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Deu no O Globo

Piauí recebeu R$ 82,3 milhões em "emendas paralelas" via Codevasf

As emendas “paralelas” funcionam como uma manobra que permite a deputados e senadores indicarem a aplicação de recursos do Orçamento

Por Redação

25 de setembro de 2025 às 14:47 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • O Piauí recebeu R$ 82,3 milhões em emendas de bancada "paralelas" para 2024, através da Codevasf.
  • Esse mecanismo movimentou R$ 2,9 bilhões em 2023, mesmo com restrições do STF.
  • Emendas "paralelas" permitem a indicação de uso de recursos com menor rastreabilidade que as tradicionais.
  • Apenas 20% (R$ 600 milhões) desses recursos tiveram destinação identificada.
  • Codevasf foi o maior receptor, com R$ 313,7 milhões, acima de ministérios como Defesa e Cidades.
  • Piauí foi o segundo estado mais beneficiado, após o Amapá.
  • Transparência Brasil criticou a prática por comprometer a transparência, comparando-a ao "orçamento secreto".
  • No Piauí, esses recursos são importantes para obras e aquisições de infraestrutura.
  • Há preocupações sobre a necessidade de mais controle e fiscalização devido à baixa rastreabilidade dessas verbas.

Codevasf-PI
Codevasf-PI

O Piauí foi contemplado com R$ 82,3 milhões em emendas de bancada “paralelas” em 2024, destinadas por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Os dados constam em relatório divulgado pela Transparência Brasil, que revelou o alcance do mecanismo, responsável por movimentar R$ 2,9 bilhões no ano passado, apesar de restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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As emendas “paralelas” funcionam como uma manobra que permite a deputados e senadores indicarem a aplicação de recursos do Orçamento de forma semelhante às emendas parlamentares tradicionais, mas com menor nível de rastreabilidade. Do total de R$ 2,9 bilhões, apenas R$ 600 milhões, ou 20%, tiveram a destinação final identificada. A Codevasf concentrou a maior parte dos repasses, recebendo R$ 313,7 milhões, superando inclusive ministérios como o da Defesa (R$ 109,6 milhões) e o das Cidades (R$ 25,4 milhões).

O levantamento mostra que o Piauí foi um dos estados mais beneficiados nesse esquema. Atrás apenas do Amapá, que recebeu R$ 92 milhões, o estado piauiense ficou à frente de unidades federativas como Ceará (R$ 61,2 milhões), Bahia (R$ 41,4 milhões) e Amazonas (R$ 35 milhões). Na prática, isso evidencia a força da Codevasf como canal preferencial para a aplicação desses recursos no Nordeste e a influência política dos parlamentares piauienses na destinação de verbas federais.

A Transparência Brasil alertou que essa prática repete expedientes já considerados inconstitucionais pelo STF por comprometerem a transparência. Em muitos casos, parlamentares encaminharam ofícios diretamente à Codevasf indicando associações comunitárias ou lideranças locais como destinatárias de equipamentos e bens adquiridos com as emendas, em um modelo semelhante ao chamado “orçamento secreto”.

No caso do Piauí, os R$ 82,3 milhões reforçam a dependência da Codevasf como agente central na execução de obras e aquisições bancadas por recursos federais, sobretudo em áreas de infraestrutura e desenvolvimento regional. O montante, porém, também reabre o debate sobre a necessidade de maior controle e fiscalização sobre a forma como essas verbas são aplicadas no estado, já que a baixa rastreabilidade pode dificultar a verificação de impactos concretos para a população.