Operação Carbono
Por Redação
06 de novembro de 2025 às 17:38 ▪ Atualizado há 2 meses
Meses antes de a Polícia Civil e o Ministério Público deflagrarem a Operação Carbono Oculto 86, o Portal Lupa1 já havia apontado os sinais de que algo muito maior se escondia por trás da venda silenciosa de postos de combustíveis no Piauí.
SSP-PI reforça que Operação Carbono Oculto 86 não tem viés político - Foto: ASCOM Em junho de 2025, duas reportagens desta coluna, Ponto de Ruptura, chamaram atenção para o risco de concentração econômica e falta de transparência no setor. Os textos mostravam o início de uma mudança silenciosa de controle nas redes de postos, com capital vindo de fora do estado e pouca fiscalização pública.
Na primeira matéria, o Lupa1 questionou quem realmente estava por trás das vendas sucessivas de postos e o silêncio que cercava o tema:
Já na segunda publicação, aprofundamos a investigação, mostrando como o lucro desse mercado parecia blindado por estruturas empresariais e relações políticas pouco transparentes:
Os textos alertavam para a movimentação de grupos empresariais externos que vinham adquirindo postos em diferentes cidades piauienses, levantando dúvidas sobre a origem dos recursos e a ausência de fiscalização efetiva.

Agora, a Operação Carbono Oculto 86 confirma o que o Lupa1 já havia antecipado: o setor de combustíveis se transformou em um dos principais canais de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), com um esquema bilionário de adulteração, fraude fiscal e ocultação patrimonial.
A operação, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil, resultou na interdição de 49 postos de combustíveis em três estados — Piauí, Maranhão e Tocantins — além da apreensão de aviões, carros de luxo e imóveis.
Segundo as investigações, o grupo movimentava cifras que ultrapassam R$ 5 bilhões por meio de empresas de fachada e CNPJs sobrepostos, esquema semelhante ao descrito nas reportagens de junho.
O secretário de Segurança, Chico Lucas, declarou que o padrão de vida dos investigados era “nababesco”, enquanto o fisco estadual era fraudado por meio da compra de solventes e manipulação de notas fiscais.
As reportagens de junho não apenas questionavam quem dominava os combustíveis no Piauí, mas apontavam o risco de que o controle desse mercado estivesse nas mãos de grupos não identificáveis, amparados por estruturas empresariais de fachada e relações políticas.
Ao mostrar que postos eram vendidos em sequência, com silêncio absoluto dos órgãos de controle, o Lupa1 destacou o alerta que agora se confirma com a Operação Carbono Oculto 86: o setor havia se tornado terreno fértil para lavagem de dinheiro e blindagem de lucros.
A coincidência entre os temas investigados em junho e os alvos atuais da operação demonstra o papel de vigilância e antecipação do jornalismo regional independente. O portal não apenas reagiu ao escândalo, ele o previu.
O caso reacende o debate sobre concorrência desleal e concentração de mercado no Piauí. Com grandes redes sob suspeita, pequenos empresários enfrentam dificuldade para competir em preços e volume de vendas.
Além do impacto econômico, o caso evidencia a necessidade de transparência na propriedade dos postos, fiscalização tributária rigorosa e rastreabilidade da origem dos combustíveis.
As autoridades seguem analisando documentos e movimentações financeiras, enquanto o Lupa 1 continuará acompanhando os desdobramentos de uma história que começou a ser contada aqui, meses antes de qualquer operação policial.
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