Coluna Ponto de Ruptura
07 de novembro de 2025 às 12:25 ▪ Atualizado há 2 meses
O advogado criminalista João Marcos Parente publicou em suas redes sociais um vídeo de forte cunho opinativo e reflexivo, endereçando a conduta da sociedade e de parte da “imprensa” em relação às operações policiais deflagradas no Piauí nas últimas semanas, incluindo a Operação Carbono 86, na qual defende o empresário Danilo Coelho, um dos envolvidos no caso da venda da rede de postos HD. O ponto central da sua crítica é o que ele classifica como a hipocrisia social diante das ações do Judiciário e da Polícia.
Advogado de réu na Carbono 86 critica "hipocrisia" e espetáculo em operações - Foto: Reprodução
Parente argumenta que a grande preocupação reside em uma "grande hipocrisia" que atinge o processo penal. Ele destacou que conhece pessoas que já foram alvo de operações, reclamaram de abuso de autoridade e espetacularização, mas que, em operações recentes contra terceiros, demonstram total apoio e aplauso.
O advogado resume esse comportamento na regra da "tolerância máxima para mim e tolerância zero para o outro". Segundo ele, quando um fato ocorre com a própria pessoa, ele é tido como injusto e ilegal; mas quando ocorre com alguém que não se gosta ou não se tem relação, o mesmo fato é considerado justo, bacana, e merece o destilamento de ódio e raiva nos comentários de internet.
João Marcos Parente reforça que a busca e apreensão é um instrumento que visa angariar provas e elementos para se chegar ou não à autoria de uma infração.
Ele afirma que receber uma busca e apreensão é "muito ruim", mas ressalta que muitos alvos seguem suas vidas, não são processados e têm a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa, ou seja, não há uma condenação automática no cumprimento da medida.
A crítica se aprofunda ao diferenciar o erro do espetáculo:
"O errado, portanto, não está na busca e apreensão. Judiciário não erra, Polícia não erra. Mas o que há de errado é justamente na espetacularização, no espetáculo que as coisas ganham, e no fato de que, justamente nesses momentos, que algumas pessoas descontam suas próprias frustrações, criminalizando por completo a riqueza da outra pessoa".
Ele conclui com um conselho à sociedade: encarar a situação com serenidade e o prisma da racionalidade, não da emoção. Segundo o advogado, apenas quem passa pela experiência de ter a reputação assassinada e sofrer estigmatização social pode compreender verdadeiramente a gravidade desses momentos.
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