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Risco sanitário

MPPI aciona prefeita de Canavieira na Justiça por risco sanitário no açougue municipal

Um laudo produzido pelo Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente do MP apontou uma série de irregularidades estruturais e operacionais

Por Redação

18 de novembro de 2025 às 12:13 ▪ Atualizado há 2 meses


Érika de Albuquerque Fonsêca, prefeita de Canavieira-PI
Érika de Albuquerque Fonsêca, prefeita de Canavieira-PI

O Ministério Público do Estado do Piauí ajuizou uma Ação Civil Pública contra o município de Canavieira e a prefeita Érika de Albuquerque Fonsêca (PT), pedindo a interdição imediata do matadouro municipal. O órgão afirma que o espaço funciona em condições incompatíveis com as normas sanitárias, ambientais e de bem-estar animal, colocando a população em risco e causando dano ao meio ambiente. A medida foi tomada após uma vistoria técnica realizada em outubro deste ano e após tentativas administrativas frustradas para que o município regularizasse a situação.

 Érika de Albuquerque Fonsêca, prefeita de Canavieira-PIÉrika de Albuquerque Fonsêca, prefeita de Canavieira-PI   

O laudo produzido pelo Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente do MP apontou uma série de irregularidades estruturais e operacionais. A sala de abate foi classificada como precária, com piso deteriorado, canaletas de sangria danificadas, ausência de bancadas adequadas e torneiras improvisadas. O abate, segundo o documento, é feito de forma rudimentar, por golpe manual na cabeça do animal, método considerado cruel e proibido pelas normas de abate humanitário.

Outro ponto crítico identificado na vistoria foi o descarte inadequado de resíduos e efluentes. O relatório registrou lançamento de dejetos líquidos a céu aberto, diretamente em direção ao Riacho das Canavieiras, além de acúmulo de vísceras e restos de animais nos fundos da estrutura. A lagoa de tratamento, que deveria conter e processar o material, está abandonada, quebrada e sem qualquer funcionalidade. Para o MP, a soma dessas condições configura poluição ambiental e risco real de contaminação do solo e das águas superficiais.

O órgão também destacou a inexistência de inspeção sanitária e a ausência de registro do matadouro nos órgãos competentes, o que impede qualquer controle sobre a qualidade da carne produzida. Segundo a ação, as deficiências identificadas ampliam o risco de transmissão de doenças, incluindo contaminações por bactérias, parasitoses e enfermidades adquiridas a partir de animais infectados, tornando o produto impróprio para consumo.

Na petição, o Ministério Público afirma que o município não tomou as medidas mínimas necessárias para corrigir o problema, apesar de notificações e reuniões anteriores. Diante disso, pediu à Justiça a interdição do matadouro, a proibição de abates até que as exigências legais sejam cumpridas e a imposição de multa diária à prefeita Érika de Albuquerque Fonseca em caso de descumprimento da decisão. O valor sugerido é de R$ 3 mil por dia.

O MP solicita ainda que a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (ADAPI) seja acionada para fiscalizar o cumprimento da eventual ordem judicial. A ação também requer, ao final, o fechamento definitivo das atividades até que todas as irregularidades sejam sanadas e a estrutura passe a atender às normas sanitárias, ambientais e de inspeção animal.

A ação aguarda apreciação inicial da juíza da Comarca de Jerumenha, responsável pelo processo.