Polícia

Operação Carbono Oculto 86

“Que pague a conta”, diz Sílvio após ex-secretário ser alvo de operação contra o PCC

Prefeito defendeu cautela e afirmou que espera que os fatos sejam esclarecidos com rigor.

Por Redação

05 de novembro de 2025 às 13:42 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • A Operação Carbono Oculto 86 investiga um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 5 bilhões ligado ao PCC.
  • Entre os alvos, está Victor Linhares de Paiva, ex-secretário na gestão de Sílvio Mendes, que alegou esperar que os fatos sejam esclarecidos.
  • A operação interditou 49 postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins, sendo 16 em Teresina.
  • Foram sequestrados R$ 348.766.047 em bens e valores, envolvendo 10 pessoas e 60 empresas.
  • Bens apreendidos incluem aeronaves de luxo, como um Cessna Aircraft 210M e outras três aeronaves de alto valor.
  • Os alvos da operação são suspeitos de usar empresas de fachada para lavar dinheiro do crime organizado.

Victor Linhares e Sílvio Mendes
Victor Linhares e Sílvio Mendes

O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), comentou nesta quarta-feira (5) a Operação Carbono Oculto 86, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 5 bilhões ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos do sequestro de bens está Victor Linhares de Paiva, ex-secretário municipal de Articulação Institucional da gestão Silvio Mendes.

 Victor Linhares e Sílvio MendesVictor Linhares e Sílvio Mendes   

O prefeito defendeu cautela e afirmou que espera que os fatos sejam esclarecidos com rigor, mas que os responsáveis precisam ser punidos se houver comprovação das suspeitas.

Cada um escolhe o seu jeito de viver, mas eu não posso jogar pedra. Eu preciso saber o que tem de verdade e naturalmente fazer Justiça. Ser injusto é muito ruim. Espero que não seja verdade, mas se for, que cada um pague sua conta, declarou o prefeito.

Operação Carbono Oculto 86

A operação, deflagrada pela Polícia Civil em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, interditou 49 postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins, sendo 16 deles em Teresina. O grupo investigado seria responsável por usar empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar grandes valores de forma clandestina, fraudando o mercado de combustíveis e ocultando patrimônio do crime organizado.

 Operação mira o PCC no PiauíOperação mira o PCC no Piauí   

A operação, coordenada pela Polícia Civi do Piauí com apoio do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), determinou ainda a interdição de 49 postos que estariam integrados ao esquema criminoso. Desse total, 16 funcionavam em Teresina.

Ao todo, R$ 348.766.047,00 milhões em bens e valores já foram sequestrados pela Justiça. O bloqueio, segundo as autoridades, recai sobre 10 pessoas físicas e 60 empresas apontadas como parte da organização financeira que sustentava o grupo.

Aviões de alto valor apreendidos

Entre os bens apreendidos, está o avião Cessna Aircraft 210M, registrado em nome do empresário Haran Santhiago Girão Sampaio. O monomotor comporta até cinco passageiros além do piloto e é frequentemente utilizado para deslocamentos executivos regionais. Seu valor de mercado é estimado entre R$ 1 milhão e R$ 3,5 milhões, a depender de ano e configuração da aeronave.

 Avião apreendido em Operação contra o PCC no PiauíAvião apreendido em Operação contra o PCC no Piauí   

Além dele, os investigadores apreenderam mais três aeronaves:

  1. Raytheon Aircraft 400A (Hawker 400) — jato executivo de médio porte que acomoda sete ou oito passageiros e é avaliado em mais de R$ 10 milhões;

  2. Air Craft Astra SPX — aeronave da categoria executiva, de maior performance e autonomia que o Cessna, avaliada em R$ 8.500.000 (oito milhões e quinhentos mil reais). 

  3. Aircraft C90A — turboélice bimotor bastante utilizado em voos corporativos de curta e média distância, avaliado em aproximadamente R$ 7.500.000 (sete milhões e quinhentos mil reais). 

As aeronaves eram utilizadas para facilitar deslocamentos de luxo e, segundo os investigadores, serviam também como meio de ocultar patrimônio e justificar movimentações financeiras expressivas.

 Posto HD - Operação Carbono 86Posto HD - Operação Carbono 86   

Quem são os alvos

Entre os alvos da operação que tiveram valores sequestrados pela justiça estão: Haran Santhiago Girão Sampaio; Danillo Coelho de Sousa; Thamyres Leite Moura Sampaio; Moisés Eduardo Soares Pereira; Salatiel Soido de Araújo; Denis Alexandre; Jotesso Villani; Andressa Castro Alves de Oliveira; João Revoredo Mendes Cabral Filho; e Victor Linhares de Paiva.

Eles são apontados como responsáveis por estruturar uma rede empresarial que fingiria legalidade em transações ligadas ao comércio de combustíveis, permitindo a lavagem de valores do crime organizado.