OPERAÇÃO SEM DESCONTO
Alinny Maria
13 de novembro de 2025 às 10:30
A operação deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), resultou na prisão de 10 pessoas suspeitas de participar do esquema bilionário de descontos associativos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O grupo é acusado de organização criminosa, corrupção, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação, entidades e associações inseriam cobranças não autorizadas nos contracheques de aposentados e pensionistas, simulando filiações e mensalidades que nunca foram consentidas. O golpe, que teria movimentado cifras milionárias, atingiu milhares de beneficiários em todo o país.
Quem são os presos
Entre os principais alvos da operação está Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, que comandou o órgão entre julho de 2023 e o início de 2024. Stefanutto é apontado como uma das figuras centrais do esquema, suspeito de facilitar acordos e permitir o acesso de entidades ao sistema da Previdência.

André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão do INSS.
Outro preso é Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, ex-servidor e consultor informal de associações ligadas ao setor previdenciário. Ele já estava preso e foi alvo de um novo mandato. O Careca do INSS teria articulado a comunicação entre dirigentes das entidades e gestores públicos.




O grupo teria se beneficiado de falhas nos sistemas do INSS para incluir, de forma fraudulenta, contribuições associativas nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. Assim, valores mensais eram descontados automaticamente, sem autorização dos beneficiários.
De acordo com relatórios da CGU, parte das quantias era desviada para contas pessoais e empresas de fachada, usadas para lavar o dinheiro e ocultar a origem dos recursos. A operação também apura a participação de servidores públicos que teriam facilitado o acesso das entidades ao sistema de consignações.
Impacto e próximos passos
A fraude atingiu diretamente pessoas idosas e de baixa renda, que perceberam reduções inexplicáveis em seus benefícios mensais. O caso gerou ampla repercussão e motivou o governo federal a anunciar uma revisão geral nos contratos de desconto em folha do INSS.
Os presos devem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e estelionato previdenciário. A PF ainda apura a extensão do prejuízo causado aos cofres públicos e aos beneficiários.
Veja a lista de presos até a última atualização:
1- Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS;
2- Antônio Carlos Antunes Camilo, "Careca do INSS";
3 - Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT);
4- Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), e irmão do presidente da entidade, Carlos Lopes;
5 - Cícero Marcelino de Souza Santos, empresário também ligado à Conafer;
6- Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também ligado à Conafer.
7 - André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão do INSS.
Fonte: PF e Metrópoles
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