REGRAS
Por Redação
30 de outubro de 2025 às 17:39 ▪ Atualizado há 2 meses
Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu uma série de medidas para combater a letalidade policial durante operações da Polícia Militar em comunidades do Rio de Janeiro. As diretrizes foram estabelecidas no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, proposta em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Operação Contenção, considerada mais letal do Rio de Janeiro deixou mais de 120 pessoas mortas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil A decisão determinou regras mais rígidas para o uso da força em operações, exigindo câmeras corporais em agentes, protocolos de transparência, presença de ambulâncias em ações de risco e proibição de incursões próximas a escolas e hospitais, entre outras medidas.
Após o julgamento, o STF designou órgãos como a Defensoria Pública da União (DPU), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e entidades da sociedade civil para monitorar o cumprimento das determinações. Esses órgãos são responsáveis por fiscalizar se o governo do Rio está adotando as práticas exigidas para reduzir mortes e garantir maior controle das ações policiais.
A discussão sobre a ADPF das Favelas voltou ao centro do debate público nesta terça-feira (28), após a Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Militar e pelas Forças de Segurança do Rio de Janeiro. A ação, que ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital, deixou mais de 120 mortos em uma tentativa de conter o avanço territorial da facção Comando Vermelho (CV).
O governador Cláudio Castro (PL) voltou a criticar a decisão do STF, chamando a ADPF de “maldita”, e afirmou que as restrições impostas pela Corte “dificultam o combate ao crime organizado”.
Após a repercussão da operação, a Defensoria Pública da União, a Defensoria do Rio de Janeiro, o CNMP e o próprio Supremo Tribunal Federalpassaram a investigar se as balizas fixadas na ADPF 635 foram respeitadas durante a ação.
O ministro Alexandre de Moraes, relator temporário do processo, determinou que o governador Cláudio Castro preste esclarecimentos sobre a operação. Ele também marcou uma audiência pública para a próxima segunda-feira (03), no Rio de Janeiro, com o objetivo de discutir o cumprimento das medidas e avaliar a atuação das forças de segurança do estado.
Conforme a decisão do tribunal, o governo do Rio deverá seguir diversas regras nas operações, como o uso proporcional da força policial, câmeras nas viaturas, elaboração de um plano de reocupação de territórios invadidos pelas organizações criminosas, além da entrada da Polícia Federal nas investigações contra milícias e tráfico de drogas interestadual e internacional.
A audiência convocada por Moraes deverá reunir representantes do governo fluminense, da Polícia Militar, do Ministério Público, das defensorias e de entidades civis. O STF pretende avaliar se o Estado tem cumprido as obrigações impostas pela decisão e se as operações recentes violaram as diretrizes estabelecidas na ADPF 635. Enquanto isso, organizações de direitos humanos e familiares de vítimas cobram investigações independentes sobre as mortes e o uso da força na Operação Contenção.