Política Nacional

Ministro bloqueia perfis de sete acusados de ataque ao Supremo

Contas em redes sociais estão bloqueadas por ordem de Alexandre de Moraes

Teresinha

17 de abril de 2019 às 12:04


Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli

Sete pessoas suspeitas de publicar fake news, ameaças e ofensas contra integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares tiveram suas contas em redes sociais bloqueadas por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

A ordem foi a mesma que deflagrou uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça (16) contra os investigados em Brasília, São Paulo e Goiás. A ação foi antecipada pela Folha de S.Paulo. Foram apreendidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos dos suspeitos.

"Verifica-se a postagem reiterada em redes sociais de mensagens contendo graves ofensas a esta corte e seus integrantes, com conteúdo de ódio e de subversão da ordem", escreveu o ministro, citando que as condutas em apuração podem se enquadrar em artigos do Código Penal e da Lei de Segurança Nacional.

Um dos alvos, o general da reserva Paulo Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal em 2018, é apontado por Moraes como suspeito de "postagens nas redes sociais de propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre seguidores".

"Em pelo menos uma ocasião", continua o ministro, "o investigado defendeu a criação de um Tribunal de Exceção para julgamento dos ministros do STF ou mesmo substituí-los".

Outro alvo é o policial civil de Goiás Omar Rocha Fagundes. Nas redes sociais dele, segundo a decisão de Moraes, há publicação de 14 de março deste ano que diz: "O nosso STF é bolivariano, todos alinhados com os narcotraficantes e corruptos do país. Vai ser a fórceps".

Em outra publicação, Fagundes escreveu: "O Peru fechou a corte suprema do país. Nós também podemos! Pressão total contra o STF".
Os outros cinco investigados são Isabella Trevisani, Carlos Antonio dos Santos, Erminio Nadin, Gustavo de Carvalho e Silva e Sergio de Barros. Eles são apontados por publicações como: "Não tem negociação com quem se vendeu para o mecanismo. Destituição e prisão. Fora STF".

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o general Chagas atribuiu a medida do Supremo à possibilidade de Toffoli e os seus colegas do tribunal terem cometido irregularidades.

"Não faço crítica à ação em si, mas à atitude defensiva dele, que, para mim, demonstra que está se defendendo para esconder alguma coisa. A melhor defesa é o ataque. Então, resolveu atacar para se defender", declarou.

Nas suas redes sociais, o general de brigada (segundo posto mais alto na hierarquia do Exército) não se limita a fazer comentários críticos ao Supremo. A defesa do regime militar, a crítica à esquerda e até digressões sobre a maior tragédia da história do futebol brasileiro fazem parte de seus comentários nas redes sociais.
"O desempenho da seleção brasileira é o retrato da Copa do Brasil: cara, improvisada e um fracasso diante da realidade", disse ele, em 2014, num artigo para o Clube Militar intitulado "A lição da Alemanha", após a derrota por 7 a 1.

O militar presidiu o Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), entidade que se dedica a defender a atuação dos militares durante a ditadura. Nessa condição, criticou diversas vezes a Comissão Nacional da Verdade (CNV) e os governos do PT.

Na entrevista à Folha de S.Paulo, Chagas reclamou do que chama de aparelhamento do Supremo pelos governos do PT e os antecessores. "Cada um [governo] botou lá aquele que defendia seus próprios interesses. Conhecimento jurídico, o elevado conhecimento jurídico, foi deixado como segundo critério. O primeiro critério é a identificação ideológica", disse.

Para ele, esse suposto aparelhamento se reflete agora, na conduta do Supremo diante de investigações contra políticos e altas autoridades do país. Procurada, a assessoria do presidente do Supremo informou que não conseguiu localizar Toffoli.

Nas buscas em sua casa em Brasília, os policiais federais foram recebidos pela filha do general e apreenderam o notebook dele. Ele estava em Campinas (SP), onde visitava o neto.

Ao saber da operação, o general ironizou em sua conta no Twitter: "Caros amigos, acabo de ser honrado com a visita da Polícia Federal em minha residência, com mandato de busca e apreensão expedido por ninguém menos do que ministro Alexandre de Moraes. Quanta honra! Lamentei estar fora de Brasília e não poder recebê-los pessoalmente", escreveu.

O general nega ter avançado o sinal ao criticar ministros do Supremo nas redes sociais e em seu blog. "Posso ter sido indelicado, em algum deles [posts], sendo mais incisivo, mas não tem ameaça em hipótese nenhuma. Jamais faria ameaça. Sou totalmente contrário a esse tipo de manifestação."

Ex-comandante do Exército e hoje assessor especial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Eduardo Villas Bôas se disse preocupado com a operação que teve entre os alvos o general Chagas.

"Conheço muito o general Paulo Chagas, é um amigo pessoal meu. Confesso que estou preocupado e vamos acompanhar os desdobramentos disso", afirmou Villas Bôas depois de uma homenagem ao Exército na Câmara.

Ele se disse em alerta com "as restrições que o Paulo Chagas possa estar sofrendo. É um homem de bem".

Fonte: Folhapress



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