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Deepfake

Justiça marca audiência que pode cassar prefeito e vice de Caxias

Caso envolve a divulgação de um áudio manipulado por inteligência artificial, apresentado em comício nas vésperas do pleito.

Por Redação

20 de outubro de 2025 às 10:59 ▪ Atualizado há 2 meses


Gentil Neto e Eugênio Coutinho, prefeito e vice-prefeito de Caxias-MA
Gentil Neto e Eugênio Coutinho, prefeito e vice-prefeito de Caxias-MA

Foi marcada para o dia 30 de outubro de 2025, às 9h da manhã, a audiência da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que pode resultar na cassação do prefeito de Caxias, José Gentil Rosa Neto, e do vice-prefeito Eugênio de Sá Coutinho Filho. O processo também alcança o ex-prefeito Fábio Gentil, identificado como figura de influência nas decisões do grupo político que comanda o município.

 Gentil Neto e Fábio  Gentil, atual e ex-prefeito de Caxias, respectivamenteGentil Neto e Fábio Gentil, atual e ex-prefeito de Caxias, respectivamente   

A ação foi movida por Paulo Marinho Júnior, que acusa os representados de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante as eleições de 2024. O caso envolve a divulgação de um áudio manipulado por inteligência artificial, apresentado em comício nas vésperas do pleito, com o objetivo de atingir adversários e interferir no resultado eleitoral.

O episódio levou à atuação do Ministério Público Eleitoral e à realização de perícia técnica pela Polícia Federal. O laudo nº 059/2025, elaborado pela Superintendência Regional da PF no Piauí, identificou alta probabilidade de manipulação digital no áudio, ainda que parte do exame tenha sido prejudicada pela má qualidade do material analisado.

 Gentil Neto e Eugênio Coutinho, prefeito e vice-prefeito de Caxias-MAGentil Neto e Eugênio Coutinho, prefeito e vice-prefeito de Caxias-MA   

Com a audiência marcada, o processo entra em fase de oitivas de testemunhas. As declarações servirão para confirmar ou descartar o envolvimento direto dos investigados na criação e disseminação do conteúdo. Caso o juiz Rogério Monteles da Costa entenda que houve abuso de poder, a Justiça Eleitoral poderá casssar a chapa eleita e convocar novas eleições no município.

O julgamento ocorre em meio a um ambiente político de tensão, com o grupo governista tentando conter o desgaste provocado pelas investigações. A decisão judicial deve definir o futuro do comando político de Caxias e estabelecer um novo rumo para a gestão municipal.