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RESTRIÇÕES

EUA impede Ministério da Saúde do Brasil de participar de reunião na ONU

Devido a restrições de visto, o ministro Alexandre Padilha fica no Brasil e acompanha votação da Medida Provisória do programa Agora Tem Especialistas no Congresso.

Por Redação

20 de setembro de 2025 às 14:06 ▪ Atualizado há 2 meses


Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: João Risi/MS
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: João Risi/MS

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não participará da comitiva brasileira que seguirá para os Estados Unidos na próxima semana, durante a 80ª Assembleia Geral da ONU. Segundo nota oficial, a decisão foi tomada após o governo de Donald Trump impor restrições ao visto do ministro.

"Em comunicado recebido da Missão dos Estados Unidos para as Nações Unidas, o Ministério da Saúde do Brasil foi informado da proibição imposta ao ministro Alexandre Padilha de participar presencialmente da reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)", informou o ministério. 

 Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: João Risi/MSMinistro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: João Risi/MS  

O Ministério da Saúde criticou a decisão do governo dos Estados Unidos, afirmando que ela viola o Acordo de Sede com a ONU e compromete o direito do Brasil de participar plenamente do principal fórum de saúde das Américas. Segundo a pasta, o visto concedido ao ministro Alexandre Padilha restringe sua circulação a Nova York, permitindo apenas deslocamentos entre o hotel e a sede da ONU, além de acesso a unidades de saúde em caso de emergência.

Diante das restrições impostas à sua participação na Assembleia da ONU, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, optou por permanecer no Brasil para acompanhar a votação da Medida Provisória do programa Agora Tem Especialistas no Congresso Nacional, considerada uma das prioridades de sua gestão.

“Não se trata de uma medida de retaliação ao ministro, mas ao que o Brasil representa na luta contra o negacionismo que retira o direito de crianças de se vacinarem e guia os retrocessos relacionados à saúde que a população norte-americana enfrenta”, complementa a nota.

Entenda

Em agosto, o governo do presidente Donald Trump cancelou o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. À época, o ministro estava com o visto vencido desde 2024 e, portanto, não passível de cancelamento. Na mesma semana, o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou os vistos de funcionários do governo brasileiro ligados à implementação do programa Mais Médicos.

Confira a carta para ministros da Saúde de países membros da Opas

Em comunicado recebido da Missão dos Estados Unidos para as Nações Unidas, o Ministério da Saúde do Brasil foi informado da proibição imposta ao ministro Alexandre Padilha de participar presencialmente da reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A decisão viola o Acordo de Sede com a ONU e o direito do Brasil de apresentar as suas propostas no mais importante fórum global de saúde para as Américas. O país é uma referência em saúde pública mundial e um dos principais articuladores de ações voltadas à defesa da vacina, da ciência e da vida.

Para a viagem aos Estados Unidos, os termos do visto concedido permitem exclusivamente a ida a Nova York, com deslocamentos restritos do hotel para a ONU, além de instalações médicas em caso de emergência.

Em razão dessas limitações infundadas e arbitrárias ao exercício diplomático brasileiro, o ministro Alexandre Padilha decidiu não participar das atividades para as quais foi convidado e permanecer no Brasil, dedicado à votação da Medida Provisória do Programa Agora Tem Especialistas no Congresso Nacional, uma prioridade de sua gestão.

Não se trata de uma medida de retaliação ao ministro, mas ao que o Brasil representa na luta contra o negacionismo que retira o direito de crianças de se vacinarem e guia os retrocessos relacionados à saúde que a população norte-americana enfrenta.

A participação do Brasil é determinante para a criação de uma rede inédita de produção de vacinas na América Latina envolvendo Argentina e México, e beneficiando todos os países vizinhos com redução de custos, geração de renda, desenvolvimento e maior autonomia na oferta de vacinas.

Todas as articulações estão mantidas com a delegação do Ministério da Saúde em Nova York e Washington, e reforçadas por reuniões do próprio ministro em eventos como a COP 30, diálogos bilaterais e missões com representantes do Mercosul e do BRICS, blocos com presidência do Brasil. A ciência continuará a avançar e o Brasil não deixará de atuar pela sua soberania.

Ministério da Saúde



Fonte: Ministério da Saúde