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"TRON Atividades"

Contrato da firma de Whindersson com o governo do PI volta a repercutir após relatório do TCE

Segundo a imprensa nacional, o relatório aponta risco de dano ao erário, pagamentos antecipados e possíveis irregularidades na contratação de R$ 11 milhões.

Por Redação

17 de novembro de 2025 às 22:39 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • A empresa TRON, associada a Whindersson Nunes, foi contratada pela Secretaria de Educação do Piauí por R$ 11 milhões sem licitação, o que gerou controvérsia.
  • O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) identificou risco de dano ao erário de R$ 949,9 mil e possível superfaturamento de até R$ 2,9 milhões.
  • Foram feitos pagamentos antecipados de R$ 949,9 mil antes da entrega dos serviços, sem previsão contratual.
  • Não há registros de garantias, cronograma financeiro ou comprovação de serviços prestados.
  • Whindersson Nunes é apresentado como "sócio" da TRON, mas sua defesa alega que ele é apenas embaixador e não acompanha a execução do contrato.
  • O TCE-PI identificou oito irregularidades graves, incluindo falta de estudo técnico adequado e execução financeira sem prova de serviços prestados.

Whindersson Nunes - Foto: Divulgação/ Redes Sociais
Whindersson Nunes - Foto: Divulgação/ Redes Sociais

O caso envolvendo a contratação da empresa TRON Atividades de Apoio à Educação LTDA - ligada ao influenciador Whindersson Nunes- pela Secretaria de Educação do Piauí voltou a ganhar grande repercussão, após veículos da imprensa destacarem um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). O documento aponta risco de dano ao erário de R$ 949,9 mil, suspeita de direcionamento da contratação e possível superfaturamento de até R$ 2,9 milhões.

 Whindersson Nunes - Foto: Divulgação/ Redes SociaisWhindersson Nunes - Foto: Divulgação/ Redes Sociais 

Segundo o relatório, a empresa foi contratada por R$ 11 milhões por dispensa de licitação — modalidade permitida quando há apenas um fornecedor apto a executar o serviço. No entanto, os auditores encontraram indícios de direcionamento da contratação e até superfaturamento estimado em R$ 2,9 milhões.

Conforme o portal Metrópoles, um dos pontos mais críticos levantados pelo TCE-PI é a realização de pagamentos antecipados que somam R$ 949,9 mil, valor que corresponde à totalidade dos serviços de consultoria previstos. Esses pagamentos teriam sido feitos antes da execução dos serviços e sem qualquer previsão contratual que os autorizasse.

O Tribunal alerta que não há registro de garantias, cronograma físico-financeiro ou comprovação de entrega parcial dos serviços, fatores que, segundo os auditores, configuram risco expressivo de dano ao erário.

Embora o relatório não cite Whindersson Nunes diretamente, já que o nome dele não aparece no quadro societário da empresa junto à Receita Federal, a figura do influenciador voltou ao centro da discussão. Isso porque a própria TRON o apresenta em materiais institucionais como “sócio”, e ele mesmo já declarou publicamente ter “uma empresa no Piauí”, referindo-se à empresa de robótica.

Influenciador seria apenas embaixador da marca

Após a primeira revelação do caso, a defesa de Whindersson afirmou que ele não acompanha a execução do contrato e que sua participação está restrita à matriz da TRON, e não à filial que firmou o acordo com o Estado. Segundo os advogados, o influenciador atuaria em um modelo do tipo “media for equity”, trocando divulgação por participação na empresa.

Oito irregularidades

A auditoria do TCE lista ao menos oito irregularidades consideradas graves, tanto na fase preparatória da parceria quanto na execução do contrato. Entre elas estão possíveis falhas no estudo técnico, ausência de comprovação de exclusividade para a dispensa de licitação e execução financeira sem comprovação de serviços.