Política Nacional

Merlong denuncia "linchamento" de quem votou contra Bolsonaro

Deputado suspeita que transferência do Coaf pretendia encobrir crimes do filho do presidente

Teresinha

24 de maio de 2019 às 15:05


Deputado federal Merlong Solano (PT-PI)
Deputado federal Merlong Solano (PT-PI)

O deputado federal Merlong Solano (PT) discursou na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (23), contra o que considera um linchamento virtual. “Lideranças do PSL (partido do presidente Bolsonaro) estão utilizando as redes sociais para, em tom de denúncia, apontar o nome de deputados que votaram para que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) voltasse para o seu Ministério de origem, que é o Ministério da Fazenda”, explicou.

O petista disse suspeitar que o presidente Bolsonaro tenha transferido o Coaf para o Ministério da Justiça, comandado pelo ex-juiz Sérgio Moro, porque a investigação que liga o senador Flávio Bolsonaro a Fabrício Queiroz foi originada a partir de informações colhidas pelo Coaf e transmitidas para o Ministério Público. O parlamentar parabenizou o Conselho pelo trabalho realizado e afirmou que “muito do que foi feito no país em matéria de combate à corrupção foi feito justamente a partir dos trabalhos do Coaf”. 

Merlong frisou que o Coaf foi criado em 1998, quando o PSDB ocupava a presidência da República. “Naquele momento Fernando Henrique tomou a decisão correta de colocar o Coaf no Ministério da Fazenda, agora Ministério da Economia, porque trata-se de um órgão de inteligência financeira, que acompanha as transações de todos os correntistas do país e, havendo irregularidade, encaminha essas informações para os órgãos de controle, para o Ministério Público, para própria Justiça”, destacou.

Corrupção

O parlamentar afirmou ser a favor do combate à corrupção e que, nesse quesito, o comportamento do juiz Sérgio Moro está longe de ser ético. “Em muitos casos, Moro foi seletivo. Prendeu o presidente Lula sem provas e aceitou o cargo de ministro da Justiça do presidente beneficiado pela sua decisão de prender Lula. O próprio presidente Bolsonaro veio a público dizer que há um acordo para levar Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal”, relatou.
 
Merlong finalizou dizendo que democracia se faz com regras estáveis e que possíveis fragilidades devem ser corrigidas para garantir mais transparência e intensificar o combate à corrupção.

Fonte: Assessoria



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