Embate
Por Redação
14 de novembro de 2025 às 14:49 ▪ Atualizado há 2 meses
Um dia após a Câmara Municipal "enterrar", de forma unânime, a tese de um rombo de R$ 3 bilhões deixado pela gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa (PRD), o atual prefeito, Silvio Mendes (União Brasil), disparou críticas contundentes contra o relatório final da chamada “CPI do Rombo”. Para ele, o resultado representa um “sinal grave de impunidade”.
Câmara Municipal de Teresina e prefeito Sílvio Mendes. Foto: Colagem Lupa1 A comissão concluiu que não houve rombo, apenas “irregularidades” na execução de recursos, conclusão que, para Sílvio, contradiz todo o material entregue ao Legislativo e ao Tribunal de Contas do Estado. O prefeito se disse indignado com a decisão dos vereadores e questionou o que considera um descompasso entre os órgãos de controle.
“O denunciado não pode virar denunciante e ficar livre, porque é sinal grave de impunidade. Isso desgasta a política, tira o crédito dos gestores. Se as provas não valem, se as empresas que quebraram continuam invisíveis, então vamos parar com brincadeira. Pega o processo e joga no Rio Parnaíba”, rebateu.
Silvio aponta contradições entre o relatório da CPI e decisões do TCE e da Câmara
O prefeito lembrou que tanto a Câmara Municipal quanto o TCE-PI reprovaram as contas de Dr. Pessoa referentes aos três anos de gestão. Além disso, destacou que membros da antiga administração chegaram a ser presos durante investigações paralelas.
Segundo Silvio, foram entregues mais de 3 mil processos como prova de falhas graves na condução financeira do Município. Ainda assim, a CPI não apontou prejuízo concreto aos cofres públicos.
Em tom de ironia, o prefeito sugeriu que, se o relatório estivesse correto, toda a rede de controle institucional teria de ser desautorizada:
“Vamos processar o Tribunal de Contas por desaprovar ilegalmente as contas. Vamos processar juiz, policiais e quem prendeu membros da gestão passada. E pedir à Câmara que desfaça a reprovação das contas. Se nada vale, corrigimos tudo do zero”, provocou.
Presidida pelo vereador Dudu (PT), a CPI afirmou que os números apresentados pelo prefeito não se sustentam. Segundo o colegiado, despesas de longo prazo estimadas em R$ 1,8 bilhão estão dentro da normalidade, e os R$ 1 bilhão classificados por Sílvio como dívida de curto prazo são, na verdade, despesas correntes de Teresina.
O relatório aprovado por unanimidade entre os cinco membros, conclui que há indícios de irregularidades, mas não há rombo nos cofres públicos. Sobre os R$ 110 milhões citados na Saúde, o colegiado afirma que a auditoria que deu origem ao número começou ainda na gestão passada.
Desde maio, a prefeitura adotou uma série de contenções para tentar recompor o equilíbrio das contas: fusão de secretarias, redução de despesas e congelamento de novas nomeações. Silvio insiste que o suposto rombo é resultado de dívidas acumuladas após o fim de seu segundo mandato, antes da era Dr. Pessoa.
A CPI, porém, diz que os valores apresentados pelo prefeito não correspondem ao que foi verificado.
Nada indica que a troca de versões vá esfriar tão cedo. Pelo contrário: o embate promete se tornar um dos capítulos centrais da disputa política que já se desenha para 2026. Silvio saiu do silêncio. A Câmara respondeu. E, no meio, paira a pergunta que dominou o plenário nesta semana: existe rombo ou existe narrativa?
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