissionais diversos, principalmente da área de saúde e segurança. Todos mostram a construção de um personagem que permeia o inconsciente coletivo do piauiense. O doc traz à berlinda a alteração da tipificação penal a Crispim. O tema polemiza, levando o criminoso a responder também por feminicídio. A liberdade artística permite. A direção usou e abusou da possibilidade
Cena de abertura do documentário de RF. Imagem: divulgação
Faz falta o olhar clínico psiquiátrico a Crispim. Em defesa do personagem e não de seus crimes, creio que quem mais chegou perto da compreensão do infeliz pescador, que tornou-se o monstro que vive mergulhado em seu castigo, foi Gomes Campos. Na peça “O Pescador e o Rio”, a sugestão é para um diagnóstico esquizóide. Perturbado por vozes que não lhe dão sossego, sua cabeça é um rio caudaloso, cheio de ideias pútridas, que o levam ao mais hediondo dos crimes.
Cena de "O Pescador e o Rio", por alunos da escola Gomes Campos. Foto: Willian Tito Já viram como está linda a fachada do Cine Rex? É para não destoar da beleza decorativa de Natal, com suas luzes e cores. O velho cinema, que caminha para 90 anos de inauguração, passará por transformação que ainda não veio a público em seus detalhes. O que se sabe é que se virar escola, vai assassinar o potencial turístico da Praça Pedro II e seu entorno por 100 metros. É o que afirma a lei que proíbe o comércio de bebidas alcóolicas ao redor de escolas.
Cine Rex com fachada restaurada. Foto: Ascom Fábio Novo O Centro tem voltado a pulsar. Lembrando os seus melhores momentos, a vida noturna tem concentrado parte significativa no contexto da revitalização da zona central da capital piauiense. O sítio histórico vem recebendo intervenções que levam a juventude à diversão nos velhos casarios, que ajudam a preservar. Tudo começou com as ocupações artísticas. O avanço ao ramo do emprendimento redesenha o cenário por meio da iniciativa privada.
Grandes empresas fazem investimentos maciços. Desde lojas de departamentos de estrutura gigantesca, bares, restaurantes e até um shopping popular. O mercado atende ao apelo de artistas, ativistas e moradores, que resistem em defesa do território onde nasceu The. O poder público também vai entrar com tudo. Por enquanto, a guerra das praças protagoniza as melhores ações das gestões culturais do estado e do município. A temporada 2025 encerrou para a Secult, na P2, mas segue com os encontros dominicais na Praça Saraiva, pela FCMC.
O Ministério da Cultura promoveu durante esta semana, em Brasília, a reunião dos representantes do Plano Nacional de Comitês de Cultura e dos agentes territoriais. A política pública é importante. Entretanto, parte significativa das verbas milionárias foram desviadas, como apontam os escândalos em Manaus. Ontem, antes da exibição da estreia do doc de RF, o conselheiro de Cultura, Jone Clay Macedo desdisse o que me dissera há cerca de 20 dias. O programa segue firme e forte em 2026.
Ministra Margarete Menezes em discurso no evento nacional dos comitês de cultura. Foto: Ascom MinC O que o MinC não sabe é que os esfuziantes participantes do Piauí esqueceram de contar do pavoroso insucesso do Comitê em sua tentativa de fazer escutas sobre a construção do Conselho Estadual de Política Cultural. Fizeram tudo direitinho realizando três eventos em Miguel Alves, Valença e Teresina. Porém, não saiu como o esperado. Sem representatividade, os artistas não creram e não creem que o Comitê seja capaz de conduzir o processo. Quem tem que fazer isso são os próprios artistas, com a ajuda do poder público. E não o contrário.
Encontro reuniu representantes de política cultural importante do MinC. Foto: Ascom MinC O que mais causa espécie é que as mesmas pessoas que se esforçaram para mobilizar e convencer os artistas pelo desenvolvimento do Conselho Estadual de Política Cultural, também são as que lutam pela sobrevivência do CEC. A esquizofrenia acomete os entusiastas da mudança. Agora, eles são os fieis defensores da manutenção do braço inerte que só drena recursos e atrasa os avanços das políticas públicas à cultura edificadas por artistas, produtores e técnicos em espetáculos. Muita gente acha que só querem o jeton.
Coluna Lugar de Fala
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