Polícia

Carbono Oculto

“Eles fraudavam o consumidor e enriqueciam às custas do povo”, diz secretário sobre operação do PCC no Piauí

Durante entrevista, o secretário explicou que, apesar de formalmente não aparecerem como proprietários, os investigados continuavam controlando os postos por meio de terceiros.

Por Redação , Redação

05 de novembro de 2025 às 14:45 ▪ Atualizado há 2 meses


Secretário detalha Carbono Oculto 86 deflagrada contra PCC no Piauí - Foto: Lupa1
Secretário detalha Carbono Oculto 86 deflagrada contra PCC no Piauí - Foto: Lupa1

O secretário de Segurança Pública do Piauí afirmou nesta quarta-feira (05) que os empresários investigados na Operação Carbono Oculto 86 montaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo ele, o grupo utilizava empresas de fachada, “laranjas” e múltiplos CNPJs para fraudar o fisco e ocultar o lucro obtido com práticas ilegais.

“Eles fraudavam o consumidor e enriqueciam às custas do povo”, diz secretário sobre operação do PCC no Piauí - Foto: Lupa1

A operação, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) e pela Polícia Civil, resultou na interdição de 49 postos de combustíveis em 11 cidades do Piauí, além de municípios no Maranhão e Tocantins. O objetivo, segundo a SSP-PI, é bloquear o fluxo financeiro da organização criminosa e impedir que o patrimônio investigado continue gerando lucro.

Durante entrevista, o secretário explicou que, apesar de formalmente não aparecerem como proprietários, os investigados continuavam controlando os postos por meio de terceiros.

“Os empresários venderam os postos de gasolina, então, formalmente, não eram mais donos, mas se apresentavam como. Colocaram as empresas em nome de laranjas e grupos de São Paulo, que na verdade eram funcionários usados para movimentar o dinheiro e esconder os verdadeiros proprietários”, disse.

Ele relatou ainda que alguns postos tinham até três CNPJs diferentes, o que facilitava a emissão de notas fiscais falsas e a manipulação de dados contábeis.

“Eles faziam transações que não eram verdadeiras, compravam e vendiam notas fiscais para depois fechar esses CNPJs e esconder a movimentação da principal empresa. Também compravam solventes com outros registros para mascarar a adulteração do combustível”, explicou o secretário.

De acordo com a SSP-PI, a adulteração era feita por meio da mistura irregular de solventes e álcool anidro, o que comprometia a qualidade do combustível e gerava prejuízos diretos ao consumidor.

“Enquanto o cidadão abastecia com seus R$ 20 ou R$ 30, acreditando estar comprando um produto de qualidade, eles estavam enriquecendo com a fraude. Mantinham um padrão de vida nababesco, com aviões, casas de luxo e milhões em relógios, tudo às custas do consumidor e da sonegação de impostos”, afirmou o secretário.

A Operação Carbono Oculto 86 faz parte de uma ação integrada de combate à infiltração de facções criminosas em setores econômicos estratégicos, como o de combustíveis. A investigação identificou vínculos diretos entre empresários piauienses e operadores financeiros já investigados pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo na fase nacional da operação, que desarticulou esquemas de lavagem ligados ao PCC.

As autoridades destacam que o foco agora é rastrear os fluxos financeiros e responsabilizar todos os envolvidos na rede de fraude e lavagem de dinheiro.

“O Piauí não será base de operação para o crime organizado. Estamos agindo de forma firme e integrada para desarticular essas estruturas e proteger o cidadão de bem”, concluiu o secretário.

Confira a fala completa do secretário: