No Centro do Poder

Coluna de Fernanda Duarte, jornalista e comentarista política. Mostra os bastidores do Congresso e do Planalto em Brasília.executivo, legislativo e judiciário federais.
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A anistia e o abismo na relação entre Câmara e Senado

Clima de desconfiança entre as duas casas ficou estremecida após o vexame da PEC da Blindagem.

Por Redação

29 de setembro de 2025 às 12:01 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • A semana no Congresso Nacional se concentra em acordos entre líderes partidários.
  • A agenda inclui a votação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
  • Este projeto é crucial para o governo, sendo uma promessa de campanha do presidente Lula.
  • A oposição planeja dificultar a aprovação se não houver acordo sobre o projeto da anistia.
  • Deputados ligados a Bolsonaro sugerem aumentar a isenção para R$ 10 mil, tornando a medida inviável.
  • Arthur Lira, relator do projeto, é visto como um negociador experiente para manter o equilíbrio.
  • O debate sobre a anistia, especialmente quanto às manifestações de 8 de janeiro, também está em pauta.
  • O governo quer barrar a redução de penas a envolvidos nessas manifestações.
  • O Senado, liderado por Davi Alcolumbre, é um fator crítico na aceitação do projeto de anistia.
  • Os acordos políticos precisam ser bem articulados para garantir avanços nas votações.

Davi e Hugo
Davi e Hugo

A semana no Congresso Nacional deve ser movimentada e voltada para os acordos entre os líderes partidários. A agenda prevê a votação do projeto da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil reais, o que vai servir de base para as negociações sobre o projeto da anistia, quem teve sua urgência aprovada pelos parlamentares.

Davi Alcolumbre e Hugo Motta - Foto: Lula Marques / Agência Brasil

A isenção do imposto de renda é o foco do governo, já que diz respeito a uma das principais promessas de campanha do presidente Lula. O chefe do executivo enfrenta, porém, as estratégias da oposição que planeja atrapalhar a aprovação do projeto caso não haja acordo em torno da anistia. 

Uma das táticas dos deputados ligados ao ex-presidente, Jair Bolsonaro, para dificultar a análise do projeto é aumentar a isenção para quem ganha até R$ 10 mil (o que tornaria a medida inviável para os cofres da União) ou definir o início da compensação para 2027, o que tiraria de Lula o cumprimento da promessa de campanha dentro do mandato. 

Vai caber ao relator, o deputado federal Arthur Lira (PP - AL), conduzir as conversas de forma a não prejudizar a votação do seu parecer. Porém, Lira tem jogo de cintura, sabe conversar e traz a experiência que ganhou como presidente da Câmara para fazer as melhores negociações e é nisso que o presidente Lula confia.

Aliado ao IR, o Congresso terá um outro desafio: alinhar o debate em torno do projeto da anistia. Mesmo com o otimismo do relator, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade - SP), que chegou a cogitar resolver todos os entraves em uma semana, a coisa não deve funcionar dessa forma. 

A base do governo já se prepara para tentar barrar a emenda que prevê uma redução do pena aos envolvidos nas manifestações de 8 de Janeiro, entre eles, de Jair Bolsonaro. Segundo do líder do PT, Lindbergh Farias (PT - RJ), a bancada defende que o presidente da Câmara, Hugo Motta, nem coloque o texto na pauta de votações. 

Além disso, os deputados ainda tem a preocupação de que o Senado reaja ao projeto da anistia da mesma forma que reagiu a PEC da Blindagem, enterrando o tema e desmoralizando as decisões da Câmara Federal. 

Davi Alcolumbre, pesidente do Senado, não pretende baixar a guarda para possíveis pressões e Hugo Motta sabe disso. 

Por isso, os acordos precisam ser muito bem "amarrados" e, tanto Paulinho quanto os deputados da oposição, terão que agir com a calma peculiar dos grandes estrategistas, cada vez mais extintos nas hostes do poder.