PODCAST MULHER MAIS
Natalia Costa
21 de julho de 2026 às 14:37 ▪ Atualizado há 3 horas
A tecnologia tem aberto novas oportunidades profissionais para pessoas que buscam mudar de carreira e encontrar novos caminhos. Foi assim que aconteceu com a piauiense Luiza de Sousa, desenvolvedora de software que deixou a arquitetura e urbanismo para construir uma trajetória na programação.
Ela participou do podcast Mulher Mais, do Portal Piauí Hoje, na quinta-feira (16) e contou como descobriu a área de tecnologia, mesmo sem ter cursado Ciência da Computação ou um curso técnico de informática. Autodidata, ela iniciou os estudos pela internet e encontrou na programação uma profissão que unia desafio intelectual, boas oportunidades e flexibilidade.
Natural de Teresina, Luiza se define como uma “camaleoa de profissões”. Antes de trabalhar com desenvolvimento de software, ela passou por diferentes áreas, como arquitetura, lettering e fotografia.
A entrada de Luiza de Sousa na tecnologia aconteceu a partir de um incentivo do marido, que também é programador. Segundo ela, foi ele quem percebeu que suas habilidades poderiam se encaixar na área.
“Foi ideia do meu marido, que também é programador. Ele olhava para mim e falava: ‘eu acho que você dá certo nessa profissão’. É uma coisa que eu nunca tinha pensado. Então comecei a estudar, comecei a fazer cursos pela internet, estudar sozinha."
Após conhecer melhor a área, ela percebeu que a programação oferecia o tipo de desafio que procurava.
Antes da programação, ela também construiu uma carreira como artista de lettering e destacou que é possível viver da arte.
“Eu passei cinco anos trabalhando com a arte, então foi uma parte muito importante da minha vida e dá sim para você viver de arte. É bom até quebrar esse preconceito. Dá para viver de arte sim."
Atualmente, a profissional trabalha como desenvolvedora em uma empresa brasileira de consultoria, atuando para um cliente estrangeiro na área de cibersegurança. Ela explicou que sua função é manter uma plataforma utilizada por profissionais que realizam testes de segurança.
A desenvolvedora de software também destacou que a área de tecnologia oferece diferentes modelos de trabalho, como presencial, híbrido e remoto.
Sobre os salários, Luiza explicou que a área realmente possui boas remunerações, mas alertou que o crescimento profissional exige estudo e dedicação.
“Muita gente acha que vai entrar na área da tecnologia e seis meses depois vai estar ganhando rios de salário. Não é um emprego como outro qualquer."
Segundo ela, um dos grandes diferenciais é a possibilidade de trabalhar para empresas internacionais.
Apesar do crescimento da presença feminina no setor, Luiza afirma que a tecnologia ainda é uma área predominantemente masculina e que a falta de incentivo começa muitas vezes ainda na infância.
“A gente não é muito incentivada a olhar para a área da tecnologia e pensar: isso é uma área possível para mim”, afirmou.
Ela destacou que existem mulheres importantes na história da computação, como Ada Lovelace, considerada a primeira programadora da história, e Grace Hopper, criadora da linguagem COBOL.
Luiza também contou que, na programação, sofreu menos preconceito do que em outras áreas.
“Eu fui arquiteta na minha formação e sofri muito mais preconceito sendo arquiteta do que sendo programadora. Na programação, o mercado está muito preocupado com seu conhecimento técnico. Se você sabe fazer, se você sabe executar aquela tarefa, se você sabe aquela linguagem de programação, é isso que interessa."
Com o avanço da inteligência artificial, muitas pessoas têm questionado o futuro das profissões ligadas à tecnologia. Para a programadora, a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio.
Segundo ela, a tecnologia mudou a forma como os profissionais trabalham, aumentando a produtividade, mas ainda exige pensamento crítico humano.
“Ela mudou a forma de trabalhar, mas essa questão de que ela vai roubar um emprego, não, não vai”, afirmou.
Para quem deseja começar na programação, a profissional recomenda buscar conhecimento e testar a área antes de tomar uma decisão.
Ela indica plataformas como Udemy, Alura e cursos disponíveis gratuitamente na internet, mas alerta para promessas de formação rápida.
“Você vai ver muita gente vendendo aquela ideia do zero ao profissional em dois meses. Primeiro que não existem promessas que vão dizer que sim, que você vai ter uma formação muito rápida”, disse.
Aprender inglês é uma das melhores estratégias para quem pretende trabalhar com programação e desenvolvimento de software.
“Invista no inglês, porque é o que vai te dar oportunidades em vagas no exterior. Muito mais do que querer trabalhar em uma área específica, você ter capacidade de ter acesso a vagas melhores. Se você tira a barreira da linguagem, você tem acesso a carreiras melhores."
Para Luiza, a programação é uma carreira que reúne realização profissional, desafios e possibilidades de crescimento.
“Você resolver problemas, construir alguma coisa é muito satisfatório. Ela consegue ser muito gratificante”, finalizou.
Natália Costa é jornalista pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Profissional multimídia premiada com experiência na TV Band, Rádio Clube News e Rádio UFPI, Portal Piauí Hoje e assessoria de imprensa do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). Vencedora de três prêmios de jornalismo universitário (Sebrae e TJ-PI). Possui capacidade de apuração e produção de conteúdo digital. Apaixonada por contar histórias e transformar informações complexas em notícias acessíveis.
SUPERAÇÃO PELA ARTE
PODCAST MULHER MAIS
PODCAST MULHER
CULTURA
PODCAST MULHER MAIS
PODCAST MULHER MAIS