Municípios

Mais de R$ 1,7 milhão

Promotor denuncia ex-prefeita de São Miguel da Baixa Grande por rombo milionário

De acordo com o MP, a ex-prefeita pagou combustível suficiente para percorrer mais de 70 voltas ao redor do planeta sem coprovação de consumo

Por Redação

24 de setembro de 2025 às 12:22 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • O Ministério Público do Piauí iniciou uma ação de improbidade administrativa contra a ex-prefeita Maria da Conceição Mendes Teixeira e a empresa Ribeiro e Silva Ltda.
  • Identificaram-se indícios de dano ao erário no valor de R$ 1.723.803,04 entre 2021 e 2022.
  • Foram realizados pagamentos elevados à fornecedora de combustíveis sem comprovação do recebimento ou uso dos produtos.
  • O valor gasto seria suficiente para mais de 70 voltas ao redor do planeta, algo incompatível com o tamanho do município.
  • Parte das despesas não foi acompanhada de notas fiscais, resultando em uma diferença de R$ 78 mil.
  • Gastos com combustíveis superaram os de obras e serviços urbanos no mesmo período.
  • Contrato inicial de R$ 775 mil foi elevado para quase R$ 969 mil, mas notas fiscais e pagamentos indicaram valores ainda maiores.
  • Não há comprovação de como, onde ou por quem o combustível foi usado, nem mesmo se foi efetivamente recebido.
  • O MP pediu a responsabilização e indisponibilidade de bens para assegurar o ressarcimento.

Ex-prefeita e Posto de Combustível
Ex-prefeita e Posto de Combustível

O Ministério Público do Estado do Piauí ingressou com Ação de Improbidade Administrativa contra a ex-prefeita de São Miguel da Baixa Grande, Maria da Conceição Mendes Teixeira, e a empresa Ribeiro e Silva Ltda (Posto Corujão), após identificar indícios de dano ao erário que somam R$ 1.723.803,04 entre janeiro de 2021 e agosto de 2022.

 Maria da Conceição Mendes Teixeira, ex-prefeita de São Miguel da Baixa GrandeMaria da Conceição Mendes Teixeira, ex-prefeita de São Miguel da Baixa Grande   

Segundo a investigação, em apenas 19 meses a gestão municipal realizou pagamentos milionários à empresa fornecedora de combustíveis sem comprovar o efetivo recebimento ou utilização do produto. O montante seria suficiente para percorrer mais de 70 voltas ao redor do planeta, número considerado incompatível com a realidade de um município de pouco mais de 2 mil habitantes.

O Ministério Público apontou ainda que parte das despesas foi quitada sem nota fiscal correspondente, gerando uma diferença de mais de R$ 78 mil entre o que foi pago pela Prefeitura e o que foi efetivamente registrado junto à Secretaria da Fazenda do Estado. A Promotoria destacou também que os gastos com combustíveis superaram as despesas do mesmo período com obras e serviços urbanos, considerados prioritários para a administração municipal.

 Posto de combustível também foi denunciado pelo Ministério PúblicoPosto de combustível também foi denunciado pelo Ministério Público   

As apurações revelaram que o contrato firmado por meio do Pregão Presencial nº 001/2021, no valor inicial de R$ 775 mil, recebeu um aditivo que elevou o montante para cerca de R$ 969 mil. No entanto, as notas fiscais emitidas chegaram a R$ 1,6 milhão, enquanto os pagamentos efetivamente realizados ultrapassaram R$ 1,7 milhão.

"Apesar de efetivamente pago tal montante pelos cofres públicos, à referida empresa, não se sabe onde foi gasto o combustível, como foi gasto ou por quem foi gasto. Aliás, sequer se sabe se a Prefeitura realmente recebeu tal combustível, apesar da emissão de notas fiscais pelo segundo aqui requerido", diz trecho da de núncia.

Diante do quadro, o MP sustenta que houve violação à Lei de Improbidade Administrativa e requereu, além da responsabilização da ex-gestora e da empresa, a decretação de indisponibilidade de bens dos envolvidos para assegurar o ressarcimento dos valores aos cofres públicos.