CENA CHOCANTE
Por Luiz Brandão
15 de julho de 2026 às 00:21 ▪ Atualizado há 1 hora
Um vídeo enviado ao portal Piauí Hoje, feito por moradores da rua Tibiriçá, no bairro Cristo Rei, zona sul de Teresina, mostra uma cena que choca pela negligência com a vida de um trabalhador. O flagrante foi feito na tarde desta terça-feira (14/07), quando um homem a serviço da Águas de Teresina foi filmado mergulhando repetidas vezes em um buraco cheio de lama e água para estancar um vazamento na rede.
A cena gravada no sol a pino é estarrecedora: o trabalhador, sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI), literalmente submergia no esgoto, enquanto um colega observava. Ele repetiu o mergulho na lama barrenta por várias vezes.
A imagem é um retrato brutal do descaso com a segurança do trabalhador. A lama urbana, especialmente em áreas residenciais, não é apenas sujeira: é um coquetel tóxico de vírus, bactérias, parasitas e produtos químicos. Especialistas comparam a lama a uma "esponja" que retém tudo o que é descartado incorretamente. Mergulhar nela é um ato de extrema imprudência.
O perigo invisível na lama
A exposição direta e sem proteção a esse ambiente coloca o trabalhador em risco imediato de contrair doenças graves e potencialmente fatais. O contato com a pele, mucosas ou, em caso de ingestão acidental, pode ser o gatilho para uma série de infecções.
Riscos imediatos à saúde
· Leptospirose: A principal ameaça em cenários de alagamento e lama. A transmissão ocorre pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de ratos infectados. A bactéria penetra na pele, mesmo sem ferimentos aparentes, e pode evoluir para quadros graves de insuficiência renal e hepática, podendo levar à morte.
· Gastroenterite Aguda: Causada pela ingestão acidental de água com coliformes fecais, presentes em abundância no esgoto, provocando diarreia severa, vômitos, desidratação e fortes cólicas.
· Hepatite A: Vírus altamente contagioso presente em dejetos humanos que ataca o fígado. Os sintomas incluem fadiga extrema, icterícia (pele e olhos amarelados) e urina escura.
· Infecções de Pele: Bactérias como Staphylococcus e Streptococcus entram por pequenos cortes ou arranhões, comuns em serviços manuais. Isso pode causar micoses, dermatites, abscessos graves e até celulite infecciosa, que pode se espalhar pelo corpo.
· Verminoses e Parasitas: Ovos de lombriga (Ascaris) e Giardia sobrevivem na lama por meses e podem colonizar o intestino humano após o contato, causando problemas nutricionais e intestinais.

Os infectologistas alertam que a doença também pode ser contraída "pela mucosa e pele íntegra quando imersa por muito tempo em água ou lama contaminada". Ou seja, o simples fato de o trabalhador permanecer submerso naquele ambiente já configura um cenário de alto risco.
A responsabilidade da empresa
A situação levanta uma questão crucial: será que o trabalhador foi orientado a realizar uma tarefa tão perigosa sem os equipamentos de proteção adequados? Se a Águas de Teresina ou a empresa terceirizada responsável "orienta" ou “aconselha” um funcionário a agir dessa forma, ela está cometendo uma infração trabalhista gravíssima.
A legislação brasileira é clara quanto à obrigação do empregador de fornecer EPIs e treinamento adequado para atividades de risco. A exposição a agentes biológicos (como vírus e bactérias) e a situações insalubres sem a devida proteção configura negligência. As penalidades para a empresa podem ser severas e incluem:
· Multas pesadas do Ministério do Trabalho e Emprego.
· Ações judiciais trabalhistas: com pagamento de adicionais de insalubridade e periculosidade retroativos.
· Indenizações por danos morais: ao trabalhador exposto a situação vexatória e de risco.
· Processos criminais: Em caso de acidentes graves ou desenvolvimento de doenças ocupacionais, os responsáveis podem responder criminalmente.
Alerta
O episódio no bairro Cristo Rei é um alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa e respeito à vida do trabalhador. Colocar um funcionário para "mergulhar" na lama, sem nenhuma proteção, não é apenas um erro operacional; é um atentado contra a saúde e a dignidade humana.
As autoridades competentes, como o Ministério Público do Trabalho e a Vigilância Sanitária, devem investigar o caso para apurar responsabilidades e garantir que situações como essa não se repitam.
Versão da empresa
Como o vídeo chegou ao portal depois das 21 horas, o Piauí Hoje não conseguiu falar com a assessoria da Águas de Teresina porque o expediente na empresa é até às 18 horas. Mas o mesmo espaço para a versão da Águas de Teresina está garantido.
Veja o vídeo
Fonte: Moradores do Cristo Rei
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