Coluna Lugar de Fala
20 de novembro de 2025 às 12:55 ▪ Atualizado há 2 meses
Entre outras datas significativas, o Dia do(a) Biomédico(a) (que é fixa) e o Dia Mundial da Filosofia (que é móvel – terceira quinta-feira de novembro). A biomedicina prepara profissionais que atuam nos mais diversos setores da Saúde. A filosofia é mãe de tudo. Partindo da observação ao questionamento como válvula que se renova na mecânica do pensar. É da nossa natureza o exercício de imaginar, de criar, de inventar. Sem filosofar é impossível. É impensável.
Aniversariantes do universo cultural que dignificam suas trajetórias. Por ordem alfabética, James Brito, cantor, compositor, um artista independente; Júnior do MP3, liderança política, pioneiro na economia circular, reciclagem de material eletrônico e ativista social; por último, a atriz Talita do Monte, que mantém a Trupe de Mulheres Esperança Garcia, que desenvolve um trabalho itinerante, levando alegria e conscientização aos rincões do sertão. Preferencialmente assentamentos da reforma agrária, com as Marias da Terra.
James Brito e seu inseparável violão. Foto: divulgação
Júnior MP3 pacificou regiões na zona sul de The. Foto: divulgação
Talita do Monte também atua na palhaçaria. Foto: divulgação
Genivaldo, o nome do artista que tem canções na boca do povo. Foto: divulgação
Vavá Ribeiro faz meio século e parece um menino. Ele sempre se cuidou, mas de uns anos para cá, tornou-se um atleta de alto desempenho. Mesmo não competindo, mantém marcas na corrida que são de quem é profissional. Para nós é ótimo. Sinal de que o artista está cuidando bem da máquina de criar belas canções, interpretar outras tantas, fazer e manter amizades. Nascido em Oeiras e criado na Bahia, o violonista marcou seu território no coração dos piauienses.
Vavá e a canção que os piauienses cantam. Foto: divulgação
Aos 14 anos, o precoce Vavá já apresentava-se em público. Eu o vi pela primeira vez no Jardins Bar, que ficava na Miguel Rosa e fechou há muito tempo. Isso é lá pelo final/início da década de 80/90. A cara de menino continua. A sensibilidade também. O amadurecimento do artista evolui com passadas firmes de um corredor fundista. Calmaria, o álbum que traz 12 canções inéditas, lançado em 2003, aos 28 anos, foi e é definitivo. Lá estão as principais músicas que ilustram a trajetória do compositor.
Além da faixa título, “E Eu”, “Ancorado”, “Mas Eu Quero”, “E Não Sei Deixar Você Tão Só”, “Na Manhã”, “O Torto”, “Nau Cometa”, “10 Pras 11 (Na Central)”, “Coração de Feira”, “Honey Honey” e “Bossa Nova” completam o segundo e mais difundido trabalho em estúdio do cantor. Em vida e ainda jovem, Ribeiro tem o privilégio de uma de suas músicas fazer coro no refrão. Calmaria. Todo mundo canta: “Quando eu chegar na Frei Serafim, laços de fita, meu bem, acene pra mim. Não quero dinheiro, mas me vendo por inteiro. Seu amor é um pretexto pra eu ficar no Piauí”. É a consagração e a glória.
Belchior convidou e ele foi abrir vários shows da lenda cearense. Inclusive nos EUA. A parceria com Vander Lee também foi instantânea. Rosa Marya Colin pediu composições ao talento da primeira capital, que ele homenageia em “Capital do Sol do Imperador”. Oeiras, este ano, figurou várias vezes como a cidade mais quente do país. O Piauí aplaude Vavá Ribeiro, sua obra e sua pessoa, que mantém um estilo discreto no agir, prudente com as palavras, receptivo, educado e acolhedor com seus muitos fãs. Saúde! Parabéns!
Belchior e Vavá em turnê antológica. Foto: Internet
O multiartista Nego Val lançou ontem, 19, em suas redes sociais, questionamentos ao movimento negro no Piauí. O amarantino indaga o porquê de apenas uma família ocupar os espaços que constroem as políticas para o segmento. Val adianta-se afirmando que é salutar trazer perguntas para o campo de reflexão e não de combate. Segundo ele, a intenção é de melhorar as coisas. Também defende seu lugar ao sol. Encerrou dizendo que teve que sair do Piauí para conseguir trabalhar. Indicativo de perseguição?
Valdemar Santos traz reflexões ao dia. Foto: divulgação
Questionamentos em ambientes mais fechados também ocorreram ontem. Num grupo de zap, as mesmas questões quanto a legitimidade de quem conduz os caminhos do movimento geraram um aquecido debate. Uma das lideranças chegou a sugerir, em conversa privada, que a organização que houve outrora foi enfraquecida e quem conduz verdadeiramente e orienta as lideranças pretas é um homem branco. A denúncia grave deve ser apurada com ponderação.
Grupo Coisa de Nêgo, um dos precursores do movimento negro. Foto: reprodução redes sociais
Realmente em relação ao Movimento Negro, que devemos considerar a variedade de grupos que reuniam-se e faziam a festa com assinaturas que vinham de muitas frentes de organização, essa não é mais a mesma. Há quem atribua ao avanço das políticas públicas que procuram compensar, mitigar e reparar os históricos privilégios que afastaram os descendentes afro-escravizados de um acesso equânime em comparação com outros grupos étnicos, como justificativa do esvaziamento de um discurso e assim, de um movimento mais numeroso e aquecido.
Militantes do movimento negro do Piauí em momento de celebração. Foto: reprodução redes sociais
Dentro da estrutura da SASC existe a Superintendência de Igualdade Racial e Povos Originários, atualmente ocupada pela socióloga Assunção Aguiar. Militante histórica do movimento negro, desde os seus primórdios, a superintendente ocupa o cargo criado por decreto, no início do governo Rafael Fonteles, em 2023. As atividades transversalizadas agem interna e externamente. Promovem a organização institucional, mas também ações afirmativas e educativas diretamente nas comunidades, como o Café com Fé, que leva o debate sobre racismo, identidade, gênero e outros temas para os mais diversos territórios.
Assunção Aguiar, titular da SUIRPO. Foto: reprodução redes sociais
O empreendedorismo quilombola também é assistido desde a capacitação para captar recursos públicos até toda a instrução para tornar um negócio viável economicamente, com acompanhamento de expertise. A titulação de terras para comunidades quilombolas é um dos mais vigorosos e numeroso. Justiça social de verdade. São muitas ações em extenso relatório, detalhando em pormenores as atividades. Atacando em várias frentes, o estado do Piauí, como em qualquer parte do Brasil, o racismo estrutural não obedece manuais, mas vai enfraquecendo aos poucos com a continuidade das intervenções bem planejadas e organizadas pela SUIRPO.
O Quilombo Mimbó, um dos mais antigos e mais divulgados do Piauí, uniu-se em fé e religiosidade com a igreja católica. O arcebispo de Teresina, Dom Juarez, convida a comunidade em geral para uma celebração cristã dentro do quilombo. Com o título de Missa Afro, a publicação foi postada no perfil da Prefeitura de Amarante, onde está situado o local histórico de luta e resistência. O sacerdote está ao lado da liderança Professora Idelzuíta Paixão.

