Polícia

Medidas cautelares

Apesar de pedidos do DRACO e MP, Justiça nega prisão de alvos da Operação Carbono Oculto

TV Lupa1 teve acesso com exclusividade à decisão judicial, que, embora reconheça “fortes indícios” das práticas criminosas, entendeu que a prisão não é “imprescindível” para as investigações neste momento.

Por Redação

07 de novembro de 2025 às 23:30 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • Pedido de prisão temporária contra seis suspeitos de lavagem de dinheiro ligado ao PCC foi negado pelo juiz Valdemir Ferreira Santos.
  • O magistrado reconheceu "fortes indícios" de práticas criminosas, mas considerou a prisão desnecessária para as investigações no momento.
  • Foram estabelecidas medidas cautelares, como comparecimento obrigatório, proibição de sair da comarca e de comunicação entre investigados.
  • Autorizadas buscas domiciliares e extração de dados de celulares e computadores.
  • Investigações mostram criação de empresas de fachada para ocultar bens e movimentar valores ilícitos no setor de combustíveis do Piauí, Maranhão e Tocantins.
  • A "Operação Carbono Oculto 86" apurou venda suspeita da Rede HD à empresa Pima Energia, utilizada para entrada de recursos do PCC.
  • A polícia interditou 49 postos suspeitos de estarem envolvidos na lavagem de dinheiro para o PCC.

Justiça nega prisão de alvos da Operação Carbono Oculto - Foto: Reprodução
Justiça nega prisão de alvos da Operação Carbono Oculto - Foto: Reprodução

O juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina, negou o pedido de prisão temporária feito pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e reiterado pelo Ministério Público do Piauí contra seis investigados apontados como integrantes do núcleo financeiro e empresarial de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e alvos da "Operação Carbono Oculto 86".

 Operação Carbono Oculto 86 - Foto: SSP-PIOperação Carbono Oculto 86 - Foto: SSP-PI 

A TV Lupa1 teve acesso com exclusividade à decisão judicial, que, embora reconheça “fortes indícios” das práticas criminosas, entendeu que a prisão não é “imprescindível” para as investigações neste momento.

Na decisão, o magistrado afirma que existem indícios consistentes de lavagem de capitais e organização criminosa envolvendo os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e João Revoredo Mendes Cabral Filho, mas conclui que medidas cautelares menos gravosas são suficientes.

 Haran Sampaio e Danilo Coelho - Foto: ReproduçãoHaran Sampaio e Danilo Coelho - Foto: Reprodução 

A decretação da prisão temporária revela-se, neste momento, prescindível para o andamento das investigações, escreveu o juiz.

Apesar de negar a prisão, o juiz determinou medidas cautelares:

  • Comparecimento obrigatório quando intimados

  • Proibição de sair da comarca sem autorização judicial

  • Proibição de comunicação entre os investigados

Além disso, autorizou buscas domiciliares, extração de dados de celulares e computadores, e o compartilhamento de provas para processos conexos.

O que o Draco e o MP defendiam 

O DRACO argumentou que o grupo seria responsável pela criação de um sistema empresarial de fachada, usado para ocultar bens e movimentar valores ilícitos no setor de combustíveis do Piauí, Maranhão e Tocantins.

O Ministério Público endossou integralmente o pedido de prisão. “Manifestou-se o Ministério Público [...] opinando pelo deferimento da cautelar em apreço.”

Mesmo assim, a prisão foi negada.

A operação

A operação Carbono Oculto 86 apurou que a Venda da Rede HD, em dezembro de 2023, à empresa Pima Energia, criada apenas seis dias antes da compra, serviu para mascarar a entrada de recursos do PCC na economia do Nordeste.

A decisão cita que a "PIMA Energia [...] foi constituída com capital incompatível com o volume econômico transacionado, indicando operação de blindagem patrimonial.”