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SAÚDE PÚBLICA

Dengue cresce no Piauí com 11 mortos e 14,5 mil casos em seis meses

Mulheres são as mais afetadas pela doença no estado, enquanto a região Meio-Norte concentra o maior número de casos; especialistas reforçam prevenção e atendimento precoce para evitar casos graves

Natalia Costa

14 de julho de 2026 às 13:14 ▪ Atualizado há 16 minutos

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  • O Piauí registrou 11 mortes confirmadas por dengue e 14.501 casos prováveis em 2026.
  • 8.427 casos foram confirmados, com 26 evoluindo para dengue grave.
  • Um óbito ainda está em investigação.
  • Mulheres e a região Meio-Norte têm maior número de casos.
  • Fatores como temperatura, chuvas e urbanização contribuem para a circulação do mosquito.
  • As autoridades destacam a importância do tratamento imediato dos sintomas.
  • Os sintomas da dengue são febre, dor de cabeça, dores musculares, entre outros.
  • A prevenção inclui evitar água parada, vedar reservatórios e usar telas.
  • O tratamento é baseado em hidratação e acompanhamento médico.
  • A vacinação padrão com Qdenga continua, mas a vacina do Instituto Butantan foi suspensa temporariamente.

Divulgação Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da dengue
Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da dengue

O Piauí já contabiliza 11 mortes confirmadas por dengue, 14.501 casos prováveis da doença e 8.427 casos confirmados em 2026, segundo dados epidemiológicos da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) desta segunda-feira (13). Até agora 26 pacientes evoluíram para dengue grave e um óbito segue em investigação.

Apesar da redução no número de novos registros nas últimas semanas, a Sesapi mantém o alerta pa26ra a população, principalmente porque o estado continua enfrentando um cenário preocupante da doença.

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Quantidade de casos de dengue no Piauí | Foto: Sesapi

De acordo com dados da Sesapi, as mulheres representam o grupo com maior número de casos registrados no estado. Além disso, a região Meio-Norte do Piauí concentra a maior quantidade de notificações, reforçando a necessidade de intensificar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e de conscientização da população.

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Casos de dengue entre gêneros e regiões do Piauí | Foto: Sesapi

Embora a dengue apresente maior sazonalidade no Brasil entre outubro e maio, especialistas alertam que fatores como altas temperaturas, chuvas irregulares, urbanização acelerada e deficiência no saneamento básico contribuem para a manutenção da circulação do mosquito durante outros períodos do ano, favorecendo o surgimento de novos casos.

O supervisor de Entomologia da Sesapi, Ocimar de Alencar, afirmou que o estado acompanha diariamente a evolução da doença e tem observado uma redução gradual no número de novos registros.

"A Secretaria Estadual de Saúde monitora diariamente esses casos, acompanha, dá suporte aos municípios através das regionais de saúde com ação suplementar, com orientação de bloqueio de casos e, com base nisso, a gente tem observado da semana epidemiológica de número 22 para cá, uma queda no número de casos semana a semana. A gente continua com as ações, acompanhando, orientando, intensificando essas ações. Além disso, também estamos em curso na pesquisa entomológica, onde a gente vai verificar quais municípios possam estar apresentando maior número de larvas, para que a gente também oriente e direcione as ações no controle do Aedes aegypti, consequentemente no controle do número de casos de dengue."

Segundo o supervisor o estado já registra 11 mortos por dengue, cada óbito em municípios diferentes.

"Com relação aos óbitos, nós temos já registrado 11 óbitos no estado do Piauí, um óbito em cada município. Esses 11 óbitos estão em municípios diferentes. Infelizmente é uma perda de uma vida que a gente não deseja."

Ele também reforçou a importância da procura imediata por atendimento médico diante dos primeiros sintomas.

"Como a gente tem observado a redução do número de casos, isso em consequência do controle do vetor do Aedes aegypti, a gente reforça que as pessoas que se sintam doentes, incomodadas, procurem imediatamente o posto de saúde e ajuda médica para sanar esse problema de saúde e não deixar que a situação se agrave e possa complicar a situação da saúde."

Quais são os sintomas da dengue?

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Os sintomas costumam surgir de forma repentina e incluem:

  • febre alta;
  • dor de cabeça;
  • dor atrás dos olhos;
  • dores musculares e nas articulações;
  • manchas vermelhas pelo corpo;
  • cansaço intenso;
  • enjoo e mal-estar.

Entretanto, alguns sinais indicam agravamento da doença e exigem atendimento médico imediato. Entre eles estão:

  • dor abdominal intensa;
  • vômitos persistentes;
  • tontura ou sensação de desmaio;
  • dificuldade para respirar;
  • sangramentos pelo nariz, gengivas ou nas fezes;
  • irritabilidade ou sonolência excessiva.

Embora todas as pessoas possam contrair dengue, idosos, gestantes, crianças pequenas, lactantes e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Tratamento é baseado na hidratação

Ainda não existe um medicamento específico para eliminar o vírus da dengue. O tratamento consiste principalmente em repouso, ingestão abundante de líquidos e acompanhamento médico.

A orientação das autoridades de saúde é evitar a automedicação, especialmente medicamentos à base de ácido acetilsalicílico ou anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de hemorragias.

Caso surjam sinais de agravamento, o paciente deve procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Como prevenir a dengue

O Ministério da Saúde paralisou temporariamente a vacinação contra a dengue, de maneira preventiva, com o imunizante do Instituto Butantan. O motivo são 42 casos de reações adversas severas. A vacinação padrão para crianças e adolescentes pelo SUS (utilizando o imunizante japonês Qdenga, da farmacêutica Takeda) continua mantida normalmente.

Para prevenir a doença as recomendações incluem:

  • eliminar recipientes que acumulem água parada;
  • manter caixas d'água e reservatórios bem vedados;
  • limpar calhas, ralos e lajes;
  • utilizar telas de proteção e repelente em áreas de maior circulação do mosquito;
  • colaborar com as ações de fiscalização e combate realizadas pelos agentes de saúde.

As autoridades reforçam que a prevenção deve ocorrer durante todo o ano, já que reduzir os criadouros do Aedes aegypti antes dos períodos de maior transmissão é a forma mais eficaz de evitar novos surtos e diminuir o número de casos e mortes pela doença no Piauí.