Natal de Luz e Sonho para uns e pesadelo para outros. A política exclusora aplicada pela Secult vem deixando muitas famílias de fora de ações patrocinadas pelo órgão. Os barraqueiros vivem em pé de guerra com a gestão cultural há mais de um ano. Desde quando foram enquadrados num sistema organizacional que afirmam ser prejudicial ao livre comércio, sendo obrigados a comprar kits fechados de bebidas e outras regras que impõem condições indignas de trabalho em eventos onde a secretaria atua.
A queixa vem dos barraqueiros organizados que lamentam a redução de eventos que vem acontecendo. Segundo afirmam, os poucos que são realizados com a assinatura da Secult acabam prejudicando inúmeras famílias, que ficam proibidas de trabalhar e gerar renda para seus filhos. A programação no Adro da São Benedito e na Praça Pedro II será fechada por grades, impedindo o acesso dos trabalhadores. Na abertura, às 20h, a dupla Raiza e Cris. Em seguida, Zeca Baleiro.
Hoje tem espetáculo sim. A lona está armada na Praça Pedro II, em frente ao Theatro 4 de Setembro. Reunindo apresentações de diversos grupos do país. RJ, PE, CE, PB vão levar alegria ao respeitável público. Com início sempre no começo da noite, a partir de 18h, a entrada é de R$ 20,00 e pode ser adquirida no local ou no site Sympla. Grátis para menores de 12 anos, idosos, PCDs, estudantes e professores. Basta levar um quilo de alimento não-perecível. A abertura é hoje, às 19h, com o Picadeiro Mágico, pela família Vidal.

A associação que defende os PCDs no Piauí de forma mais ativa, recebeu na manhã de hoje seus assistidos e familiares para celebrar os primeiros resultados da reforma de sua nova sede. Localizada na Rua Areolino de Abreu, onde funcionava anteriormente a SEMEC. Tudo feito com o trabalho e doação das mães e pais, que arregaçam as mangas literalmente. Na programação, brincadeiras, lanches e muito amor. Foi assim que me descreveu a aniversariante do dia, Elisângela Almeida, fundadora da entidade que está de aniversário. Parabéns duplo.

*** Texto escrito por colaborador externo. As opiniões nele contidas não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.
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