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CRIME

Pastor e pastora são indiciados por abuso de 11 adolescentes

Segundo a Polícia Civil de Roraima, investigados usavam a liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas, praticar abusos e dificultar as denúncias.

Teresinha Ferreira

16 de julho de 2026 às 08:12 ▪ Atualizado há 9 horas

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  • Casal se apresentando como pastores evangélicos foi indiciado por abuso sexual de 11 adolescentes.
  • As vítimas tinham entre 12 e 17 anos e foram manipuladas através da posição de liderança religiosa.
  • O homem utilizava sua posição para manter influência psicológica sobre as vítimas.
  • A investigação começou após denúncia de familiares de uma vítima de 14 anos.
  • Os acusados usavam argumentos religiosos e ofereciam vantagens financeiras para impedir denúncias.
  • A delegada destacou o uso da fé como ferramenta de manipulação.
  • A polícia identificou tentativa de destruição de provas, envolvendo uma jovem de 20 anos.
  • Outras possíveis vítimas foram identificadas, mas não prestaram depoimento.
  • Crimes atribuídos incluem estupro de vulnerável, importunação sexual, e fraude processual.
  • O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para análise.

Policia de Roraima A Polícia Civil de Roraima concluiu o inquérito e indiciou o casal por diversos crimes sexuais contra adolescentes, além de fraude processual.
A Polícia Civil de Roraima concluiu o inquérito e indiciou o casal por diversos crimes sexuais contra adolescentes, além de fraude processual.

Um casal que se apresentava como pastor e pastora evangélicos foi indiciado pela Polícia Civil de Roraima pelos crimes de abuso sexual contra adolescentes. Segundo a investigação, 11 vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, foram identificadas durante o inquérito, que concluiu que os investigados utilizavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das jovens, cometer os abusos e dificultar as denúncias.

De acordo com a Polícia Civil, o homem, de 32 anos, exercia posição de autoridade dentro da igreja para se aproximar das vítimas e mantê-las sob influência psicológica. A mulher, de 24 anos, também teria participado da aproximação com as adolescentes e colaborado com as práticas criminosas.

Investigação começou após denúncia da família

As investigações tiveram início em abril deste ano, quando familiares de uma adolescente de 14 anos procuraram a Polícia Civil para denunciar os abusos. Após o primeiro relato, outras adolescentes passaram a procurar a polícia e descreveram situações semelhantes. Segundo o inquérito, os investigados utilizavam argumentos religiosos para exercer controle psicológico sobre as vítimas. Em alguns casos, também ofereciam dinheiro em espécie, transferências via Pix e outras vantagens para impedir que os crimes fossem denunciados. A polícia afirma que a condição de líderes religiosos contribuía para afastar suspeitas entre fiéis e familiares das vítimas. O relatório aponta ainda que muitas adolescentes tinham receio de denunciar o casal por medo de serem consideradas rebeldes ou de provocar divisões na comunidade religiosa, o que poderia resultar até mesmo em sua exclusão da igreja.

Delegada destaca manipulação da fé

A delegada Kamilla Basto, responsável pela investigação, afirmou que o uso da fé como instrumento de manipulação tornou a apuração especialmente complexa.

"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento. Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei."

Polícia apura tentativa de destruição de provas

Além dos crimes sexuais, a investigação identificou uma suposta tentativa de destruição de provas. Uma jovem de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores, suspeita de participar da exclusão de dados armazenados no celular do investigado. Segundo a polícia, a ação contou com a participação de uma adolescente e de uma das vítimas, a pedido do próprio suspeito. O inquérito aponta ainda que, após a destruição do aparelho, uma das vítimas teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência informando falsamente o desaparecimento do celular, com o objetivo de ocultar a eliminação das provas.

Outras possíveis vítimas

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou outras cinco pessoas com indícios de também terem sido vítimas, mas elas optaram por não prestar depoimento. Segundo o relatório final, não houve consentimento livre das adolescentes para os atos sexuais. Conforme a investigação, as vítimas estavam inseridas em um contexto de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, circunstâncias que, na avaliação da polícia, afastam qualquer alegação de voluntariedade.

Crimes atribuídos aos investigados

Com a conclusão do inquérito, o homem foi indiciado pelos crimes de:

  • estupro de vulnerável;
  • importunação sexual;
  • favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável;
  • registro não autorizado de intimidade sexual;
  • fraude processual;
  • falsidade ideológica.

A mulher foi indiciada por:

  • estupro de vulnerável;
  • importunação sexual;
  • fraude processual.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que irão analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir sobre as medidas cabíveis.

Fonte: Portal Roraima