Coluna Lugar de Fala
08 de outubro de 2025 às 10:14 ▪ Atualizado há 2 meses
A data para o Dia do(a) Nordestino(a) poderia ser qualquer dia no ano. Promulgada no dia do centenário do poeta Antônio Gonçalves da Silva, o cearense Patativa do Assaré, em 2009, pela Câmara de Vereadores de São Paulo, como forma de homenagear o povo que construiu a cidade. A data ganhou fama e projeção nacional. Não conheço povo mais orgulhoso de seu torrão do que os nordestinos. A Cultura sertaneja é nossa maior riqueza.
Patativa faria hoje 116 anos. Foto: divulgação
No último sábado, 4 de outubro, os oeirenses fizeram manifestação pacífica na ponte Zacarias de Góis, construída em 1846, também conhecida como Ponte Grande, sobre o Riacho Mocha. O grupo, formado por estudantes, artistas e ambientalistas, reivindica a criação do Parque Ecológico do Mocha. Além da elaboração e execução de um plano de arborização da cidade. O soterramento das fontes e a pouca cobertura vegetal tem posicionado a cidade entre as mais quentes do país.
Poeta Rogério Newton sensibilizando a população. Foto: divulgação
No último dia 25 de setembro, Oeiras registrou a temperatura mais quente do país, 41,9 graus. A maior alta histórica da cidade é recente. A primeira capital atingiu 42,4 graus. Também em 25 de setembro, mas em 2023. As Mudanças Climáticas vêm acentuando os episódios de calor extremo na região. Os ativistas veem a urgência e apelam ao poder público. Querem abrir um canal de diálogo para juntar os interessados e buscar soluções.
A ponte mais antiga do Piauí está perdendo o objetivo. Foto: divulgação
Oeiras é um dos exemplos clássicos da negligência na ocupação urbana e, na época, ignorância ambiental. A Vila do Mocha nasceu ao redor do riacho. As edificações foram construídas sem respeitar fontes de água, que ficaram cobertas com os sucessivos aterros. O corte desenfreado de árvores e a não reposição gerou um enorme déficit de cobertura, deixando a cidade desprotegida nos momentos mais intensos de insolação. Há grandes espaços sem nenhuma árvore.
O poeta Rogério Newton lançou o livro “Dez Poemas Desesperados Sobre o Riacho Mocha”. É mais que um manifesto artístico em defesa do aquífero. É um grito de alerta. É um pedido de socorro da comunidade piauiense. Nessas horas a gente entende a importância do poema. Os manifestantes exibiram cartazes com reivindicações e críticas à situação de penúria do riacho e da cidade, penalizada pela falta de um planejamento que abrande os rigores do bê, erre, ó - bró.
Livro de poemas grita por socorro. Foto: divulgação
Uma das figuras mais conhecidas na região da Praça Pedro II aposentou-se recentemente, deixando um hiato na história e lembranças na memória. O vascaíno Dentinho (não sei o nome verdadeiro) não abre mais a banca de revistas usadas, que ficava bem em frente ao caldo de cana, que ficava no prédio do Seu Cornélio. Tudo está fechado. Troquei HQs com ele ainda na minha adolescência. Teresina precisa de um Plano Unificado de Revitalização do Centro. Urgente!
Dentinho em frente à sua banca, na Avenida Antonino Freire. Foto: Amaury Cartunista
O Conselho Estadual de Cultura do Piauí completa hoje 60 anos. É o mais antigo do país e um dos mais antiquados. A maioria absoluta de seus pares já fez a transição para Conselho de Política Cultural, que sai da posição passiva do consultivo e normativo para deliberativo e fiscalizador. Se o estado estivesse em dias, é provável que não teríamos tanta falta de transparência e acusações constantes de malversação pela gestão cultural.
Infelizmente, o CEC tornou-se um reduto fechado que o artista não se sente representado. Completamente desconectado, não consegue encarar as pautas de interesse das categorias do segmento. Não estão na ordem do dia. Nunca são levadas a debate. E mesmo que fossem, de pouco serviria. Esvaziado de poder, nada pode fazer a não ser amealhar os gordos jetons das terças-feiras pela manhã, quando ocorrem as sessões. O Conselho passou e não viu o tempo passar. Passou do tempo de acabar.
Na noite de hoje o projeto traz duas atrações bem diversas uma da outra. O rolê começa com Narcoliricista, que mergulha no universo dos ritmos da black music, às 19h. Depois, às 20h, vem Ivan Silva, um dos maiores sanfoneiros desse país. O músico campomaiorense toca o fole desde os 14 anos. É reconhecido não apenas pela habilidade com o instrumento, mas também pela arte de ensinar a tocar. Atualmente é o maestro da Orquestra Sanfônica de Teresina.

No Coreto da Praça Pedro II, os reais valorizadores do espaço, que carregam no nome a projeção do sucesso que o samba é capaz de dar a quem lhe trata com amor. Desde 2008 a rapaziada faz a alegria dos que o acompanham. As apresentações são cercadas de uma aura de alegria e descontração, que só o ritmo malemolente é capaz de proporcionar. Hoje, às 19h, com as participações de Dhaklam e Gomes Brasil - a voz.

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