25 DE ABRIL
Gilson Rocha
25 de abril de 2026 às 09:50 ▪ Atualizado há 2 horas
Falar de traição costuma remeter a dor, decepção e histórias difíceis de esquecer. Ainda assim, o tema acabou ganhando um espaço curioso no imaginário popular brasileiro: o chamado “Dia do Corno”, lembrado neste 25 de abril. A data, apesar de não oficial, viralizou nas redes sociais e virou até motivo de brincadeira — e, claro, de muita música.
A origem dessa “celebração” é antiga e pouco conhecida. Ela estaria ligada ao Dia de São Marcos, quando, em procissões na Europa entre os séculos 17 e 18, homens casados eram simbolicamente coroados com objetos que incluíam chifres. O gesto, inicialmente religioso, acabou sendo reinterpretado de forma irônica ao longo do tempo, principalmente no Brasil, onde o humor popular transformou a tradição em meme.

Se na vida real a traição machuca, na música ela vira combustível criativo. No Brasil, um dos maiores exemplos é Naiara Azevedo com o hit 50 Reais, gravado com Maiara & Maraísa. A canção nasceu de uma experiência pessoal da cantora, que flagrou uma traição e transformou o episódio em um dos maiores sucessos do sertanejo recente.

Outro nome inevitável é Marília Mendonça, que eternizou histórias de desilusão amorosa em músicas como Infiel. A faixa virou praticamente um hino para quem já passou por situações semelhantes, reforçando como o tema dialoga com o público. O pagodeiro Belo anunciou o fim do casamento com Gracyanne Barbosa e declarou ter sido alvo de diversas traições ao longo da relação.

No cenário internacional, a colombiana Shakira expôs sua separação de Gerard Piqué em BZRP Music Sessions Vol. 53, alcançando o topo das paradas globais. Já Beyoncé abordou traição de forma intensa em Sorry, faixa do álbum Lemonade, transformando dor em arte.

A história de desilusão também aparece em Cry Me a River, de Justin Timberlake, inspirada no fim de seu relacionamento com Britney Spears. A música virou um clássico sobre mágoa e superação após rumores de traição.
No Brasil, o tema ainda ganha contornos mais populares e bem-humorados. Latino brincou com a infidelidade em seus sucessos, enquanto Reginaldo Rossi transformou a dor em poesia de bar. Já Joelma levou sua própria vivência para a música Não Teve Amor, após o fim conturbado com Ximbinha.

O cantor Latino também entrou na onda da sofrência ao narrar, com bom humor, a decepção amorosa envolvendo uma “ingrata” Renata. Já Reginaldo Rossi eternizou a dor da traição em conversas regadas a bebida, desabafando com o garçom em um clássico cenário de bar. Por sua vez, Joelma levou para os palcos uma história marcada por um relacionamento extraconjugal com Ximbinha, retratada na música Não Teve Amor, que reforça a ideia de superação após o fim de uma relação conturbada.

Falcão e a sátira da traição na música popular
O cantor e humorista cearense Falcão, nome artístico de Marcondes Falcão Maia, construiu sua carreira explorando com irreverência o tema da traição amorosa. Com uma identidade marcante, ele transformou o universo da “cornagem” em um dos pilares de sua obra, sempre combinando humor escrachado e crítica social.

Ao longo dos anos, o artista consolidou um repertório voltado para esse universo, com canções que abordam o assunto de forma leve e bem-humorada. Entre os destaques estão Vida de Corno, do álbum 500 Anos de Chifre - O Brega do Brega, lançado em 1999, e Só é Corno Quem Quer, presente em Bonito, Lindo e Joiado, seu primeiro disco, de 1992.
A estética brega é uma das marcas registradas de Falcão, que se especializou em reinterpretar sucessos do gênero com um toque de sátira. Em suas versões, o “chifre” deixa de ser apenas um símbolo de dor e passa a ser tratado com ironia, muitas vezes servindo como crítica às dinâmicas das relações e às expectativas sociais impostas aos homens.
Sempre atento às tendências, o artista também levou seu humor para o ambiente digital. Em 2016, lançou o aplicativo “Corno Go”, inspirado no fenômeno Pokémon GO, permitindo que usuários adicionassem chifres em fotos, reforçando sua reputação como um dos principais nomes do humor sobre o tema.
A obra de Falcão se encaixa na tradição da música brega que retrata desilusões amorosas e histórias de infidelidade. Nesse caminho, ele também contou com parcerias criativas, como a do compositor Tarcísio Matos, ampliando ainda mais o alcance de suas narrativas carregadas de humor e crítica.
🎧 Playlist temática: “sofrência e chifre”
Se a ideia é entrar no clima (com humor ou identificação), aqui vai uma playlist com clássicos sobre traição:
No fim das contas, entre piadas e hits, o “Dia do Corno” mostra como até temas dolorosos podem ganhar novos significados na cultura popular — seja no riso ou na música.
Fonte: Uol
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