Lugar de Fala

Coluna assinada por Willian Tito, jornalista, ator e redator. Cultura, teatro e diversidade social com sensibilidade e firmeza.
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Diretoria do Fórum de Arte e Cultura do Piauí é aclamada no MIS

A nova entidade, que reúne artistas e trabalhadores da indústria criativa, traz agenda pautada nas necessidades mais urgentes para o segmento.

06 de novembro de 2025 às 14:26 ▪ Atualizado há 2 meses


Diretoria do Fórum de Arte e Cultura do Piauí é aclamada no MIS
Diretoria do Fórum de Arte e Cultura do Piauí é aclamada no MIS

Risoterapia

No Dia Nacional do Riso é bom lembrar o quanto é importante a gente levar a sério uma boa risada. Se possível, gargalhadas. Quem tem o dom de fazer as pessoas sorrirem, profissionais ou não, são criaturas abençoadas. Oportunizam acesso instantâneo aos “hormônios da felicidade”, como dopamina e serotonina. E nos livram do cortisol e adrenalina, que surgem do estresse. Aquele velho adágio nunca fez tanto sentido: “Rir é o melhor remédio.”

Celeiro

O Piauí é qualhado de humoristas. A maior parte deles nunca subiu num palco. São anônimos que nos fazem rir de graça. A cidade de Piripiri (a capital do mundo, segundo canção de Ostiga Júnior) guarda um tesouro na mentalidade de seu povo, talhado para o humor como atributo natural de uma visão arguta, que vê as coisas com mais leveza. Embora o olhar humorado traga o tom crítico e desconcertante. Os piripirienses já nascem assim. Gaiatos. Com todo o respeito e admiração. 

DNA do riso

Alguma coisa existe no entorno do açude Caldeirão que faz brotar criaturas como Dirceu Andrade, Amauri Jucá e João Cláudio Moreno. Os dois últimos são parentes, que já nos faz pensar que seja hereditário. João começou a fazer “show” desde garoto. No comecinho da década de 80, eu o vi “apresentando-se” no pátio do Colégio São Francisco de Sales, mais conhecido como Diocesano. Num momento festivo, ele era atração artística da casa.

JCM, DA e AJ têm o dom divino de fazer rir. Montagem: Internet

Episódio

Neste dia, a gente celebrava o aniversário do Pe. Ângelo Imperialli, o diretor, e ele imitava-o e aos outros padres, como Costinha e, principalmente, Florêncio Lecci. Tudo autorizado por eles. Na frente deles. Pegamos alguns sustos quando nos intervalos de aula, JCM imitava a voz estrondosa do amado padre Florêncio com o seu “Misericórdia!”. Que era usada para exprimir algum malfazejo estudantil. Quero ilustrar com o episódio que ele já nasceu formado como humorista. É inato. Sou testemunha.

Plateia

Da mesma forma. Dirceu e Amauri, que já foram uma dupla. Foi JCM que transformou em profissão bem-sucedida por estas plagas. Os conterrâneos embarcaram e viveram tempos de grande sucesso. Ainda são os artistas da cena capazes de lotar um teatro local, com ingresso pago. Mas tem Whindersson, que fez sua própria trajetória alinhada aos tempos da social media impulsionando sua influência, que vem de Santa Luz/Bom Jesus. Um fenômeno à parte. Teresina também tem muitos. Não vou declinar nomes por que sei que se eu esquecer algum, não vão achar nenhuma graça nestas notinhas. São todos ótimos. Parabéns pelo dia!

WN construiu um novo patamar ao humor via plataformas digitais. Foto: divulgação

Bastidores

O teatro Torquato Neto ficou apinhado da comunidade teatral piauiense. A noite de ontem equivale ao nosso Oscar da Cena. O espaço já é apertado. Ficou aquele clima aquecido do calor dos artistas. Potencializado pela energia de celebração, reconhecimento e júbilo. Troquei ideias valiosas com colegas de longas datas, que há tempos não nos víamos. E a urbanidade dos afagos sociais até em quem o alinhamento é volátil. Network atualizado com sucesso.

Ísis Baião, César Crispim e Gabi. Foto: Willian Tito

Cobertura

Além da transmissão ao vivo pela rede social do Prêmio Teatro Piauiense, a TV Assembleia, canal 17.1, em Teresina, estava cobrindo o evento para a pontualidade do jornalismo e para o programa Sarau, conduzido por Octávio César. O veterano dos palcos, como cantor e ator, emprestava ontem sua verve como mestre-de-cerimônias da premiação. A voz impostada, criando um clima cênico de expectativa na entrega dos troféus, foi mola que segurou a cerimônia em alto nível. Bravo!  

O colunista com Gabi e Ísis. Foto selfie.

