Medidas cautelares
Por Redação
07 de novembro de 2025 às 23:30 ▪ Atualizado há 2 meses
O juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, negou o pedido de prisão temporária feito pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e reiterado pelo Ministério Público do Piauí contra seis investigados apontados como integrantes do núcleo financeiro e empresarial de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e alvos da "Operação Carbono Oculto 86".
Operação Carbono Oculto 86 - Foto: SSP-PI A TV Lupa1 teve acesso com exclusividade à decisão judicial, que, embora reconheça “fortes indícios” das práticas criminosas, entendeu que a prisão não é “imprescindível” para as investigações neste momento.
Na decisão, o magistrado afirma que existem indícios consistentes de lavagem de capitais e organização criminosa envolvendo os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho, mas conclui que medidas cautelares menos gravosas são suficientes.
A decretação da prisão temporária revela-se, neste momento, prescindível para o andamento das investigações, escreveu o juiz.
Apesar de negar a prisão, o juiz determinou medidas cautelares:
Comparecimento obrigatório quando intimados
Proibição de sair da comarca sem autorização judicial
Proibição de comunicação entre os investigados
Além disso, autorizou buscas domiciliares, extração de dados de celulares e computadores, e o compartilhamento de provas para processos conexos.
O DRACO argumentou que o grupo seria responsável pela criação de um sistema empresarial de fachada, usado para ocultar bens e movimentar valores ilícitos no setor de combustíveis do Piauí, Maranhão e Tocantins.
O Ministério Público endossou integralmente o pedido de prisão. “Manifestou-se o Ministério Público [...] opinando pelo deferimento da cautelar em apreço.”
Mesmo assim, a prisão foi negada.
A operação Carbono Oculto 86 apurou que a Venda da Rede HD, em dezembro de 2023, à empresa Pima Energia, criada apenas seis dias antes da compra, serviu para mascarar a entrada de recursos do PCC na economia do Nordeste.
Operação Carbono Oculto: Polícia interdita 49 postos suspeitos de lavar dinheiro para o PCC no Piauí
A decisão cita que a "PIMA Energia [...] foi constituída com capital incompatível com o volume econômico transacionado, indicando operação de blindagem patrimonial.”