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"Uma mãe pode nascer em vários momentos", diz psicanalista Milena Albuquerque

Psicanalista falou ao podcast Mulher Mais sobre maternidade real, culpa materna, puerpério e a construção do vínculo entre mãe e filho

Natalia Costa

03 de junho de 2026 às 12:28 ▪ Atualizado há 5 horas


Filósofa e psicanalista Milena Albuquerque | Foto: Piauí Hoje
Filósofa e psicanalista Milena Albuquerque | Foto: Piauí Hoje

A maternidade vai muito além do nascimento de um bebê. Ela pode surgir em diferentes momentos da vida e assumir múltiplas formas. Essa foi uma das reflexões compartilhadas pela filósofa e psicanalista Milena Albuquerque durante entrevista concedida ao podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, apresentado por Natalia Costa e Ozeli Santos.

Mãe de primeira viagem, a psicanalista participou do programa na quinta-feira (28) e falou sobre os desafios, descobertas e transformações provocados pela chegada do filho Venício, hoje com três meses de idade.

A psicanalista destacou que a maternidade é uma experiência singular e que não começa necessariamente com o parto.

Uma mãe pode nascer em vários momentos. Inclusive a cada novidade que a maternidade traz e que convida a gente a mudanças de postura, mudanças de hábitos. Eu imagino que ainda vai nascer muito dessa maternidade ao longo dos anos.

Ela revelou que o desejo de maternar surgiu antes mesmo da gravidez atual, após vivenciar uma perda gestacional.

"Quando eu tive a primeira experiência de aborto antes de ser mãe, ali já nasceu algo, um desejo de maternar que me trouxe a esse lugar hoje", afirmou

Filósofa e psicanalista Milena Albuquerque e apresentadoras Natalia Costa e Ozeli Santos | Foto: Piauí Hoje

A maternidade além da idealização

A filósofa abordou a diferença entre a maternidade imaginada e a realidade vivida diariamente pelas mães. Segundo ela, muitas mulheres constroem expectativas sobre a maternidade que acabam sendo confrontadas pela experiência concreta.

Uma coisa é a mãe na fantasia, é a mãe que você acha que vai ser. Outra coisa é a maternidade exercida no dia a dia. A gente sempre se frustra em muitas coisas e também descobre muita coisa nova.

A psicanalista alertou que as mães da atualidade convivem com um excesso de informações e cobranças. "Hoje a gente vive uma maternidade muito carregada de informações. Diferente de algumas gerações atrás, que careciam de informação, a gente já sofre do excesso", disse.

O puerpério e a transformação da mulher

A psicanalista também compartilhou sua experiência durante o puerpério, período marcado por intensas mudanças físicas e emocionais após o nascimento do bebê.

Ela relatou que a fase trouxe reflexões profundas sobre responsabilidade, autonomia e proteção.

"Você está lidando com um corpo que nem é mais o de antes. É uma experiência muito transformadora. Eu não sou mais a mesma pessoa", refletiu.

Ela destacou ainda que a maternidade exige constantes adaptações ao crescimento dos filhos. "A gente vai sendo convidada o tempo todo a lidar com uma nova forma de maternar aquela mesma criança", afirmou.

A comunicação entre mãe e bebê

A psicanalista Milena Albuquerque falou sobre a conexão construída com o filho nos primeiros meses de vida. Segundo ela, mesmo sem palavras, os bebês se comunicam o tempo todo.

Não é porque ele não sabe falar que não existe uma comunicação. Desde a barriga ele já está se comunicando.

A psicanalista contou que aprendeu a reconhecer diferentes necessidades do filho observando seus comportamentos e choros. "Se você está atenta ao seu bebê, você consegue ir lidando. Tem uma comunicação ali bem real", disse.

Milena também fez um alerta sobre o uso excessivo de telas durante os momentos de cuidado com as crianças. "Tá com o neném? Deixa o celular de lado. Porque distrai e você acaba perdendo algo desse vínculo", orientou.

Uma mensagem para o filho no futuro

Um dos momentos mais emocionantes da entrevista, a psicanalista foi convidada a deixar uma mensagem para o filho Venício assistir quando estiver aos dez anos de idade.

Com a voz embargada pela emoção, ela falou sobre amor, dedicação e imperfeições.

Eu quero que ele saiba que eu posso ter errado. Eu espero ter errado, porque o amor também precisa ser capaz de suportar os erros, as desavenças e as diferenças. Hoje, que ele ainda não consegue falar e dizer o que quer, eu tento me comunicar com ele através do amor e dos meus melhores sentimentos.

Milena reforçou a importância de reconhecer que existem diferentes formas de exercer a maternidade. "Você vai ser mãe a cada amanhecer que faz esse pacto de cuidar daquela criatura. Não existe uma padronização. Existem maternidades", afirmou.

A entrevista completa está disponível no podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, no YouTube.



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