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Coluna assinada por Willian Tito, jornalista, ator e redator. Cultura, teatro e diversidade social com sensibilidade e firmeza.
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Artistas fazem movimento pela regularização do uso da Inteligência Artificial nas Artes

Ingleses e brasileiros lutam pelo regramento em base legal para proteger a criação. No Piauí, cantor e compositor lança música com IA.

19 de novembro de 2025 às 12:40 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • O texto aborda várias efemérides do dia 19 de novembro, como o Dia da Bandeira, do Xadrez, do Cordel e do Rei Pelé.
  • Destaca reflexões sobre a bandeira brasileira, suas cores e a frase positivista de Auguste Comte.
  • Leandro Gomes de Barros é celebrado como o pai do cordel, com seu impacto na literatura popular.
  • A CUFA Piauí promove a economia solidária com o projeto "Alimentando Sonhos".
  • Discussão sobre a influência da Inteligência Artificial (IA) nas artes, com críticas de artistas como Caetano Veloso e Paul McCartney.
  • Artistas reivindicam regras claras para o uso de IA na música.
  • Zé Marques experimenta compor com IA, destacando a diferença entre criação humana e máquina.
  • Reflexão sobre a incapacidade da IA de superar a criatividade humana e a importância de regulamentar seu uso.

Artistas fazem movimento pela regularização do uso da Inteligência Artificial nas Artes
Artistas fazem movimento pela regularização do uso da Inteligência Artificial nas Artes

Dia 

Muitas efemérides relevantes para o dia 19 de novembro. Vamos destacar o Dia da Bandeira, Do Xadrez, do Cordel, do Rei Pelé. Afora o sentimento patriótico, nossa bandeira reflete cores das disnatias que nos colonizaram. Quem romantiza diz o verde das matas, o amarelo das riquezas, etc. Não é bem assim. Nem mesmo a frase positivista, que reduzia o pensamento de Auguste Comte a duas palavras. Seria muito para apenas uma bandeira.

Auguste Comte formulou a doutrina filosófica Positivista. Imagem: Internet

Frase

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”, é a frase completa do filósofo francês. Por razões práticas e políticas, excluíram o ponto fundamental da construção de nossa bandeira. O lábaro que ostentas estrelado poderia ter o amor tremulando bem alto para que todos vissem de longe. Acho que isso diz muita coisa. Traz e transmite a essência frágil em que foi composta a base ideológica do regime republicano ao retirar o sentimento que segue nos faltando na bandeira e na nação.

Poesia

Destaco ainda o cordel, que é uma referência ao nascimento de Leandro Gomes de Barros, o pai da literatura de cordel. Considerado por muitos como o Machado de Assis da literatura popular. Os folhetos Cancão de Fogo I e II são considerados obra-prima, que reúnem memória e imaginação. O paraibano fez do cordelismo a crônica sertaneja, que não apenas divertia, mas também denunciava, criticava politicamente, informava e revelava o mundo grande ao ser humano da caatinga.

Leandro Gomes de Barros, o Pai do Cordel. Foto: Internet

CUFA

A Central Única das Favelas Piauí está desenvolvendo projeto que fortalece a economia solidária. Em parceria com a empresa M. Dias Branco, a CUFA promove o Alimentando Sonhos, que repassa os caminhos de especialista em produzir salgadinhos, que geram uma boa renda. São 75 pessoas, mulheres e homens que aprendem os segredos para conquistar o paladar de seus futuros clientes. A primeira turma sai junto com a primeira fornada de empreendedores prontos a protagonizar uma vida próspera e digna. Esta semana são os moradores do Renascença. Na semana que vem é a vez do Parque Mão Santa.

Boca

O Natal de Sonho e Luz vai abocanhando tudo, literalmente. Na programação oficial, que mudou, afirma que o início agora é a apresentação do Boca da Noite. Até o Festival de Circo, que começa amanhã, foi engolido. Mesmo sendo pago. Ingressos simbólicos no valor de apenas R$ 20,00 para adentrar à lona armada na Praça Pedro II. No Boca mesmo, o projeto de circulação musical da produção autoral piauiense, hoje abre com Calmô, às 19h. E fecha com Roque Moreira, às 20h. 

IA

Dois tipos de inteligência rivalizam. Ambas são IA. A Inteligência Artificial é vista como uma ameaça à Inteligência Artística. Para muita gente, é o contrário. Pode ser a ferramenta que aperfeiçoa um bem cultural. Em meio a toda a disputa que ganha contornos cada vez mais fortes, a plateia, a audiência, os fãs, os admiradores, passam incólumes. Nem tomam conhecimento do que está acontecendo, que deixa Caetano Veloso, Marisa Monte e Paul McCartney indignados.

Caetano, Paul e Marisa lutam por regras claras do uso da IA na música. Montagem: Internet

Irado

Já o Nasi, vocalista da banda paulista Ira, está investindo fortemente para ganhar relevância midiática com o novo projeto. Já estão prontas 6 músicas que receberam a intervenção da IA para rearranjar o novo álbum. Aliás, o título deixa bem claro do que se trata: “nAsI – Artificial Intelligence”. As canções começam a ser publicadas em plataformas digitais a partir de 23 de janeiro do ano que vem. Data em que o artista completa 64 anos. É esperar para ouvir.

Nasi vai lançar álbum arranjado por IA. Foto: divulgação

United Kingdom

No Reino Unido, aos 83 anos, o ícone da música mundial, Paul McCartney, lidera um grupo de artistas que cobram medidas do governo para regulamentar os direitos autorais, em sérios riscos. Segundo o artista, as IAs são treinadas com músicas de artistas sem autorização nem remuneração. No próximo dia 8 de dezembro, o ex-Beatles vai lançar uma música inédita, após 5 anos. “Is This What We Want?” são 2 minutos e 45 segundos com suaves chiados e sons ambíguos. É um quase silêncio que deve fazer bastante barulho.

Campanha

“Toda criação tem dono. Quem usa, paga” é o título da campanha promovida pela Pró-Música Brasil e a UBC – União Brasileira de Compositores, visando um regramento claro para utilização da inteligência artificial não apenas na música, mas em todas as demais linguagens artísticas. Um documento colhe assinaturas de artistas em todo o país. O objetivo é transformar ponto de força para poder negociar a viabilização de uma legislação junto ao Congresso Nacional. Marisa Monte e Caetano Veloso são signatários. 

pIAuí

Por aqui, o cantor e compositor Zé Marques deve ser um dos primeiros a compor em parceria com a Inteligência Artificial. A música “Cada Louco É Um Exército” foi indicada por um aplicativo bem conhecido de IA para música. Ele aproveitou o veio criativo, mas fez inúmeras mudanças, adaptando ao seu gosto. De forma que o resultado final, comparado com a proposta inicial, soa bem diferente. Mesmo assim, fica o crédito a IA assumido publicamente. Mas deve ter muita gente fazendo a mesma coisa, mas sem revelar.

Zé Marques fez letra e obteve a música via IA. Foto: divulgação

Inimitável

Creio que a IA jamais vai superar um artista. É impossível. Uma máquina nunca será capaz de sentir o que um ser humano criativo é capaz de sentir e sublimar utilizando linguagens artísticas. A máquina simula e copia. Ela até “inventa”, mas é apenas a tentativa de imitar um criador, um artista. Quem cria pode ser copiado e imitado, pode inventar e se reinventar. Faculdades que apenas quem lida com a arte de frente podem fazer. Porém, as regras são necessárias e urgentes. Tem muita gente que vai brincar de imitar arte e artistas. Falsificação sempre existiu. Entretanto, a originalidade vai dar um jeito de se mostrar o que é autêntico e o que não é.