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Contrato milionário

Prefeito de Picos,Pablo Santos,mantém contrato milionário com empresa alvo da PF

Contrato no valor de R$ 1.730.121,00 foi publicado uma semana antes da operação que desarticulou um mega esquema de desvio de recursos públicos.

Por Redação

13 de outubro de 2025 às 12:18 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • A Prefeitura de Picos-PI decidiu manter o contrato com a Big Data Health Ltda., mesmo após a empresa se tornar alvo da Operação OMNI da Polícia Federal.
  • A investigação acusa a empresa de fraudes em contratos de saúde, incluindo direcionamento, superfaturamento e conluio.
  • O contrato da prefeitura no valor de R$ 1.730.121,00 foi firmado uma semana antes da operação policial.
  • A decisão de manter o contrato expõe a prefeitura a riscos políticos e institucionais, além de possíveis responsabilidades por negligência ou improbidade.
  • A situação levanta questões sobre critérios de fiscalização, rescisão contratual e auditoria interna.
  • A população aguarda justificativas legais da prefeitura e garantias de fiscalização rigorosa para proteger o erário.
  • O custo reputacional para o município e seus gestores pode ser alto.

Pablo Santos, prefeito de Picos - Foto: Reprodução/Instagram
Pablo Santos, prefeito de Picos - Foto: Reprodução/Instagram

A decisão da Prefeitura de Picos-PI, administrada pelo prefeito Pablo Santos, de manter vigente o contrato milionário com a Big Data Health Ltda., empresa que é alvo da Operação OMNI da Polícia Federal, tem gerado questionamentos importantes e repercussão na esfera política e social. A investigação da Polícia Federal aponta indícios de que contratos na área de saúde, inclusive com fornecimento de softwares de gestão, teriam sido fraudados por meio de direcionamento, superfaturamento e conluio entre agentes públicos e particulares.

 Coligação de Pablo Santos alegou motivo inusitado para barrar pesquisa (Reprodução/Instagram)Coligação de Pablo Santos alegou motivo inusitado para barrar pesquisa (Reprodução/Instagram)   

Apesar de não ser alvo da PF, o contrato no valor de R$ 1.730.121,00 entre a prefeitura e a Big Data, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado do Piauí, foi publicado no dia 22 de setembro de 2025, exatamente uma semana antes da operação desarticulou o suposto esquema fraudulento.

Mesmo com os mandados de prisão temporária contra empresários ligados à Big Data Health, cumpridos em várias cidades, e com ordens judiciais que determinaram a suspensão de contratos e o bloqueio de recursos da empresa investigada, a prefeitura de Picos opta por manter o vínculo administrativo com investigada.

Ao sustentar esse contrato, o município assume risco político e institucional de preservar uma relação formal com uma organização cuja credibilidade está comprometida por suspeitas de crime e continuar exposto a críticas de omissão ou conivência. Essa escolha pode fazer com que gestores municipais respondam por negligência ou improbidade administrativa, especialmente se for comprovado que recursos públicos foram usados indevidamente.

A manutenção do contrato também levanta dúvidas sobre critérios de fiscalização, cláusulas de rescisão e mecanismo interno de auditoria no âmbito da prefeitura. Se não houver exigência explícita de suspensão automática diante de investigação criminal, cabe aos gestores adotar providências cautelares para resguardar o erário e evitar danos maiores.

A Prefeitura, silente sobre a situação perante a comunidade, encontra-se em uma estrada arriscada ao optar pela permanência do contrato.  A população aguarda a justificativa pela opção da continuidade com base legal e a demonstração do controle rigoroso da execução dos serviços e assegurar que não haverá prejuízo à administração pública.

Até que isso aconteça, o olhar da dúvida seguirá pairando e o custo reputacional pode ser alto, tanto para a máquina municipal quanto para os indivíduos que a conduzem.