Ponto de Ruptura

Coluna assinada por Thiago Trindade, jornalista e publicitário há 14 anos. Provoca reflexões críticas sobre sociedade, política e negócios no Piauí e Brasil.
Ponto de Ruptura

Fim da linha

Entenda de onde vem o dinheiro do FGC, o fundo que vai pagar a conta do Banco Master

Garantia do FGC entra em cena após a liquidação do Banco Master e revela como o próprio sistema bancário financia o fundo que protege o investidor.

Por Redação

18 de novembro de 2025 às 20:14 ▪ Atualizado há 2 meses


Banco Master e o FGC
Banco Master e o FGC

O Brasil acordou hoje com uma notícia que mexe com bolso, confiança e curiosidade: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, uma das instituições que mais cresceram oferecendo CDBs com juros lá em cima.

O fim do Banco Master tem um custo e ele é caro. Mas quem vai pagar tem dinheiro de sobra. Ou tinha…

A pegada era simples: rentabilidade alta e garantia do FGC. O investidor comum embarcou. O banco inflou. E agora o quebra-cabeça está sobre a mesa.

Só que, em meio à tensão, surge uma pergunta que fica martelando. Afinal, quem paga a conta quando um banco quebra? Mais especificamente, de onde vem o dinheiro que o Fundo Garantidor de Créditos usa para cobrir até 250 mil reais por CPF?

Parece mágica. Não é. E entender isso explica por que o caso do Master virou tema nacional.

A vaquinha obrigatória

A origem do dinheiro do FGC é uma espécie de vaquinha obrigatória. Não é do governo. Não é do Tesouro. Não é dinheiro público. O fundo é 100 por cento privado e existe para impedir que o sistema entre em pânico quando uma instituição desaba. Cada banco que opera no país é obrigado a contribuir todos os meses. A alíquota é pequena, mas constante. Funciona quase como um seguro coletivo. Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa e todos os bancos médios participam. O Banco Master também participava.

Você deposita seu dinheiro num CDB e acredita que, se der algo errado, o FGC vai te proteger. E ele realmente vai. Mas o segredo está no detalhe.

O dinheiro do FGC não nasce do nada. Ele vem do lucro do próprio sistema bancário. É dinheiro dos bancos que está lá para proteger o cliente quando uma peça da engrenagem quebra.

Acontece que o caso do Banco Master não é uma quedinha qualquer. O fundo deve desembolsar mais de 60 bilhões de reais só para cobrir os depósitos elegíveis. É o maior resgate da história da instituição. Antes disso só o Bamerindus, e foi três vezes menos que isso com valores atualizados.

Para um fundo que existe justamente para isso, nada mais natural. Só que a dimensão da operação levantou uma preocupação silenciosa no mercado. O FGC foi criado para lidar com quebras pontuais e moderadas, não para apagar incêndios gigantescos em série. A garantia é sólida, mas não infinita.

E aí está o ponto de curiosidade que vale ouro. Quando investe em CDBs que pagam muito acima da média, o investidor não está ganhando um presente. Está sendo compensado por um risco maior. O FGC existe para amortecer o impacto desse risco, mas não substitui o dever de entender onde se está entrando. É como usar capacete numa estrada esburacada. Ajuda, mas não faz a moto flutuar.

Com a liquidação do Banco Master decretada hoje, o mercado entra em alerta e o FGC entra em ação. Não há drama. Há regra. Uma lista oficial de credores é enviada para o fundo. O investidor acessa o aplicativo, confirma os dados e aguarda o pagamento. O mecanismo funciona. Mas a curiosidade que sobra é esta. Quem garante o garantidor?

A resposta volta ao início. O sistema financeiro inteiro. Os bancos que lucram com juros altos são os mesmos que financiam o fundo que paga o investidor quando um deles cai. É um pacto de sobrevivência. Uma arquitetura que mistura prudência e risco, tradição e modernidade. A engrenagem é antiga, mas o caso do Master mostra como ela está sendo testada como nunca.

O dinheiro que cobre o prejuízo do cliente não vem de Brasília. Vem dos próprios bancos. É o mercado pagando o mercado para o mercado não entrar em pânico. Uma engenharia silenciosa que só aparece quando algo grande demais desaba.

A curiosidade está respondida. Agora o país observa o desenrolar da maior operação de garantia bancária já feita no Brasil. E a lição fica para cada investidor. Rentabilidade alta sempre vem com história por trás. Hoje, a história é a do Banco Master. Amanhã, ninguém sabe. Mas o FGC continua lá, alimentado por todos os bancos, pronto para segurar o tombo do próximo.