Brasil

CRIME ORGANIZADO

PF prende candidato do clã Bolsonaro no RJ e desmonta esquema de corrupção bilionário

Ex-prefeito Márcio Canella, apoiado pelo clã Bolsonaro para o Senado, é flagrado com arma de guerra; investigação mira lavagem de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis

Da Redação

07 de julho de 2026 às 18:16 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A Polícia Federal iniciou a 6ª fase da Operação Unha e Carne, focada em uma rede de lavagem de dinheiro de mais de R$ 7,6 bilhões.
  • O esquema usava postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
  • Márcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso com fuzil calibre 556.
  • Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, era sua primeira suplente ao Senado.
  • O delegado Marcus Amim também foi preso, acusado de participação no esquema.
  • O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes no STF.
  • A operação intensificou a crise política no PL, com discussões sobre a pré-candidatura de Canella.
  • Cláudio Castro desistiu da candidatura ao Senado após investigações.
  • Flávio e Jair Bolsonaro decidirão sobre substituições na chapa para o Senado.
  • Possíveis substitutos incluem Carlos Portinho, Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante.
  • Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em várias cidades do Rio de Janeiro.

Márcio Canella, Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro: amigos de longas datas
Márcio Canella, Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro: amigos de longas datas

A Polícia Federal - PF, deflagrou nesta terça-feira (7) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, mirando uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A operação atingiu em cheio a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL): entre os presos está seu principal aliado no estado, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que foi flagrado com um fuzil calibre 556 dentro do carro e foi preso por porte ilegal de arma.

Canella, que conta com o apoio explícito de Flávio Bolsonaro para disputar uma vaga ao Senado, teve a própria mãe do senador, Rogéria Bolsonaro, indicada como sua primeira suplente na chapa. A ligação familiar evidencia o alto valor político que o clã Bolsonaro depositava no agora preso.

Além de Canella, a PF também prendeu o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de participar do mesmo esquema criminoso. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator do caso, que tramita no âmbito da ADPF das Favelas, que determina à PF investigar conexões entre agentes públicos e o crime organizado no estado.

Crise anunciada para o clã Bolsonaro

O desfecho da operação já era temido nos bastidores do PL. Conforme apurou a reportagem, integrantes do partido haviam recomendado que Flávio Bolsonaro reavaliasse a pré-candidatura de Canella ao Senado justamente com o receio de que uma operação da PF contra o ex-prefeito se concretizasse.

A apreensão do fuzil com Canella e a magnitude do esquema financeiro investigado – que envolve uma rede de postos de combustíveis operada por "laranjas" – aprofundam uma crise que já vinha se desenhando. Nas últimas semanas, o ex-governador Cláudio Castro (PL), que também era cotado para o Senado na chapa com Canella, desistiu da disputa após ser alvo de duas operações da PF. Castro é investigado por suspeitas de favorecimento ao Grupo Refit em um esquema de fraudes no setor de combustíveis .

Com a queda de Canella, o tabuleiro político do PL no Rio de Janeiro se fragmenta ainda mais. A decisão sobre quem ocupará as vagas ao Senado na chapa será tomada diretamente por Flávio e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os nomes cotados para substituir Castro na disputa são o senador Carlos Portinho e os deputados Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante – este último também citado em recente operação da PF .

O esquema bilionário

A Operação Unha e Carne investiga uma suposta organização criminosa que usava postos de combustíveis como fachada para lavar dinheiro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações de R$ 7,6 bilhões, o que levou a Justiça a determinar o sequestro de bens e a suspensão das atividades de empresas ligadas ao grupo .

A ação desta terça-feira cumpre 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense. A PF destacou que os alvos poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.

Fonte: PF/G1/Globo/Metrópoles