Coluna Mulher Mais

SUPERAÇÃO PELA ARTE

Jovem encontra na arte o caminho para vencer depressão e inspirar vidas

Em entrevista ao podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, Maria Cecília relembrou a internação por depressão grave e contou como a pintura se tornou uma forma de cura

Natalia Costa

14 de julho de 2026 às 13:56 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • **Superação da Depressão:** Maria Cecília encontrou na arte um refúgio para enfrentar e superar a depressão, especialmente durante sua internação em um hospital psiquiátrico.
  • **Expressão Pessoal:** A arte permitiu que ela expressasse sentimentos que não conseguia verbalizar, funcionando como uma forma de liberdade e alívio.
  • **Homenagem aos Ancestrais:** Sua obra é voltada para homenagear a cultura afro-brasileira e sua ancestralidade, especialmente destacando a força das mulheres negras.
  • **Influência de Salvador:** A decisão de se dedicar exclusivamente à arte se consolidou após uma viagem inspiradora a Salvador, onde se conectou profundamente com temas culturais afro-brasileiros.
  • **Integração com IA:** Maria Cecília vê a Inteligência Artificial como uma ferramenta de apoio na arte, não uma substituta da criatividade humana.
  • **Obra Marcante:** Entre suas obras, destaca-se uma pintura de Iemanjá e Oxum, que simboliza força e ancestralidade feminina.
  • **Planos Futuros:** Ela pretende abrir um ateliê para ensinar arte e expandir seu trabalho.
  • **Mensagens de Esperança:** Encoraja outros a não desistirem de viver da arte, destacando seu poder de transformação e cura.

Piauí Hoje Artista plástica Maria Cecília
Artista plástica Maria Cecília

A arte foi muito mais do que uma profissão para a artista plástica Maria Cecília. Ela se tornou um refúgio, uma forma de expressar sentimentos e, principalmente, um instrumento para vencer a depressão. Em entrevista ao podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, a artista revelou que enfrentou um quadro grave da doença, precisou ser internada em um hospital psiquiátrico e encontrou no desenho a força necessária para continuar.

Embora pinte desde a infância, Maria Cecília contou que sua relação com a arte ganhou um novo significado entre o fim de 2023 e o início de 2024, quando enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua vida.

"Eu tive uma depressão muito funda e acabei ficando internada por muito tempo em hospitais psiquiátricos. Lá, a forma que eu mais encontrava era pintar. Eu chegava nos enfermeiros, nos médicos, e falava: 'Vocês têm pelo menos um papel, um giz de cera para eu pintar? Porque eu não estou aguentando mais ficar trancada dentro desse quarto'."

A artista contou que produziu diversos desenhos durante a internação e que parte deles permanece no hospital até hoje.

"Se vocês forem lá no hospital da Primavera, na ala psiquiátrica, vocês vão encontrar vários desenhos meus. Vários. Eu deixei marcado lá."

Segundo Maria Cecília, desenhar era uma forma de colocar para fora sentimentos que não conseguia expressar em palavras.

"Era uma sensação de liberdade, de ser quem eu realmente sou. Era uma forma de gritar. Eu nunca fui muito de falar, eu fui mais de pintar. Quando eu pintava, conseguia demonstrar o que estava sentindo."

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Artista plástica Maria Cecília | Foto: Piauí Hoje
Arte como homenagem à ancestralidade negra

Além da história de superação, a artista plástica explicou que suas obras têm uma identidade muito bem definida: homenagear a ancestralidade e a cultura afro-brasileira.

Praticante da Umbanda, ela contou que encontrou na pintura uma maneira de demonstrar respeito aos seus ancestrais e à religião de matriz africana.

"Depois que eu entrei para a religião, sempre quis uma forma de demonstrar o amor que eu sinto por ela. A forma de homenagear meus ancestrais foi através da arte."

Em suas telas, predominam mulheres negras em posições de destaque, exaltando força, beleza e identidade.

"Todas as minhas obras mostram a mulher negra sempre no topo, em uma posição de destaque."

Para criar seus quadros, a artista utiliza fotografias de pessoas comuns como referência, buscando retratar expressões e histórias reais.

Salvador mudou sua trajetória

Apesar de pintar desde criança, Maria Cecília afirmou que a decisão de viver exclusivamente da arte surgiu durante uma viagem a Salvador (BA).

Ela contou que, ao visitar galerias no Pelourinho e entrar em contato com obras que retratavam pessoas negras e elementos das religiões de matriz africana, percebeu que havia encontrado o caminho que desejava seguir.

"Foi ali que eu decidi que ia trabalhar com isso, dessa forma e com essa identidade."

A artista considera que as encomendas produzidas durante essa viagem foram o verdadeiro divisor de águas de sua carreira.

Inteligência Artificial deve ser aliada, não substituta

Durante a entrevista, Maria Cecília também comentou sobre o avanço da Inteligência Artificial na produção artística. Para ela, a tecnologia pode ser uma ferramenta de apoio, mas jamais substituirá a criatividade humana.

"O que eu estava vendo era que os artistas estavam com medo da IA nos substituir. Mas acho que devemos ser aliados a ela. Não pedir para ela fazer a obra, mas sugerir caminhos, cores e ideias. A IA nunca vai nos substituir."

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Cientista política Ozeli Santos, artista plástica Maria Cecília e jornalista Natalia Costa | Foto: Piauí Hoje
A obra mais marcante

Entre todas as pinturas produzidas, a artista plática revelou que a mais importante retratava Iemanjá e Oxum. Embora já tenha sido vendida, ela diz guardar um carinho especial pela tela.

"É um quadro que mostra extremamente a força das mulheres e da ancestralidade negra. Quando eu pintei, fiquei com tanta dó de vender, porque coloquei todas as energias positivas que eu tinha nele."
Sonho é abrir um ateliê

Para o futuro, Maria Cecília pretende ampliar seu trabalho, abrir um ateliê e compartilhar conhecimento com outras pessoas.

"O que eu mais quero atualmente é montar meu ateliê e começar a dar cursos. Tenho uma vontade enorme de ensinar as pessoas e levar minha arte mais além."

Ao final da entrevista, a artista deixou uma mensagem para quem sonha em viver da arte.

"Não desistam. Eu sei que hoje é difícil trabalhar com arte devido ao lugar onde estamos, mas a arte é muito importante. Ela não pode se perder. Acho que a arte pode salvar muitas vidas."

A trajetória de Maria Cecília mostra que, para além das cores e pincéis, a arte também pode ser um instrumento de cura, resistência e transformação, capaz de preservar histórias, fortalecer identidades e oferecer esperança mesmo nos momentos mais difíceis.

Assista a entrevista completa:

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Natália Costa é jornalista pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Profissional multimídia premiada com experiência na TV Band, Rádio Clube News e Rádio UFPI, Portal Piauí Hoje e assessoria de imprensa do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). Vencedora de três prêmios de jornalismo universitário (Sebrae e TJ-PI). Possui capacidade de apuração e produção de conteúdo digital. Apaixonada por contar histórias e transformar informações complexas em notícias acessíveis.