Coluna The Network
Por Redação
21 de outubro de 2025 às 11:25 ▪ Atualizado há 2 meses
Quando o Senado renova duas cadeiras por estado – como será em 2026 – cada eleitor brasileiro pode votar em dois candidatos diferentes. Os dois votos têm o mesmo peso, e o eleitor não pode repetir o mesmo número; se repetir, o segundo voto é anulado. Parece simples, mas esse desenho cria um pesadelo para quem mede opinião pública e explica por que “números” de hoje podem enganar muita gente amanhã. (Senado Federal)
Baixa saliência: em sondagens com muitos nomes, o entrevistado quase sempre declara com facilidade apenas o primeiro voto (sua preferência mais consolidada). Já o segundo voto costuma estar “em aberto” ou ser um nome lembrado no impulso — o que embaralha qualquer projeção de dupla vencedora. (valemfoco.com.br)
Combinações infinitas e canibalização: a pergunta correta não é “quem lidera?”, e sim “quais duplas cabem no mesmo eleitor?”. Candidatos que somam bem em primeiro lugar podem não somar entre si quando viram dupla na cabeça do eleitor. Modelar isso em amostras pequenas é difícil e amplifica erros de margem. Uma boa síntese do problema aparece em guias de interpretação de pesquisas: modo de coleta, ponderação e margens importam muito — e, nesse contexto, importam em dobro. (Senado Federal);
Voto estratégico de reta final: com duas vagas, cresce o “cálculo” de voto útil para fechar a dupla (ex.: “já defini um, quem tem mais chance de entrar com ele?”). Em 2022, especialistas já apontaram que o voto útil distorceu leituras de véspera — para o Senado com duas vagas, o efeito tende a ser mais forte. (Senado Federal)
2018 foi o último ciclo de duas vagas em todos os estados — e rendeu surpresas que ilustram os riscos de superconfiar em pesquisa:
Minas Gerais: Dilma Rousseff liderava as intenções de voto às vésperas, mas ficou fora das duas cadeiras. Eleitos: Rodrigo Pacheco e Carlos Viana. (Especiais);
Dilma Rousseff. Foto: Reprodução/Instagram Rio de Janeiro: as sondagens apontavam Flávio Bolsonaro e César Maia como favoritos. Nas urnas, a 2ª cadeira ficou com Arolde de Oliveira, que não aparecia como certo nas pesquisas finais. (Especiais)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Paraíba: pesquisas iniciais mostravam Cássio Cunha Lima bem posicionado. O resultado elegeu Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro. (Especiais)

Na época, veículos e analistas discutiram por que as pesquisas erraram: volatilidade de comportamento, desenho de questionário e métodos de campo foram citados entre as causas. Isso num cenário de uma vaga já é desafiador; com duas vagas simultâneas, a incerteza cresce. (Estado de Minas)
Se o instituto coleta dois nomes por entrevistado e como modela as duplas (não basta somar percentuais individuais). Alguns veículos já vêm destacando quando a metodologia permite marcar até dois nomes, um passo correto — mas ainda insuficiente se a análise não converte respostas em combinações de dupla viável. (CartaCapital)
Tamanho e desenho da amostra (telefone, presencial, online), margem de erro e ponderações — o básico que evita que ruído viabilize “duplas” fantasmas. (Senado Federal)
Discrepâncias entre institutos: divergências grandes em 2022 já acenderam o alerta sobre leituras apressadas. Trate números como tendência, não como previsão. (JOTA Jornalismo)
Pesquisas são úteis para mapear humores, não para cravar vencedores, especialmente no desenho plurinominal do Senado em anos de duas vagas.
A soma de segundo voto fluido, canibalização entre preferidos e voto útil de última hora torna a fotografia das pesquisas um retrato borrado.
Para quem acompanha a corrida, o mais honesto é encarar os números como cenários provisórios e exigir transparência metodológica — sobretudo sobre como o instituto trata a dupla de votos do mesmo eleitor. (SciELO)
Fontes principais
Regras oficiais (dois votos com mesmo peso; proibição de voto repetido): Agência Senado e TREs. (Senado Federal)
Por que pesquisas divergem/erram: Agência Brasil; audiência no Senado sobre erros de 2018 e 2022; coluna de metodologia. (Agência Brasil)
Casos 2018 (pesquisa x resultado): Datafolha/Gazeta do Povo (RJ e MG) e resultados oficiais/reportagens (RJ, MG, PB). (Especiais)
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