CONFISSÃO
Da Redação
07 de julho de 2026 às 20:09 ▪ Atualizado há 50 minutos
O senador Flávio Bolsonaro discursou nesta terça-feira (7) em audiência nos EUA contra o novo tarifaço sobre produtos brasileiros, defendendo o adiamento da medida. O discurso do senador ficou parecendo uma confissão de culpa com pedido de perdão por causa dos estragos que os pedidos para sanções contra o Brasil causaram na candidatura dele ao Planalto.
Os EUA decidem até 15 de julho se aplicarão novas tarifas adicionais ao Brasil, sob a justificativa de que o país adota práticas comerciais irrazoáveis. O governo brasileiro contestou as acusações e defendeu que o PIX e as decisões do STF são políticas internas que não justificam sanções comerciais.
Mostrando sua intenção meramente politica na audiência, Flávio Bolsonaro, no discurso, criticou o presidente Lula. A participação de Flávio ocorreu por inscrição aberta no órgão americano responsável pelo comércio exterior, enquanto o governo federal do Brasil enviou apenas observadores para acompanhar a audiência.
Flávio Bolsonaro estava acompanhado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que está foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos, e fez o pronunciamento em inglês.
Deixando claro que a preocupação era só com as eleições de outubro, Flávio foi direto ao ponto logo no início do seu discurso: "O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão", disse, tentando esquivar-se da culpa em pedir sansões econômicas dos EUA ao Brasil. Em 2025, ele e o irmão Eduardo Bolsonaro diziam ser os responsáveis em lutar por sanções ao Brasil e a autoridades brasileiras.
O primeiro tarifaço de Donald Trump contra o Brasil ocorreu em 6 de agosto de 2025. A medida, anunciada previamente em julho daquele ano, estabeleceu uma sobretaxa de 50% sobre cerca de 3.800 produtos brasileiros, incluindo café, calçados e carne bovina, afetando profundamente a balança comercial dos dois países. Os Bolsonaro assumiram publicamente a responsabilidade pelas sansões.
Na época, Eduardo Bolsonaro fez questão de dizer que estava lutando junto ao governo do EUA para prejudicar o Governo Lula. Ele e o irmão também fizeram questão de mostrar que tinham influência junto ao presidente dos Estados Unidos. E mostraram fotos e vídeos nas redes sociais afirmando isso.
Na mesma época deixaram claro que lutavam contra os interesses do governo brasileiro. Eduardo chegou a dizer que não se importava se o Brasil virasse "terra arrasada", mas ficaria satisfeito por ter de vingado das ações judiciais contra o clã Bolsonaro.
A ideia, com sansões ao Brasil, era fazer o governo Trump pressionar às instituições para ajudar o pai deles, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a escapar da prisão por ter sido condenado por tentativa de golpe de estado. Na audiência desta terça-feira no EUA, o senador Flávio Bolsonaro também mencionou que este é o "pior momento possível" para a aplicação da medida e defendeu o adiamento.
"Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar", prosseguiu, tentando se afastar da culpa pelo novo tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump.
Flávio Bolsonaro parece ter descoberto muito tarde que quando ele e o irmão e seus seguidores incentivaram os EUA a impor punição ao Brasil, com aumento de tarifas, estavam cavando o buraco para enterrar suas pretensões políticas. Agora estão vendo o estrago na candidatura de Flávio porque o povo brasileiro rendeu que a culpa pelas medidas contra o Brasil é deles. Eles, deliberadamente, iniciaram essa luta contra o próprio país.
Em outro momento do discurso na audiência desta terça-feira nos EUA, Flávio lembrou que a imposição de novas tarifas não seria o caminho adequado para pressionar o Brasil e citou haver "grandes chances" de uma mudança no governo brasileiro em janeiro. Flávio Bolsonaro, mais uma vez, demonstrou claramente que estava preocupado apenas com a eleição e não com os interesses das empresas brasileiras e do Brasil.
"Acho que vocês estão usando as tarifas (...) para atingir o objetivo que desejam. Se a intenção é pressionar o Brasil, esse não é o jeito correto de fazer isso. Essa não é a forma adequada. Existem instrumentos direcionados que podem ser usados contra indivíduos", disse Flávio sugerindo outras maneiras do governo norte-americano pressionar e prejudicar o Governo Lula antes das eleições de outubro.
Resposta formal
O governo brasileiro já tinha apresentado neste mês uma resposta formal à conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta do novo tarifaço. Na época, governo americano acusou o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.
Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA.
O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.
O Executivo também afirmou que críticas americanas ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não são questões comerciais, mas divergências sobre políticas internas brasileiras.
Segundo o Itamaraty, usar esses temas para justificar sanções comerciais ampliaria excessivamente o alcance da legislação americana usada na investigação. Os traidores da Pátria precisam entender de uma vez por todas que o Brasil é grande, soberano, não está sozinho e não é colônia e nem quintal dos EUA.
Fonte: Agências de notícias
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