Saúde

AUDIÊNCIA

MPPI fiscaliza Hospital Areolino de Abreu e exige adequações após morte de paciente

Fiscalização identificou sobrecarga de servidores e necessidade de melhorias na estrutura e no atendimento

Da Redação

27 de abril de 2026 às 11:16 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O MPPI realizou uma audiência extrajudicial no Hospital Areolino de Abreu, Teresina, após a morte de um paciente.
  • A fiscalização foi conduzida pela 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, com a participação de CRM-PI, Coren-PI, Sesapi e TJPI.
  • A promotora Débora Aragão destacou preocupações sobre possíveis falhas na assistência.
  • Foi proposta a criação de uma matriz de risco baseada no dimensionamento de profissionais, condições estruturais e protocolos de segurança.
  • O Coren-PI apontou um déficit de enfermeiros; são necessários 18, mas há apenas 13.
  • O CRM-PI sugeriu a contratação de sete clínicos gerais para plantões 24 horas.
  • O MPPI discutiu a situação de 33 pacientes permanentes no hospital, visando sua desinstitucionalização.
  • Uma recomendação formal à Sesapi será expedida, pedindo adequações de pessoal e melhorias nos protocolos de contenção.
  • Morte do paciente Pedro Araújo da Silva, ocorrido em fevereiro de 2026, está sob investigação, com dois suspeitos presos.
  • A vítima havia recebido alta no mesmo dia de sua morte.

MPPI realiza audiência itinerante no Hospital Areolino de Abreu
MPPI realiza audiência itinerante no Hospital Areolino de Abreu

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) realizou uma audiência extrajudicial itinerante no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina, com o objetivo de fiscalizar as condições de funcionamento da unidade após a morte de um paciente. A ação ocorreu no dia 24 de abril.

A fiscalização foi conduzida pela 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, sob coordenação da promotora Débora Geane Aguiar Aragão, e contou com a participação de representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM-PI), do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PI), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) e do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI).

Durante a audiência, a promotora destacou que a morte do paciente na unidade levantou preocupações sobre possíveis falhas na assistência. A partir disso, o Ministério Público propôs a criação de uma matriz de risco baseada em três eixos: dimensionamento de profissionais, condições da estrutura física e adoção de protocolos de segurança mais eficazes.

Um dos principais problemas apontados foi o déficit de profissionais de saúde. De acordo com o Coren-PI, o hospital precisaria de pelo menos 18 enfermeiros para atender adequadamente à demanda, mas atualmente conta com apenas 13, o que gera sobrecarga e pode comprometer o atendimento. 

Já o CRM-PI defendeu a contratação imediata de sete médicos clínicos gerais para garantir cobertura de plantões 24 horas, permitindo que os psiquiatras se concentrem nos atendimentos especializados.

Outro ponto crítico discutido foi a situação de 33 pacientes que vivem de forma permanente no hospital, considerados “moradores” da unidade. O Ministério Público determinou a abertura de fichas individuais para cada um deles, com o objetivo de localizar familiares e viabilizar a desinstitucionalização ou transferência para residências terapêuticas, que atualmente operam no limite da capacidade.

Ao final, a Promotoria informou que irá expedir uma recomendação formal à Sesapi, solicitando a adequação do quadro de profissionais e melhorias nos protocolos de contenção humanizada. O hospital e a secretaria também deverão apresentar um relatório detalhado sobre a situação social e familiar dos pacientes residentes.

O caso segue em acompanhamento pelo Ministério Público, que busca garantir melhores condições de atendimento e evitar novas ocorrências graves na unidade.

Morte de paciente

Pedro Araújo da Silva foi encontrado morto na madrugada do dia 26 de fevereiro de 2026, dentro do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina  O corpo foi localizado em um banheiro da unidade após funcionários perceberem fumaça no local.

Dois pacientes que estavam internados na mesma ala foram presos suspeitos do crime.

Um detalhe que chama atenção é que a vítima já havia recebido alta médica e deixaria o hospital no mesmo dia em que foi encontrada morta 

Fonte: MPPI