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INVESTIGAÇÃO

Negociação sombria: repórter freelancer “compra” empresa milionária contratada pela Prefeitura de Parnaíba

Mudança repentina de titularidade chama a atenção de autoridades que devem investigar o caso.

Por Redação

13 de novembro de 2025 às 15:00 ▪ Atualizado há 2 meses


Negociação sombria: repórter freelancer “compra” empresa milionária contratada pela Prefeitura de Parnaíba - Foto: Reprodução
Negociação sombria: repórter freelancer “compra” empresa milionária contratada pela Prefeitura de Parnaíba - Foto: Reprodução

Uma sequência de documentos públicos revela movimentações suspeitas envolvendo contratos entre a Secretaria Municipal de Saúde de Parnaíba e uma empresa que mudou de titularidade de forma repentina, levantando sérias dúvidas sobre a origem dos recursos e a real propriedade do negócio.

 Negociação sombria: repórter freelancer “compra” empresa milionária contratada pela Prefeitura de Parnaíba - Foto: ReproduçãoNegociação sombria: repórter freelancer “compra” empresa milionária contratada pela Prefeitura de Parnaíba - Foto: Reprodução   

A empresa Singular Serviços em Saúde Ltda passou, de um dia para o outro, a ser representada por Antônio Carlos Mesquita da Silva, conhecido popularmente na cidade como “Sombra” ou “Mesquita”, que é repórter freelancer e correspondente informal da TV Meio Norte em Parnaíba e região litorânea.

O nome de Mesquita aparece no Termo de Apostilamento nº 01 ao Contrato nº 192/2025, publicado pela Prefeitura em 22 de outubro de 2025, substituindo José Nilson Porto Fernandes Júnior como responsável legal da empresa.

A transação, contudo, não tem coerência financeira nem lógica comercial. Mesquita não possui emprego fixo, atua apenas como freelancer de mídia local, não tem patrimônio declarado e não apresenta condições econômicas compatíveis com a compra de uma empresa com capital social de R$ 600 mil.

Diante disso, surgem perguntas inevitáveis:

  • Como foi feita essa compra? 
  • De onde veio o dinheiro? 
  • Há registro de pagamento bancário?
  • Ou trata-se de uma transferência de fachada, feita apenas para encobrir outros interesses?

O caso se torna ainda mais intrigante porque o antigo proprietário, Nilson Porto, venceu agora em outubro uma licitação para fornecimento de próteses dentárias à própria Prefeitura de Parnaíba, totalizando R$ 1.074.000,00 (um milhão e setenta e quatro mil reais), conforme registros do Mural de Licitações do TCE-PI.

Nilson Porto foi declarado vencedor com dois itens de prótese parcial mandibular removível, totalizando 6.000 unidades ao valor unitário de R$ 179,00, firmando contrato milionário na área odontológica.

Enquanto isso, a Singular Serviços em Saúde LTDA, já sob o comando formal do repórter Mesquita, continua firmando aditivos contratuais com a Secretaria de Saúde. O Termo Aditivo nº 03/2025, assinado em 24 de outubro de 2025, prorrogou o contrato por mais 60 dias, com valor de R$ 299.741,34.

Imagem anterior do prédio da SINGULAR

A empresa está sediada em um imóvel, na Avenida Senador Furtado, nº 293, bairro Nova Parnaíba.

Imagem atual prédio da SINGULAR, funcionando um CEO.

Além do aspecto econômico, o caso traz um componente político relevante.

Imagem interna do prédio da SINGULAR

Fontes locais afirmam que Antônio Mesquita, o “Sombra”, é homem de confiança do grupo político que comanda Parnaíba, sendo figura central nas estratégias de marketing e comunicação do prefeito Francisco Emanuel

Segundo relatos, ele é um dos que orientam o prefeito em como se portar, o que dizer e quando se pronunciar publicamente, e o acompanha em todas as entrevistas. 

Ainda conforme comentários amplamente disseminados na cidade, “Sombra” seria um dos  articuladores  por trás das ações de bastidores, ataques a críticos e autoridades, com o objetivo de intimidar e silenciar opositores,  donos de emissoras (há registros de prints do mesmo pedindo a emissoras para não conceder entrevistas a vereadores da oposição), tentando manter o controle da narrativa política local. 

Fontes afirmam também que ele é a figura que acertaria valores para pagamentos extras oficiais a veículos e jornalistas  para divulgar ações e criticar quem se opõe.

Esses elementos reforçam a necessidade de investigação por parte dos órgãos de controle e fiscalização, pois há fortes indícios de uso de “laranjas”, favorecimento em contratos públicos e possível ligação entre poder político, comunicação e negócios milionários na saúde pública.

O caso será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPE-PI), Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e Controladoria-Geral da União (CGU) para apuração de:

  • Simulação de transferência empresarial com ocultação de verdadeiros beneficiários;
  • Favorecimento contratual e direcionamento político;
  • Possível lavagem de dinheiro ou uso indevido de verbas públicas;
  • Conflito de interesses entre comunicação, política e contratos administrativos.


*O Lupa1 está disponível para ouvir os citados na reportagem.