INVESTIGAÇÃO
Por Redação
18 de novembro de 2025 às 15:01 ▪ Atualizado há 2 meses
Um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) apontou indícios de superfaturamento, direcionamento e risco de dano ao erário em um contrato de R$ 11 milhões firmado entre a Secretaria de Educação do Piauí (Seduc) e a empresa TRON Atividades de Apoio à Educação Ltda., contratada para implantar o programa de robótica educacional na rede pública estadual.
Entenda o caso da empresa de robótica ligada a Whindersson Nunes, alvo do TCE - Foto: Reprodução O caso foi revelado pelo jornalista José Ribas Neto e ganhou repercussão nacional no portal Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, em reportagem assinada por André Shalders.
A TRON é apresentada publicamente como ligada ao influenciador Whindersson Nunes, embora o artista não apareça no quadro societário registrado na Receita Federal. A própria empresa já o divulgou como sócio, e o influenciador declarou, em 2023, que “tinha” uma empresa de tecnologia educacional no Piauí. A defesa dele afirma que sua participação se limita ao papel de embaixador do método educacional desenvolvido pela matriz, sem atuação na gestão de contratos locais.

A auditoria do TCE-PI aponta possível superfaturamento de até R$ 2,9 milhões, após identificar que pagamentos referentes a 15 mil kits e materiais pedagógicos, no valor de R$ 2.915.550,00, teriam sido feitos sem comprovação de entrega. Inspeções em escolas e entrevistas com gestores informaram que os itens não chegaram aos alunos e que havia divergência entre o contratado e o efetivamente encaminhado.
Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) - Foto: Divulgação O relatório também identificou pagamentos antecipados de R$ 949,9 mil referentes à totalidade dos serviços de consultoria previstos no contrato, sem comprovação de execução e sem previsão contratual que autorizasse a antecipação. O TCE-PI classificou o procedimento como risco de dano ao erário.
Os auditores ainda verificaram fragilidades no estudo técnico preliminar usado para justificar a dispensa de licitação, pois segundo eles a descrição do objeto contratado teria sido fornecida pela própria TRON, o que, segundo o órgão, indica direcionamento da contratação.
Outro fato que chamou atenção dos auditores foi a empresa Tron não ter veículo e apresentar apenas três empregados no quadro de funcionários.
A área técnica do tribunal sugere a responsabilização do secretário de Educação, Washington Bandeira, de uma superintendente da pasta, de dois fiscais do contrato e da própria TRON, representada por Duana Souza Cunha.
A defesa do influenciador afirma que ele não possui ingerência administrativa nem acesso a informações sobre o contrato da filial piauiense, ressaltando que sua atuação ocorre no modelo “media for equity”, no qual sua imagem é cedida em troca de participação na matriz.
Whindersson Nunes - Foto: Redes sociais A Secretaria de Educação informou que ainda não foi notificada oficialmente pelo tribunal, mas que prestará todos os esclarecimentos necessários. A pasta afirma que todas as contratações seguem a legislação pública e que o programa de robótica está em execução, com formações docentes, distribuição de materiais e desenvolvimento de projetos pedagógicos.
O Ministério Público do Piauí acompanha o caso. A notícia de fato foi distribuída à 36ª Promotoria de Justiça, que, no dia 12, determinou a realização de diligências iniciais para apurar os elementos apresentados.
“A Secretaria de Estado da Educação do Piauí (SEDUC/PI) informa que ainda não foi notificada oficialmente acerca do conteúdo do relatório mencionado. Assim que houver comunicação formal, todos os esclarecimentos, documentos e informações técnicas serão encaminhados diretamente ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE/PI), ocasião na qual cada ponto será analisado de forma minuciosa e fundamentada, como exige o devido processo de controle externo.
De forma preliminar, a SEDUC/PI esclarece que todas as contratações do órgão são realizadas em estrita observância à legislação aplicável, aos princípios da administração pública e ao atendimento do interesse público, desde a fase de planejamento até a execução contratual.
Por fim, a Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a boa gestão pública e permanece à disposição para prestar esclarecimentos, reiterando que todos os detalhes serão apresentados de maneira ampla, aprofundada e técnica na manifestação a ser apresentada perante o TCE/PI, no momento processual adequado”.
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