Decisão do STF
Por Redação
22 de novembro de 2025 às 08:20 ▪ Atualizado há 2 meses
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22), em Brasília, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem de prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e não está relacionada à condenação por tentativa de golpe de Estado, mas sim a novas medidas cautelares adotadas no curso das investigações.
Jair Bolsonaro - Foto: Agência Brasil Segundo a decisão, a prisão foi decretada depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. O ato ocorreu na noite de sexta-feira (21). Para Moraes, a convocação indicou possível mobilização de apoiadores com o objetivo de dificultar o cumprimento das medidas judiciais.
No documento, Moraes citou risco de fuga e afirmou que a articulação da vigília “indica a possível tentativa de utilização de apoiadores” para “obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar”.
“Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político”, escreveu Moraes.
A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho.
O ministro também mencionou que, em fases anteriores da investigação que resultaram na condenação do ex-presidente, houve plano para fuga à embaixada da Argentina, com solicitação de asilo político.
Outro ponto destacado foi a proximidade da residência de Bolsonaro ao Setor de Embaixadas Sul, aproximadamente 13 quilômetros — distância que pode ser percorrida em menos de 15 minutos, segundo o ministro.
Moraes também citou a situação de parlamentares aliados. O ministro declarou que os deputados Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro deixaram o país durante o curso das investigações, o que, segundo ele, reforça o risco de fuga envolvendo o ex-presidente.
A decisão ainda inclui menção a um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro, no qual — de acordo com Moraes — haveria incentivo ao “desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias instituições”.
Bolsonaro, segundo agentes ouvidos pela PF, reagiu de forma tranquila à ação, já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava no local no momento da operação. A prisão foi realizada por volta das 6h.
O comboio da Polícia Federal chegou à sede da corporação às 6h35, onde Bolsonaro realizou os primeiros procedimentos de praxe. Em seguida, ele foi levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal.
O ex-presidente permanecerá em uma “Sala de Estado”, espaço reservado para autoridades que já exerceram cargos como o de presidente da República.
Para evitar exposição, agentes do Instituto Médico-Legal (IML) se deslocaram até a própria PF para realizar o exame de corpo de delito.
Em nota, a Polícia Federal confirmou o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido pelo STF. A defesa de Bolsonaro informou que, até 6h40, não havia sido oficialmente comunicada da prisão.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto. Na época, Moraes determinou a medida por descumprimento de cautelares, entre elas a utilização de redes sociais de aliados — incluindo seus filhos parlamentares — para divulgar mensagens com teor de ataque ao STF e de apoio à intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro.
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