Orientação
Por Redação
22 de novembro de 2025 às 12:23 ▪ Atualizado há 2 meses
O governador do Piauí Rafael Fonteles decidiu entrar oficialmente no tabuleiro que expôs, nas últimas semanas, a tensão silenciosa, mas crescente entre PT e MDB. Com a movimentação de bastidores sobre possíveis migrações partidárias, Rafael fez chegar aos aliados uma orientação clara: os emedebistas devem permanecer onde estão.
Governador do Piauí, Rafael Fonteles A sinalização do governador não é uma ordem, até porque ele próprio evita alimentar qualquer narrativa de interferência direta nos partidos, mas carrega o peso político de quem lidera com folga o bloco governista e tenta preservar o equilíbrio interno antes de um ano decisivo eleitoralmente.
A recomendação tem endereço certo. O MDB, embora solidamente ancorado no governo, vive um momento cauteloso: é cortejado por parlamentares do PT que enxergam na sigla um espaço estratégico e, ao mesmo tempo, observa deputados insatisfeitos flertando com a ideia de abandonar o partido. Nos círculos internos, a diretriz de Fonteles foi recebida como um pedido de estabilidade, quase um “fiquem onde estão” para evitar abalos na aliança.
Para o governador, mexer no tabuleiro agora seria abrir espaço para um reposicionamento que poderia desequilibrar a convivência entre as duas maiores legendas do campo governista. Rafael Fonteles também tem interesse direto em manter o MDB robusto: trata-se de um parceiro histórico, essencial em votações estratégicas e indispensável na engenharia política para 2026.
A mensagem de Rafael é ainda mais explícita quando trata dos Progressistas. Os deputados do PP que já aderiram ao governo, ou estão em transição, têm sinal verde para negociar acomodações partidárias. Em outras palavras, são eles e não PT ou MDB que têm margem para reorganização.
Esse movimento evidencia a estratégia do Palácio de absorver dissidências dos Progressistas sem provocar atrito entre suas duas colunas centrais. Fonteles quer ampliar a base, mas não ao custo de uma guerra fria entre aliados tradicionais.
Ao dizer que não proíbe, o governador se guarda de qualquer acusação futura de ingerência partidária. Ainda assim, sua “orientação” tem força política suficiente para, na prática, funcionar como diretriz. Deputados entendem que o recado serve para manter a "casa arrumada" enquanto o calendário eleitoral se aproxima.
A intervenção de Rafael Fonteles, discreta porém estratégica, é um sinal de que o Palácio não ignora o ruído entre PT e MDB e de que o governador pretende impedir que a disputa por espaços internos escale para um conflito aberto.
Por ora, ele tenta blindar sua base de um desgaste desnecessário. A dúvida é por quanto tempo o conselho será seguido.
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