Ponto de Ruptura

Coluna assinada por Thiago Trindade, jornalista e publicitário há 14 anos. Provoca reflexões críticas sobre sociedade, política e negócios no Piauí e Brasil.
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Advogado de réu na Carbono 86 critica "hipocrisia" e espetáculo em operações

Em vídeo, João Marcos Parente, criminalista e Mestre em Direito, defende a racionalidade e o contraditório, alertando para o risco de julgar sem provas.

07 de novembro de 2025 às 12:25 ▪ Atualizado há 2 meses


Advogado de réu na Carbono 86 critica "hipocrisia" e espetáculo em operações - Foto: Reprodução
Advogado de réu na Carbono 86 critica "hipocrisia" e espetáculo em operações - Foto: Reprodução

O advogado criminalista João Marcos Parente publicou em suas redes sociais um vídeo de forte cunho opinativo e reflexivo, endereçando a conduta da sociedade e de parte da “imprensa” em relação às operações policiais deflagradas no Piauí nas últimas semanas, incluindo a Operação Carbono 86, na qual defende o empresário Danilo Coelho, um dos envolvidos no caso da venda da rede de postos HD. O ponto central da sua crítica é o que ele classifica como a hipocrisia social diante das ações do Judiciário e da Polícia.

Advogado de réu na Carbono 86 critica "hipocrisia" e espetáculo em operações - Foto: Reprodução

Parente argumenta que a grande preocupação reside em uma "grande hipocrisia" que atinge o processo penal. Ele destacou que conhece pessoas que já foram alvo de operações, reclamaram de abuso de autoridade e espetacularização, mas que, em operações recentes contra terceiros, demonstram total apoio e aplauso.

O advogado resume esse comportamento na regra da "tolerância máxima para mim e tolerância zero para o outro". Segundo ele, quando um fato ocorre com a própria pessoa, ele é tido como injusto e ilegal; mas quando ocorre com alguém que não se gosta ou não se tem relação, o mesmo fato é considerado justo, bacana, e merece o destilamento de ódio e raiva nos comentários de internet.

João Marcos Parente reforça que a busca e apreensão é um instrumento que visa angariar provas e elementos para se chegar ou não à autoria de uma infração. 

Ele afirma que receber uma busca e apreensão é "muito ruim", mas ressalta que muitos alvos seguem suas vidas, não são processados e têm a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa, ou seja, não há uma condenação automática no cumprimento da medida.

A crítica se aprofunda ao diferenciar o erro do espetáculo:  

"O errado, portanto, não está na busca e apreensão. Judiciário não erra, Polícia não erra. Mas o que há de errado é justamente na espetacularização, no espetáculo que as coisas ganham, e no fato de que, justamente nesses momentos, que algumas pessoas descontam suas próprias frustrações, criminalizando por completo a riqueza da outra pessoa".

Ele conclui com um conselho à sociedade: encarar a situação com serenidade e o prisma da racionalidade, não da emoção. Segundo o advogado, apenas quem passa pela experiência de ter a reputação assassinada e sofrer estigmatização social pode compreender verdadeiramente a gravidade desses momentos.

Assista o vídeo completo: