Brasil

Alerta

Governo Federal inclui tilápia na lista de espécies exóticas invasoras no Brasil

A classificação é aplicada quando espécies não nativas passam a ocupar ambientes naturais brasileiros.

Por Redação

09 de novembro de 2025 às 16:12 ▪ Atualizado há 2 meses


Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil — Foto: Luiz Franco/ g1
Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil — Foto: Luiz Franco/ g1

A tilápia, peixe mais consumido no Brasil e base da piscicultura nacional, passou a integrar oficialmente a Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A inclusão foi determinada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e acendeu o alerta no setor produtivo, que teme aumento de custos, burocracia e insegurança jurídica para a criação do animal.

 Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil — Foto: Luiz Franco/ g1Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil — Foto: Luiz Franco/ g1   

A classificação é aplicada quando espécies não nativas passam a ocupar ambientes naturais brasileiros, provocando desequilíbrios ecológicos. Em seu local de origem, a tilápia pertence à bacia do Rio Nilo, na África. No Brasil, tem sido identificada em rios e lagos fora das áreas de produção, o que, segundo especialistas, exige reforço de políticas públicas voltadas ao controle ambiental e à contenção de escapes.

Mesmo com a nova categoria definida pelo governo, a produção e o comércio do peixe permanecem autorizados em todo o país. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) segue emitindo licenças para o cultivo, especialmente em regiões onde a tilápia já está amplamente consolidada como atividade econômica.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a decisão foi embasada em consultas públicas, análises técnicas e 247 estudos científicos que apontam o risco de proliferação da espécie em biomas nacionais. A tilápia foi incluída ao lado de outras 60 espécies de peixes exóticos com potencial de impacto à biodiversidade.

O setor aquícola acompanha o tema com preocupação, já que a tilápia representa grande parte da produção nacional de pescado e é responsável por milhares de empregos no campo. Produtores receiam que, a partir da classificação, futuras regulamentações passem a impor exigências mais rigorosas para o licenciamento ambiental e maiores investimentos em tecnologias de contenção, o que pode elevar custos de operação.