Educação

EDUCAÇÃO SUPERIOR

Mulheres são maioria com ensino superior, mas seguem longe dos cargos de liderança

No Piauí, 12,54% da população possui diploma de nível superior

Natalia Costa

11 de junho de 2026 às 16:00 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Dados do Censo 2022 mostram que 16,75% dos brasileiros têm ensino superior completo.
  • Há mais mulheres graduadas (15,4 milhões) do que homens (10,5 milhões).
  • Apesar disso, mulheres enfrentam desigualdade salarial e menos cargos de liderança.
  • O Piauí tem 12,54% com nível superior, abaixo da média nacional; o Distrito Federal lidera com 33,16%.
  • O aumento da escolaridade feminina decorre de transformações sociais, culturais e educacionais.
  • Diplomas se tornaram uma estratégia de investimento para mulheres enfrentarem barreiras no mercado.
  • A escolaridade foi vista como um meio para ampliar oportunidades e mobilidade social para mulheres.
  • Fatores como menor taxa de fecundidade e adiamento da maternidade contribuíram para o maior acesso feminino ao ensino superior.
  • Mesmo com maior escolaridade, mulheres estão concentradas em áreas de menor remuneração e prestígio.
  • Persistem desigualdades salariais e de liderança, apesar do avanço educacional das mulheres.
  • O desafio atual é transformar a educação em igualdade de oportunidades e melhores posições de trabalho.

Doutora em educação Raimunda Melo destaca que mudanças sociais elevaram número de mulheres com ensino superior | Foto: Arquivo pessoal
Doutora em educação Raimunda Melo destaca que mudanças sociais elevaram número de mulheres com ensino superior | Foto: Arquivo pessoal

Dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 16,75% da população brasileira com 18 anos ou mais possui ensino superior completo. O levantamento revela ainda uma diferença significativa entre homens e mulheres: são cerca de 15,4 milhões de mulheres graduadas, contra 10,5 milhões de homens.

A doutora em educação Raimunda Melo afirmou que apesar das mulheres serem mais escolarizadas que os homens, ainda não ocupam menos cargos de liderança e enfrentam desigualdade salarial no mercado.

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No Piauí, 12,54% da população possui nível superior completo, percentual abaixo da média nacional. O estado aparece acima apenas de unidades da federação que registram índices mais baixos de escolaridade, enquanto o Distrito Federal lidera o ranking nacional, com 33,16% da população graduada.

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Para a doutora em Educação Raimunda Melo, o crescimento da presença feminina nas universidades é resultado de uma série de transformações sociais, culturais e educacionais ocorridas nas últimas décadas.

No Brasil, o diploma passou a ser para as mulheres uma estratégia racional de investimento diante das barreiras históricas no mercado de trabalho. A escolaridade funcionou como um mecanismo para ampliar oportunidades e aumentar as chances de mobilidade social e profissional.

Segundo a pesquisadora, fatores como a redução da taxa de fecundidade, o adiamento da maternidade e a mudança nos papéis de gênero contribuíram para que mais mulheres permanecessem por mais tempo nos estudos.

"O diploma deixou de ser visto como um atributo predominantemente masculino e passou a integrar o projeto de emancipação feminina. Além disso, meninas apresentam menores taxas de evasão e reprovação desde a educação básica, o que favorece a chegada ao ensino superior", afirma.
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Doutora em Educação Raimunda Melo  | Foto: Whatsapp
Escolarização maior, desigualdade persiste

Apesar de serem maioria entre os diplomados, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para transformar a formação acadêmica em igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

A doutora em Educação Raimunda Melo destaca que a presença feminina continua concentrada em áreas historicamente associadas às mulheres, como cursos de licenciatura, que costumam apresentar menor prestígio social e remunerações mais baixas.

"As mulheres são maioria no ensino superior, mas ainda estão concentradas em cursos que apresentam menores retornos salariais e menor valorização no mercado de trabalho. Isso ajuda a explicar por que a vantagem educacional não se converte automaticamente em vantagem econômica", observa.

A especialista ressalta que o aumento da escolaridade feminina não foi suficiente para eliminar desigualdades históricas. Embora as mulheres tenham conquistado espaço nas universidades, elas ainda recebem salários menores e ocupam menos cargos de liderança em comparação aos homens.

O avanço educacional das mulheres representa um ganho importante de autonomia e reconhecimento social. No entanto, questões como a divisão do trabalho de cuidado, os modelos de carreira e os vieses dentro das organizações continuam limitando o acesso a posições de poder e melhores remunerações.

Para a pesquisadora, o desafio atual vai além de garantir acesso à educação. 

"Hoje, o principal desafio é fazer com que esse investimento educacional se traduza efetivamente em igualdade de oportunidades, salários e participação nos espaços de decisão", conclui.

Fonte: Piauí Hoje e IBGE



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