Premiação I

E o Troféu Teatro Piauiense vai para: maquiagem/caracterização, John Wesley e Myleide Guimarães – O Mundo Encantado dos Sonhos e da Alegria. Figurinos: César Crispim – O Mundo Encantado dos Sonhos e da Alegria. Sonoplastia, Sâmia Cantuário – Dorothy. Iluminação: Renato Caldas – Dorothy. Cenografia: Hirlan Kupfer – Já no Papo. Autor: Fábio Christian – Combustível. Direção: Arimatan Martins – Combustível. Atriz revelação: Carolina Azevedo – A Mulher que Esqueceu de Alimentar os Peixes. Ator revelação: Luann Miranda – O Mundo Encantado dos Sonhos e da Alegria. 

Premiação II

Atriz coadjuvante: não teve indicações. Ator coadjuvante: Fernando Jorge – Combustível. Atriz: Lari Salles – O Mendigo ou o Cachorro Morto. Ator: Francisco Pelé – Combustível, que também foi o homenageado do ano. Melhor espetáculo: Combustível – Grupo Harém/Teatro Extremo. O Instituto Punaré recebeu o prêmio “Iniciativa Inovadora de Teatro” pelo Festival Trisca. E assim encerra a temporada 2025. Abre-se uma nova que vai eclodir em mais uma noite festiva daqui há um ano. Ah, os comes e bebes estavam deliciosos, by Dilcar Eventos. Tinha uma geleia de abacaxi com pimenta e uma pasta de “bringela” deliciosos.

Comitê

Jone Clay, que comanda o Comitê de Cultura, um braço do MinC criado para agregar e articular quem produz, organiza e executa bens culturais, além de dar suporte aos projetos e programas públicos do setor, informou ontem que a política está com os dias contados. Encerra em maio por decisão do próprio governo. Que deve encontrar uma alternativa para importante mola que colabora na gestão, em tese. Na prática, em alguns estados estouraram descaminhos. Talvez seja por isso o prematuro fim.

Aclamação

Desde ontem, o Piauí ganhou mais uma entidade para o setor cultural, que deve ultrapassar a centena. É o que eu imagino. Vamos tratar disso mais adiante. Mas essa não quer ser mais uma. O Fórum de Arte e Cultura do Piauí teve diretoria definida por aclamação. Durante o encontro realizado ontem, 5, no Museu da Imagem e do Som, com participação de cerca de 40 pessoas, com chapa montada numa proposta de consenso, com representantes das mais diversas linguagens.

Membros aclamados para conduzir o Fórum de Artistas. Foto: Willian Tito

Diretoria

Na presidência, Zé Marques (cantor e compositor). Dona Concita, artesã do Box 43 (Porão da Ditadura), é a vice-presidente. O secretário-geral é o ator, diretor e professor, Adalmir Miranda. Nas Finanças, Luciana Cavalcante (artista plástica e outros istas). Conselho Fiscal: Valderi Duarte (cineasta), Hernâne Felipe (cantor e compositor) e Mariana Medeiros (audiovisual). Suplentes: José Rodrigues (músico), Mariana Cortez (arte-educadora) e Giordano Gabriel (teatro).

Relevante

A instalação do fórum contribui para uma melhor formulação, acompanhamento e implementação de políticas culturais no estado, com participação da sociedade civil. O fórum pode funcionar como interlocutor entre governo, instituições e a comunidade artística, propondo, debatendo e fiscalizando iniciativas culturais — o que impulsiona não apenas ações pontuais, mas uma agenda cultural estruturada. Louvável iniciativa.

Entidade reúne todas as linguagens artísticas. Imagem: divulgação

Safira

A cereja do bolo sempre fica para o final. Como surpresa, a atriz e diretora, Safira Bengell, ingressa na entidade com um cargo expansionista. Presidente honorária da entidade, a artista tem a função de representar o Fórum em suas andanças, levando o nome do Piauí, suas riquezas e seus artistas. Uma embaixadora voluntária de nossa gente criativa, livre e resistente. Perfil perfeito do talento que está a olhos vistos. Conquista de 50 anos de trajetória.

O colunista recebendo o livro autografado da biografada Safira. Foto: Bia Muzzani

Livro

Biografia inspiradora que foi lançada em julho do ano passado está num circuito intenso de noites de autógrafos em livrarias, academias, festivais e feiras literárias. “A Arte de Viver – A Dama da Diversidade Cultural Brasileira”, conta a rica história de uma artista que fez seu nome com muita autenticidade. Autodidata, aperfeiçoou-se na estrada com os grandes e tornou-se ícone de nossa cultura. Independente, tem respaldo para falar e dizer com propriedade. Tudo nela é real. Vou ler com atenção. O escritor Eneas Barros assina a obra editada pela Nova Aliança.

O colunista e a obra, que embarca para temporada de lançamentos no RJ. Foto: Bia Muzzani